Estratégias de baixa volatilidade – 2013

O ano de 2013 foi péssimo para o mercado de ações brasileiro. O IBOVESPA fechou o ano com quase 20% de desvalorização. Em um mercado deste tipo, é muito difícil qualquer estratégia long-only (ou seja, apenas comprada) performar bem. Vamos ver como as estratégias de baixa volatilidade se saíram. Relembrando, as estratégias são as seguintes:

  • Carteira de Variância Mínima – a carteira com o menos risco (volatilidade) possível, obtida através de um algoritmo de otimização (ver este post e também este artigo);
  • Carteira com ações de menor volatilidade – uma carteira que divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor volatilidade;
  • Carteira com ações de menor beta– uma carteira que divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente e, para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. Aproveitando o último post sobre a estratégia de momentum, vou incluir também os resultados desta carteira, a qual é construída dividindo igualmente o capital entre as 20 ações com melhor desempenho nos últimos 6 meses.

A tabela abaixo apresenta os resultados das carteiras para o ano de 2013. Conforme esperado em um ano de desempenho ruim para o mercado de ações como um todo, as estratégias não performaram muito bem em termos absolutos, ficando todas abaixo do CDI. A carteira de variância mínima apresentou uma perda de -2.4% no ano, enquanto a carteira com as 20 ações de menor volatilidade teve um retorno positivo de 1.3%. A carteira com as ações de menor beta ficou praticamente no zero-a-zero. A estratégia de momentum teve o melhor desempenho e entregou 3% de retorno no ano.

 

Statistics Variância Mínima Menor Volatilidade Menor Beta Momentum IBOVESPA CDI
CAGR (%) -2.42 1.3 -0.09 3.01 -19.92 7.78
Volatility (%) 10.38 11.05 10.5 12.83 20.25  
Downside Vol. (%) 6.94 7.26 6.89 8.51 13.09  
Sharpe Ratio -0.98 -0.59 -0.75 -0.37 -1.37  
Sortino Ratio -1.47 -0.9 -1.15 -0.56 -2.12  
Maximum Drawdown (%) 13.66 13.76 13.34 12.29 28.85  
Worst Month (%) -6.56 -5.27 -6.38 -6.93 -11.31  
Beta 0.38 0.39 0.33 0.43 1  
Correlation Benchmark 0.75 0.72 0.64 0.68 1  
% Positive Months 50.99 50.2 49.41 51.38 46.64  
Average VaR (%) 1.55 1.66 1.53 1.93 3.1

Em termos relativos, considerando que todas as carteiras alocam 100% dos recursos em ações, podemos dizer que qualquer uma destas opções teria sido excelente, quando comparadas a alternativa de investir no IBOVESPA ou em fundos atrelados ao índice. Enquanto o IBOVESPA perdeu quase 20%, com volatilidade também de 20%, as carteiras de baixa volatilidade tiveram ganhos modestos ou perdas pequenas, com um risco bem menor, o que é evidenciado pela volatilidade (praticamente a metade da do IBOVESPA). Outro indicador favorável é o drawdown máximo do ano. O IBOVESPA chegou as estar perdendo quase 30% no ano, enquanto para as demais carteiras, o drawdown máximo foi da ordem de 13%. Outra medida de risco, o VaR (Value-at-Risk) médio das carteiras, também é da ordem de metade do VaR médio do IBOVESPA.

O ano de 2014 não é muito favorável para o mercado de ações brasileiro, devido à conjuntura dos mercados externos, aliada à fatores negativos no cenário interno do país . O taper do programa de compra de ativos do Fed norte-americano sinaliza aumento das taxas de juros, o que torna o investimento em mercados emergentes menos atraente para os investidores externos. A fuga de capital cria uma pressão negativa nos preços dos ativos de risco brasileiros. Internamente, o baixo crescimento do país e a resposta do governo sinalizam baixo crescimento futuro e já se fala abertamente de um downgrade do rating de crédito do Brasil, o que aceleraria a pressão negativa externa.

Nestes cenário pessimista, é muito difícil manter dinheiro no mercado de ações brasileiro, seja em fundos atrelados ao IBOVESPA ou em ações individuais. Eu manteria uma alocação baixa em alguma das estratégias de baixa volatilidade, momentum ou uma combinação das duas. Isto traz alguma exposição ao mercado de ações, com a proteção inerente à estas estratégias em cenários de crise, conforme vimos em 2013.

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2 comentários sobre “Estratégias de baixa volatilidade – 2013

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