E por falar em agências de rating…

Matéria da Economist entitulada “Downgrading rating agencies“.

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Moody’s dá grau de investimento para o Brasil

O mercado tem memória ruim e seletiva. Há pouquíssimo tempo se falava no papel da agências de rating na crise do subprime, e em como elas erraram grotescamente na avaliação do risco dos CDOs (mais aqui). Mas parece que continuamos confiando cegamente nessas agências, principalmente quando a a notícia é boa (e é boa para o país, até certo ponto, porque vai atrair investimento). Mas cada caso é um caso. No subprime havia uma bolha e instrumentos nunca dantes vistos, como CDOs2. E hoje, o sistema financeiro mundial está muito mais difícil de ser entendido e avaliado quantitivamente.

A notícia puxou o Ibovespa, que bateu os 61,000 pontos.  É razoável o Ibovespa bater nos 61,000, ante o pico de 73,000 pré-crise, em pouco mais de um ano? A resposta é: no curto prazo, sim.  Quando a bolha da internet estourou, o Ibovespa foi de quase 19,000 (pico de março de 2000) a 13,500 em apenas 2 meses. Em agosto de 2000 e de novo em janeiro de 2001, parecia ter recuperado quase tudo, mas continuou em tendência de queda até outubro de 2002, só voltando ao patamar pré-bolha em 2003 (veja gráfico).Mas, cada caso é um caso. A história vai se repetir, mas nunca da mesma maneira.

O paradoxo da escolha

Passeava de carro por São Paulo hoje, com minha namorada e um amigo, tentando escolher um bairro no qual morar. Na Aclimação, demos de cara com um restaurante coreano, e decidimos almoçar por ali mesmo. A comida estava boa, e comentamos como é ótimo morar em uma metrópole que permite esse tipo de surpresa agradável. Finda a refeição, o garçom nos trouxe um menu de cafés, com pelo menos umas dez variedades. Passamos uns cinco minutos tentando escolher qual café queríamos, como se soubéssemos interpretar  os refinados e distintos toques de cada variedade, descritos em mini-textos pseudo-sofisticados, ou sequer nos importássemos com isso. Meu amigo abdicou do seu direito de escolha, alegando que não gosta de escolher.  No final, eu gostei mais do café deles do que do meu. Comentamos sobre a inconveniência que traz um número grande de escolhas, sem perceber que tínhamos acabado de enaltecer tal qualidade na cidade de São Paulo.

Mas aqui há uma diferença: achamos o restaurante coreano por acaso. Se tivéssemos de ter feito uma escolha consciente de um restaurante, pensando em que tipo de comida nos deixaria mais satisfeitos, levando em consideração o preço, a localização e sabe lá quais outros atributos, é provável que tivéssemos demorado muito para escolher, e terminado levemente decepcionados com a escolha.

No mundo ocidental industrializado, há uma suposição basal de que liberdade individual é boa, e quando os indivíduos são livres para fazer suas escolhas, o resultado final é um aumento no bem-estar geral da sociedade. A maneira de aumentar a liberdade individual é aumentando o número de escolhas. Essas ideias são expressadas na palestra abaixo, de Barry Schwartz, sobre o paradoxo da escolha. Barry alega (e eu concordo) que o número de escolhas tem um limite (que ultrapassamos há muito tempo), além do qual é prejudicial. O motivo é que, se há poucas escolhas, nossas expectativas são menores, e é menos provável que nos decepcionemos. Abaixo, a palestra de Barry no TED.