Dinheiro de helicóptero

Enquanto no Brasil as taxas de juros continuam altíssimas, nos países ricos ocorre o contrário. Diversos países possuem taxas de juros negativas há algum tempo. Ou seja, você paga pelo privilégio de emprestar dinheiro ao banco ou ao governo. Veja no gráfico abaixo as curvas de juros soberanos do Japão (vermelho), Reino Unido (laranja), Suíca (azul escuro), Alemanha (amarelo), Suécia (azul claro), EUA (verde) e Dinamarca (roxo). A linha branca é o zero. Vemos que, com exceção de EUA e Reino Unido, os demais países possuem taxas de juros soberanas negativas para diversas maturidades.

Curvas de juros soberanos, países ricos

Curvas de juros soberanos, países ricos

Os motivos são complexos, mas de uma forma geral podemos dizer que, após a crise de 2008, os bancos centrais se viram forçados a baixar os juros para estimular a economia. A premissa central é que o dinheiro mais barato estimularia o investimento e o consumo, gerando uma inflação saudável e “restartando” a economia. O problema é que a política monetária é um instrumento limitado, especialmente quando chegamos perto do zero. Os bancos centrais em diversos países (EUA, Reino Unido, Japão) então passaram a utilizar instrumentos monetários mais inovadores, como o chamado quantitative easing ou QE. Muitos no mercado alertaram que o QE era equivalente a imprimir dinheiro e que isto levaria o risco de hiperinflação. Porém, não só não houve aumento da inflação, como as economias continuaram deprimidas, algumas com deflação ou risco significante de deflação. Isto é esperado do ponto de vista do funcionamento operacional do QE, que basicamente é uma troca de ativos entre o banco central e o setor privado (o banco central retira títulos do setor privado e credita as contas dos participantes com reservas ou dinheiro eletrônico)*.  As reservas adicionais nas contas dos bancos não resultaram em aumentos significativos do crédito, uma vez que os bancos não decidem emprestar com base na quantidade de reservas, e sim com base no seu apetite ao risco e restrições de capital.

Isto nos traz à discussão que está ocorrendo agora, de utilizar o chamado helicopter money, uma ideia proposta originalmente por Milton Friedman. A ideia é que, se toda a população recebesse uma certa quantidade  de dinheiro, e (importante!) a expectativa da população fosse de que isto nunca mais ocorreria, as pessoas gastariam esse dinheiro inesperado, gerando um aumento na demanda. Esta ideia parece maluca, mas está sendo discutida de maneira séria em vários veículos (Financial Times, Economist, Bloomberg) e por economistas famosos como Paul Krugman.

HelicopterMoneyA ideia é simples, porém não há consenso sobre como ela poderia ser implementada (a alternativa mais razoável parece ser através de uma redução ou rebate em algum imposto). Porém, como coloca Krugman, é impossível saber quais seriam as expectativas ao testar esta política sem precedentes.

A conclusão a que chego: ainda não vimos o fim da crise que começou em 2008, e a ideia de usar um mecanismo como o helicopter money coloca sérias dúvidas sobre o funcionamento da economia mundial, e sobre a eficácia da política monetária de maneira geral.

Em tempo, para quem ficou curioso, veja abaixo o gráfico das curvas de juros, com a inclusão do Brasil (curva em reais) 🙂

Curvas de juros soberanos, países ricos + Brasil

Curvas de juros soberanos, países ricos + Brasil

* Recomendo o blog do Cullen Roche e este artigo para entender a dinâmica do QE.

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IBOV em dólares está no nível mais baixo desde a crise de 2008

Post rápido! O índice IBOVESPA, medido em dólares, está no nível mais baixo desde a crise de 2008.

ibov_USD

Entrevista com Mohamed El-Erian

Entrevista interessante com El-Erian, ex-CEO/CIO da Pimco. El-Erian Acredita que estamos próximos de uma bolha nos mercados deenvolvidos, devido às ações dos bancos centrais nos países desenvolvidos:

Q. Where is your money? Stocks? Treasuries? Bonds?

A. It is mostly concentrated in cash. That’s not great, given that it gets eaten up by inflation. But I think most asset prices have been pushed by central banks to very elevated levels.

