Estamos de volta ao Twitter

Publicado: fevereiro 24, 2013 em Uncategorized

Não sei o que tinha feito que havia quebrado a conexão com o Twitter. Agora está funcionando novamente (espero)!

Vi um gráfico interessante compartilhado por um amigo no Facebook, comparando o retorno total do S&P entre 1980 e 2012 se o investidor tivesse ficado comprado todos os dias, e se tivesse perdido os 5, 10, 30 e 50 melhores dias do mercado. O gráfico é este:

MissWorstDaysS&P

O gráfico sugere que ficar fora do mercado pode custar caro, porque podemos perder os dias com os melhores retornos. Decidi replicar para o IBOVESPA. Usei dados entre 1/jan/1997 e 22/05/2013 (escolha arbitrária…não confio muito em dados históricos do mercado brasileiro muito antigos). Aqui está o resultado:

CumRetIBOV

Remover os melhores dias do mercado tem um impacto muito grande no retorno acumulado. Como a volatilidade do IBOVESPA é muito maior do que a do S&P (no período 1997-2013, vol do IBOV ~ 35%, vol do S&P ~21%), o impacto é bem maior no IBOVESPA.

Porém, este teste hipotético possui uma premissa bem peculiar: o investidor fica de fora exatamente nos melhores dias. Tudo bem que market timing é uma coisa difícil e que os estudos mostram que os investidores tendem a sair e entrar no mercado nos momentos errados, mas perder exatamente os melhores dias é exagerado. E se invertêssemos a lógica? O que aconteceria com um investidor que tivesse a capacidade de ficar de fora justamente nos piores dias do mercado? Devido ao efeito de composição das perdas e ganhos, ele teria um desempenho miraculoso (note que a primeira barra tem o mesmo valor nos dois gráficos):

CumRetIBOVWorst

O efeito de composição significa que perder 50% e depois ganhar 50% não retorna o investimento ao mesmo valor. Por exemplo, se tenho R$10,000 e perco 50%, fico com R$5,000. Se ganhar mais 50% vou para R$7.500 e ainda estou perdendo 25% em relação ao valor original. Podemos argumentar então que ficar fora do mercado em dias muito ruins pode ser melhor do que deixar estar no mercado nos melhores dias.

A discussão toda, é claro, parte da premissa de um sistema de market timing perfeito.  Considerando que retornos extremos tendem a ocorrer próximos uns dos outros (efeito de conglomerados de volatilidade), construir um sistema que evita só os retornos negativos é impossível. Porém, períodos de volatilidade extrema geralmente são ruins no agregado, ou seja, detectar tais períodos e ficar de fora deles pode ser valioso.

Tem-se falado bastante sobre sistemas de alocação tática usando médias móveis para determinar quando entrar ou sair de uma classe de ativos (coisas à la Ivy Portfolio e Mebane Faber). Regras muito simples parecem funcionar. O gráfico abaixo apresenta uma estratégia que alterna entre IBOVESPA e CDI, mudando para o CDI quando o IBOVESPA está abaixo da média móvel de 120 dias (a janela foi totalmente chutada, outras até mais curtas funcionam melhor ainda). A estratégia tem um retorno acumulado bem maior do que o do IBOV, com um drawdown máximo praticamente metade (drawdown da estratégia ~31%, drawdown do IBOVESPA ~60%). Teríamos ficado de fora em períodos turbulentos como parte da crise de 2008 . O teste não inclui custos operacionais, pode-se argumentar ad nauseam sobre o tamanho da janela etc…Porém se algo tão ridiculamente simples parece ajudar bastante, acho que existe esperança para a ideia de tentar entrar e sair do mercado de maneira tática.

 

TesteSMAIBOV

Seguem algumas estatísticas para não ficar só no gráfico:

TesteSMAIBOV_table

Como ponto final e, citando Game of Thrones, “Palavras são vento”. Nenhuma quantidade de backtests substituirá desenvolver e usar um sistema na prática, com dinheiro em jogo. Olhar o gráfico é uma coisa; tomar o drawdown e ver seu dinheirinho desaparecendo é outra. Finalmente, vale sempre o nosso velho e bom disclaimer.

