Comentário: Luiz Carlos Mendonça de Barros sobre os BRIC

Em sua coluna de hoje no caderno Dinheiro da Folha de São Paulo (que só pode ser lido por assinantes do UOL e do jornal impresso, motivo pelo qual não fiz o comentário online), entitulada “Afinal, o que une os BRICs?”, o autor destaca a importância econômica dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) no futuro como o traço que os uniria. Com efeito, ele nota que os emergentes, de modo geral, vão ceifar uma parcela grande do poder econômico hoje pertencente aos países ricos.

Barros nota que um dos obstáculos para que esse processo se acelere é a falta de condições para a criação de um sistema monetário internacional mais equilibrado. Nem a China, diz ele, tem interesse de dividir com o dólar o papel de moeda-reserva. Após essas observações ele diz

Não por outra razão, o ímpeto oportunista da delegação brasileira em criticar o dólar e seu papel no mundo hoje foi devidamente calado pelas lideranças chinesas presentes ao encontro [dos BRICs]

Além de uma caracterização negativa da delegação brasileira, a qual achei infundada e desnessária, Barros parece ter esquecido que foi o próprio presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, que criticou há meses as falhas do sistema monetário internacional e sugeriu a criação de uma moeda internacional. A declaração final do encontro dos BRIC não fez menção direta a qualquer movimento de busca por uma alternativa ao dólar. Aqui, vale lembrar que os chineses são os maiores detentores de títulos americanos e, portanto, são os maiores interessados em evitar volatilidade na moeda, que implica em volatilidade em suas reservas. Por que os chineses quereriam dar mais uma declaração, quando já está clara a posição deles em relação ao dólar? O episódio serve para lembrar que uma mundança no sistema monetário internacional é coisa de longo prazo.

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2 comentários sobre “Comentário: Luiz Carlos Mendonça de Barros sobre os BRIC

  1. Na verdade, todo mundo entendeu aquela crítica como uma ameaça aos EUA para tomarem cuidado com a valorização da moeda e qualquer tentativa de tornar o Yuan mais forte (que nesse momento seria ótimo para as exportações americanas). Pelo tamanho das reservas chinesas, não há o mínimo interesse em alterar nada no médio prazo, de fato.

    • Sim, mas meu ponto é que o artigo faz parecer que o Brasil está na frente da crítica ao dólar, quando na verdade a crítica partiu da China. Mas o desequilíbrio EUA-China não é sustentável por muito tempo, principalmente com 1 bilhão de chineses que vão tornar-se consumidores em breve.

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