Q. So we’re nearing a bubble?

A. Go back to central banks. Central banks look at growth, at employment, at wages. They are too low. They don’t have the instruments they need, but they feel obliged to do something. So they artificially lift asset prices by maintaining zero interest rates and by using their balance sheet to buy assets.

Why? Because they hope that they will trigger what’s called the wealth effect. That you will open your 401k, see it has gone up in price, and you’ll spend. And that companies will see their shares are going up and they will be more willing to invest. But there is a massive gap right now between asset prices and fundamentals.

Desempenho das estratégias em 2014

O ano de 2014 terminou e foi mais um ano ruim para o mercado de ações brasileiro. Apesar de ter passado boa parte do ano com lucro, o IBOVESPA terminou o ano ligeiramente negativo, porém bem melhor que em 2013, quando o índice perdeu quase 20%. Naquele ano, as estratégias quantitativas que temos discutido aqui no blog se saíram bem e teriam ajudado um investidor a proteger seu patrimônio. Vamos ver como elas se saíram em 2014?

Relembrando, as estratégias são as seguintes:

  • Variância Mínima – a estratégia consiste em montar a carteira com o menor risco (volatilidade) possível, através da otimização de Markowitz (ver este post e também este artigo);
  • Baixa volatilidade – divide o capital igualmente entre as 20 ações com a menor volatilidade;
  • Baixo beta – divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).
  • Momentum – divide o capital igualmente entre as 20 ações com maior retorno nos últimos 6 meses.

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente e, para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. O resultado abaixo apresenta apenas o ano de 2014.

Desempenho das estratégias em 2014

O gráfico abaixo apresenta o retorno das estratégias, do IBOVESPA e do CDI em 2014. Vemos que todas as estratégias, assim como o IBOVESPA, ficaram abaixo do CDI no ano. Porém, enquanto o IBOVESPA apresentou perda de -0,65% no ano, todas as estratégias tiveram retorno positivo. Em particular, a estratégia bem simples de comprar as ações de baixa volatilidade terminou o ano com valorização de 7,56%.

Retorno anual

Retorno anual

 

Em termos de volatilidade, vemos no gráfico abaixo que as estratégias tiveram variações menores do que o IBOVESPA. A volatilidade anual do IBOVESPA ficou em quase 25%, enquanto as estratégias tiveram volatilidades entre 14% e 21%. A volatilidade da estratégia de comprar as 20 ações de menor volatilidade foi 25% menor do que a do IBOVESPA, o que é impressionante, considerando o pequeno número de ações na carteira. A estratégia que minimiza a volatilidade da carteira teve volatilidade ainda menor, de 14%.

Volatilidade anual

Volatilidade anual

Finalmente, a perda máxima (maximum drawdown) das estratégias em 2014 foi, com exceção da estratégia de momentum, muito inferior à do índice. O IBOVESPA chegou a estar perdendo 24% em relação ao seu pico no ano. A estratégia de momentum também apresentou perda similar. As estratégias mais conservadoras, por outro lado, tiveram desvalorização máxima com relação às suas máximas no ano da ordem de 14 a 15%, o que confirma sua importância na proteção do capital em momentos de crise.

Perda Máxima

Perda Máxima

O gráfico abaixo apresenta o retorno acumulado das estratégias, do IBOVESPA e do CDI.

EQUITY

 

A tabela abaixo apresenta todas as métricas de desempenho das estratégias, do IBOVESPA e do CDI. Note que não fiz comparações do índice de Sharpe e Sortino, dado que as estratégias ficaram abaixo do CDI.

Acompanhamos aqui no blog, em tempo real, o desempenho de estratégias simples e mecânicas para montar carteiras que não só tiveram desempenho superior ao do mercado como um todo, como também risco bem menor.  Em 2013, ano em que o IBOVESPA perdeu quase 20%, as estratégias de baixa volatilidade teriam ajudado o investidor a preservar seu patrimônio. Em 2014, o mercado não foi bom, porém as estratégias conseguiram retornos positivos. Vamos ver o que 2015 reserva!

