Momentum

Reportagens na Economist sobre o chamado efeito de momento (ou momentum) nos mercados de capitais:

http://www.economist.com/node/17851295?story_id=17851295

http://www.economist.com/node/17848665

Na literatura acadêmica, o efeito (ou anomalia) de momentum nos mercados de capitaise refere-se ao fenômeno de continuação de tendências de curto prazo nos preços de ações. Quando ações são ordenadas pelo retorno acumulado em um intervalo de alguns meses até um ano, as ações ganhadoras, que tiveram maior retorno neste intervalo, tendem a continuar ganhando nos próximos meses, enquanto as perdedoras, que tiveram o pior retorno no período de ordenamento, tendem a continuar performando mal. Um investidor poderia formar uma carteira caixa-neutra, comprando as ganhadoras e vendendo as perdedoras. Nos mercados desenvolvidos (EUA/Europa), essa estratégia  geraria um retorno da ordem de 10% anualizado, o que é bem alto para o padrão de lá. No Brasil, creio que essa estratégia não funciona tão bem.

O fenômeno de momentum é um desafio para a teoria de finanças, particularmente a visão do mercado eficiente, segundo a qual os preços em qualquer momento refletem toda a informação disponível, e qualquer informação nova é assimilada imediatamente. Se as ações que mais subiram nos últimos 6 meses, por exemplo, sempre performassem melhor nos próximos meses, a teoria diz que os investidores começariam a comprá-las sempre um pouco antes, para explorar a arbitragem, até que a anomalia desaparecesse. Mas isso não aconteceu. O retorno da estratégia também não pode ser explicado por argumentos de risco, nem (completamente) por fricções no mercado como custos operacionais.

No meu artigo de 2008, descobri que a estratégia não dava retornos ajustados a risco significantes após a explosão da bolha da internet em 2000 (os dados do artigo vão até 2006). Preciso atualizá-lo para ver o que acontece no período mais recente, que contém a explosão de outra bolha. O que me falta é tempo.

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