Não seja um stock picker (ou a importância da skewness)

Matéria interessante na Bloomberg sobre o impacto da skewness (medida estatística de assimetria) na gestão ativa. 

Muito já foi escrito sobre o fato de que a maioria dos gestores ativos (ou seja, que tentam gerar retornos superiores através da seleção de ações) não conseguem superar os seus benchmarks. Em geral, é ressaltado o fato de que os custos maiores dos fundos ativos em relação aos passivos (que simplesmente replicam o benchmark) tornam mais difícil a um gestor ativo superar o benchmark após custos. De fato, a observação de Sharpe demonstra matematicamente que, na média, o retorno médio da gestão ativa, após custos, é inferior ao da gestão passiva.

O artigo mencionado na matéria da Bloomberg mostra que a skewness, ou assimetria, nos retornos dos ativos, torna a tarefa do gestor ativo mais difícil ainda. Devido ao fato de que o mercado acaba sendo dominado por alguns ativos com retornos muito altos (skewness positiva), se um gestor ativo desvia muito do mercado e não inclui estes ativos, a probabilidade de ele performar abaixo do benchmark é alta. Os autores mostram este efeito através de uma simulação simples. O artigo é curto e vale a pena ler.

Obviamente, isto não significa que não existam gestores ativos que conseguem consistentemente bater seus benchmarks, porém, o estudo mostra que a gestão ativa é ainda mais difícil do que se pensava, pois além dos custos mais altos, a assimetria cria um obstáculo natural.

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3 comentários sobre “Não seja um stock picker (ou a importância da skewness)

  1. Esse mesmo conceito vale para o investidor individual? Pq quem quer montar uma carteira de dividendos aqui no BR acaba caindo sempre nas mesmas. Sei que no SP500 as opções são maiores mas mesmo assim queria saber se o buy n holder sardinha tbm costuma perder no LP pro indice.

    • No Brasil o mercado é pequeno e creio que menos eficiente. O índice mais comum (IBOVESPA) é muito viesado para as grandes empresas, que por sua vez estão muito ligadas ao governo. É fácil encontrar (ex-post) estratégias que superam o IBOV (low vol, value, dividendos), agora, fazer isto em real time pagando os custos de um fundo ativo é outra história. Para um investidor individual que está disposto a dedicar tempo à gestão da carteira, eu acho possível sim, mas para 99% das pessoas, melhor ser passivo e comprar um ETF barato.

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