Métrica Variância Mínima Menor Volatilidade Menor Beta Momentum IBOVESPA CDI
CAGR (%) 1.51 7.56 1.73 2.67 -0.65 10.46
Volatilidade (%) 14.26 18.47 15.2 21.36 24.94
Vol.Downside (%) 8.92 11.67 9.44 14.1 15.19
Índice de Sharpe -0.63 -0.16 -0.58 -0.37 -0.45
Índice de Sortino -1.01 -0.25 -0.93 -0.55 -0.73
Perda Máxima (%) 14.13 14.71 15.74 23.75 24.05
Pior Mês (%) -7.22 -8.53 -7.75 -16.88 -11.7 0.76
Beta 0.46 0.69 0.47 0.76 1
Correlação IBOVESPA 0.81 0.93 0.78 0.89 1
% Meses Positivos 50.79 48.41 50.4 48.41 46.43 1
VaR Médio (%) 2.04 2.61 2.15 2.93 3.55

Estratégias de baixa volatilidade – 2013

O ano de 2013 foi péssimo para o mercado de ações brasileiro. O IBOVESPA fechou o ano com quase 20% de desvalorização. Em um mercado deste tipo, é muito difícil qualquer estratégia long-only (ou seja, apenas comprada) performar bem. Vamos ver como as estratégias de baixa volatilidade se saíram. Relembrando, as estratégias são as seguintes:

  • Carteira de Variância Mínima – a carteira com o menos risco (volatilidade) possível, obtida através de um algoritmo de otimização (ver este post e também este artigo);
  • Carteira com ações de menor volatilidade – uma carteira que divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor volatilidade;
  • Carteira com ações de menor beta– uma carteira que divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente e, para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. Aproveitando o último post sobre a estratégia de momentum, vou incluir também os resultados desta carteira, a qual é construída dividindo igualmente o capital entre as 20 ações com melhor desempenho nos últimos 6 meses.

A tabela abaixo apresenta os resultados das carteiras para o ano de 2013. Conforme esperado em um ano de desempenho ruim para o mercado de ações como um todo, as estratégias não performaram muito bem em termos absolutos, ficando todas abaixo do CDI. A carteira de variância mínima apresentou uma perda de -2.4% no ano, enquanto a carteira com as 20 ações de menor volatilidade teve um retorno positivo de 1.3%. A carteira com as ações de menor beta ficou praticamente no zero-a-zero. A estratégia de momentum teve o melhor desempenho e entregou 3% de retorno no ano.

 

Statistics Variância Mínima Menor Volatilidade Menor Beta Momentum IBOVESPA CDI
CAGR (%) -2.42 1.3 -0.09 3.01 -19.92 7.78
Volatility (%) 10.38 11.05 10.5 12.83 20.25  
Downside Vol. (%) 6.94 7.26 6.89 8.51 13.09  
Sharpe Ratio -0.98 -0.59 -0.75 -0.37 -1.37  
Sortino Ratio -1.47 -0.9 -1.15 -0.56 -2.12  
Maximum Drawdown (%) 13.66 13.76 13.34 12.29 28.85  
Worst Month (%) -6.56 -5.27 -6.38 -6.93 -11.31  
Beta 0.38 0.39 0.33 0.43 1  
Correlation Benchmark 0.75 0.72 0.64 0.68 1  
% Positive Months 50.99 50.2 49.41 51.38 46.64  
Average VaR (%) 1.55 1.66 1.53 1.93 3.1

Em termos relativos, considerando que todas as carteiras alocam 100% dos recursos em ações, podemos dizer que qualquer uma destas opções teria sido excelente, quando comparadas a alternativa de investir no IBOVESPA ou em fundos atrelados ao índice. Enquanto o IBOVESPA perdeu quase 20%, com volatilidade também de 20%, as carteiras de baixa volatilidade tiveram ganhos modestos ou perdas pequenas, com um risco bem menor, o que é evidenciado pela volatilidade (praticamente a metade da do IBOVESPA). Outro indicador favorável é o drawdown máximo do ano. O IBOVESPA chegou as estar perdendo quase 30% no ano, enquanto para as demais carteiras, o drawdown máximo foi da ordem de 13%. Outra medida de risco, o VaR (Value-at-Risk) médio das carteiras, também é da ordem de metade do VaR médio do IBOVESPA.