Um artigo recente  testa regras de análise técnica usando dados de ações do Dow Jones entre 1928 e 2011. O artigo testa diversas variantes de regras que utilizam médias móveis para definir sinais de compra e venda. A regra básica utilizada é o clássico cruzamento de duas médias móveis com janelas diferentes:

  • Comprar quando a média móvel rápida cruzar a média móvel lenta de baixo para cima
  • Vender quando a média móvel rápida cruzar a média móvel lenta de cima para baixo.

As janelas das médias móveis são variadas entre 1 e 250 dias. A estratégia básica é enriquecida com alguns filtros, como por exemplo operar apenas quando o sinal persistir por alguns dias. Além disso, são testadas variantes estáticas, ou seja, com parâmetros fixos, e dinâmicas, utilizando critérios para escolher entre as melhores estratégias em períodos passados, com atualização mensal. No total, são testadas 10800 estratégias diferentes, e cada uma é aplicada a todas as ações que fizeram parte do índice no período, considerando custos de operação.

As conclusões do artigo mostram que a rentabilidade ajustada ao risco das regras de análise técnica é restrita ao período entre a década de 1960 e 1980, e apenas quando não há restrições à venda das ações. Para investidores que não podem vender ações à descoberto, o retorno ajustado ao risco é estatisticamente igual a zero.

 

Ainda tentando resolver meu problema de provedor de dados. Enquanto isso, mais um post sobre investimento sobre ações de baixa volatilidade. O gráfico abaixo ilustra a inversão total que ocorre na prática entre risco e retorno: ações com baixo risco no passado possuem retornos altos no futuro, e vice-versa.

Cada linha representa o retorno acumulado de investir o capital igualmente entre as ações que possuem volatilidades progressivamente maiores. A linha “Vol1″ representa a carteira com as ações de menor volatilidade, e  a linha “Vol5″, as ações com maior volatilidade. Quanto maior a volatilidade passada, pior o desempenho no futuro. O IBOVESPA aparece próximo da segunda carteira com as ações de maior volatilidade, perdendo do CDI no período….

A lição é simples: compre ações de baixo risco e seja feliz.

Desempenho de carteiras de ações formadas de acordo com as volatilidades passadas

Desempenho de carteiras de ações formadas de acordo com as volatilidades passadas

Estou tendo dificuldades com o acesso aos dados para gerar a carteira de janeiro. Peço paciência aos que acompanham enquanto tento resolver….

Neste post, estou publicando a CVM para o mês de dezembro de 2012 (isto é, obtida utilizando-se dados até novembro de 2012). As carteiras e os resultados ficarão na página Carteiras (menu do blog). A composição da CVM de dezembro de 2012 é a seguinte:

Código  Ação Alocação Dezembro 2012 Alocação Novembro 2012
AMBV4 AMBEV 15.81% 15.79%
CIEL3 CIELO 8.84% 8.80%
NATU3 NATURA 8.57% 7.56%
CPFE3 CPFL ENERGIA 8.02% 8.37%
TRPL4 TRAN PAULIST 7.67% 8.30%
CTIP3 CETIP 7.37% 7.98%
ELPL4 ELETROPAULO 7.08% 7.80%
UGPA3 ULTRAPAR 6.51% 5.63%
VIVT4 TELEF BRASIL 6.35% 6.47%
LIGT3 LIGHT S/A 6.02% 5.26%
CCRO3 CCR SA 5.96% 5.86%
DASA3 DASA 5.56% 5.89%
PCAR4 P.ACUCAR-CBD 2.42% 1.16%
CPLE6 COPEL 2.10% 3.87%
OIBR3 OI 0.86% 0.52%
EMBR3 EMBRAER 0.46% 0.00%
CRUZ3 SOUZA CRUZ 0.39% 0.29%
ELET6 ELETROBRAS 0.01% 0.44%

 

Em comparação com a carteira de variância mínima de novembro de 2012, as maiores diferenças foram em CPLE6 e PCAR4.

