O beco sem saída de Wall Street

Opinião interessante de Felix Salmon no NYT sobre a (falta de) relevância, dos mercados de ações nos EUA. O ponto levantado por Felix é de que, atualmente, apenas as empresas mais antigas tem alguma vantagem em estarem listadas nas bolsas de lá. As empresas novas e dinâmicas, como Facebook, Twitter etc, tem captado recursos de maneira privada, e apenas os membros de uma elite super-rica tem condições de investir nelas. As empresas tem menos dores de cabeça, pois não precisam seguir as inúmeras regras ditadas pela SEC (a CVM dos EUA), e podem focar mais no negócio ao invés de focar em relatórios de resultados e reuniões com acionistas.

Ao mesmo tempo, o que é dito ser a função principal do mercado – alocar capital eficientemente entre os projetos na sociedade – não parece ser comprido. Empresas como Apple tem um caixa monstruoso – dinheiro que está essencialmente parado. Esse dinheiro poderia ser distribuído aos acionistas na forma de dividendos. Porém, isso geraria custos fiscais aos acionistas, e de captação para a empresa, caso precise levantar capital novamente (o que está longe de ser o caso da Apple) . O mercado de ações teria virado, nos EUA, um lugar onde especuladores e algoritmos se encontram, para decidir quem consegue obter mais lucro.

No Brasil, vejo uma situação ainda muito incipiente. Nossa economia está expandindo, e poucas empresas tem capital aberto, ou seja, ainda há muito espaço para o mercado de ações crescer. Além disso, emitir equity ainda parece ser uma maneira comparativamente barata de levantar capital por aqui, dadas as taxas de juros elevadas.

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