Do total de 68 ações do IBOVESPA , a CVM possui pesos significantes em apenas 18.  O beta desta carteira é de aproximadamente 0,38. A volatilidade (calculada com últimos 60 retornos diários na data base 30 de novembro de 2012) da CVM é de aproximadamente 12,9% ao ano, enquanto a do IBOVESPA é da ordem de 20,1% ao ano.

Os gráficos abaixo apresentam uma comparação entre a composição do IBOVESPA e da CVM, com os nomes das 10 maiores posições.

Comparacao IBOVESPA CVM 30-Nov-2012

 

 

 

 

 

 

 

 

Resultados da CVM em novembro de 2012

O gráfico abaixo apresenta o desempenho da CVM em novembro, comparado ao do IBOVESPA e do CDI. A CVM apresentou um resultado ligeiramente acima do CDI, enquanto o índice IBOVESPA ficou com um rendimento ligeiramente negativo no mês. A CVM teve um retorno de 0,70% no mês, enquanto o IBOVESPA teve um retorno de -0,41% e o CDI, de 0,52%.

Desempenho CVM Nov2012

Um pouco atrasado, porque eu estava de férias. Neste post, estou publicando a CVM para o mês de novembro de 2012 (isto é, obtida utilizando-se dados até outubro de 2012). As carteiras e os resultados ficarão na página Carteiras (menu do blog). A composição da CVM de novembro de 2012 é a seguinte:

Código  Ação Alocação Novembro 2012 Alocação Outubro 2012
AMBV4 AMBEV 15.79% 15.89%
CIEL3 CIELO 8.80% 5.32%
CPFE3 CPFL ENERGIA 8.37% 7.79%
TRPL4 TRAN PAULIST 8.30% 8.35%
CTIP3 CETIP 7.98% 7.68%
ELPL4 ELETROPAULO 7.80% 7.89%
NATU3 NATURA 7.56% 6.63%
VIVT4 TELEF BRASIL 6.47% 6.95%
DASA3 DASA 5.89% 5.81%
CCRO3 CCR SA 5.86% 3.51%
UGPA3 ULTRAPAR 5.63% 6.42%
LIGT3 LIGHT S/A 5.26% 4.59%
CPLE6 COPEL 3.87% 2.91%
PCAR4 P.ACUCAR-CBD 1.16% 0.45%
OIBR3 OI 0.52% 1.03%
ELET6 ELETROBRAS 0.44% 0.48%
CRUZ3 SOUZA CRUZ 0.29% 0.76%

 

Em comparação com a carteira de variância mínima de outubro de 2012, as maiores diferenças foram em CIEL3 e CCRO3.

Do total de 68 ações do IBOVESPA (com a saída da Redecard, o índice ficou com um constituinte a menos), a CVM possui pesos significantes em apenas 17.  O beta desta carteira é de aproximadamente 0,36. A volatilidade (calculada com últimos 60 retornos diários na data base 31 de outubro de 2012) da CVM é de aproximadamente 13,4% ao ano, enquanto a do IBOVESPA é da ordem de 25,4% ao ano.

Os gráficos abaixo apresentam uma comparação entre a composição do IBOVESPA e da CVM, com os nomes das 10 maiores posições.

 

 

 

 

 

 

 

 

Resultados da CVM em outubro de 2012

O gráfico abaixo apresenta o desempenho da CVM em outubro, comparado ao do IBOVESPA e do CDI. Seguindo um mês de resultado ruim para o mercado de ações, a CVM apresentou um resultado próximo do IBOVESPA, porém um pouco melhor. A CVM teve um retorno de -2,57% no mês, enquanto o IBOVESPA teve um retorno de -3.56% e o CDI, de 0,61%.