O ano de 2014 não é muito favorável para o mercado de ações brasileiro, devido à conjuntura dos mercados externos, aliada à fatores negativos no cenário interno do país . O taper do programa de compra de ativos do Fed norte-americano sinaliza aumento das taxas de juros, o que torna o investimento em mercados emergentes menos atraente para os investidores externos. A fuga de capital cria uma pressão negativa nos preços dos ativos de risco brasileiros. Internamente, o baixo crescimento do país e a resposta do governo sinalizam baixo crescimento futuro e já se fala abertamente de um downgrade do rating de crédito do Brasil, o que aceleraria a pressão negativa externa.

Nestes cenário pessimista, é muito difícil manter dinheiro no mercado de ações brasileiro, seja em fundos atrelados ao IBOVESPA ou em ações individuais. Eu manteria uma alocação baixa em alguma das estratégias de baixa volatilidade, momentum ou uma combinação das duas. Isto traz alguma exposição ao mercado de ações, com a proteção inerente à estas estratégias em cenários de crise, conforme vimos em 2013.

Estratégias de baixa volatilidade – Julho de 2013

A Carteira de Variância Mínima terminou junho com perda de 6%, exatamente a metade da desvalorização do IBOVESPA no mês. Outras carteiras formadas para ter baixo risco – com divisão igual do capital entre as ações com menor volatilidade ou beta – tiveram desempenhos similares. No ano, o IBOVESPA apresenta queda de quase 27%, enquanto estas carteiras tiveram perdas entre 6% e 9%.

CarteirasLowVol2013Jul

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente. Para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. As regras de construção das carteiras são as seguintes:

  • Carteira de Variância Mínima – a carteira com o menos risco (volatilidade) possível, obtida através de um algoritmo de otimização (ver este post e também este artigo);
  • Carteira com ações de menor volatilidade – uma carteira que divide o capital igualmente entre as ações com menor volatilidade;
  • Carteira com ações de menor beta- uma carteira que divide o capital igualmente entre as ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).

Seguem as composições das carteiras para julho de 2013.

 

Carteira de Variância Mínima -Portfolio Weights for Jul 2013
Code Name Sector Weight Price Shares Notional
ALSC3 ALIANSCE ON NM Financeiro e Outros 0.62 18.46 337.71 6234.21
AMBV3 AMBEV ON ES Consumo não Cíclico 2.58 81.2 317.97 25819.42
AMBV4 AMBEV PN ES . Consumo não Cíclico 3.71 81.64 454.5 37105.22
AMIL3 AMIL ON NM Consumo não Cíclico 5.04 32.2 1564.75 50384.84
ARTR3 ARTERIS ON NM Construção e Transporte 5.42 19.55 2770.07 54154.83
AUTM3 AUTOMETAL ON NM Bens Industriais 0.97 17.52 552.65 9682.44
BEEF3 MINERVA ON NM Consumo não Cíclico 0.11 9.89 113.47 1122.19
BPNM4 PANAMERICANOPN N1 Financeiro e Outros 0.76 5.1 1494.21 7620.47
BRFS3 BRF FOODS ON NM. Consumo não Cíclico 0.5 47.3 104.69 4952.03
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 9.66 47.7 2025.29 96606.37
CIEL3 CIELO ON NM. Financeiro e Outros 6.26 55.09 1136.28 62597.8
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 3.76 39 964.65 37621.46
CRUZ3 SOUZA CRUZ ON . Consumo não Cíclico 1.36 27.52 495.5 13636.15
CTIP3 CETIP ON NM. Financeiro e Outros 2.17 22.9 949.21 21736.89
ECOR3 ECORODOVIAS ON NM Construção e Transporte 4.24 14.82 2863.83 42442.03
ENBR3 ENERGIAS BR ON NM. Utilidade Pública 1.04 10.97 945.93 10376.86
EQTL3 EQUATORIAL ON NM Utilidade Pública 7.19 17.7 4062.73 71910.3
FLRY3 FLEURY ON NM Consumo não Cíclico 6.67 18.2 3666.65 66733.03
GETI3 AES TIETE ON Utilidade Pública 2.83 19.8 1430.37 28321.25
GETI4 AES TIETE PN Utilidade Pública 1.69 20.97 805.73 16896.16
GRND3 GRENDENE ON NM Consumo Cíclico 5.01 20.2 2480.12 50098.43
IMCH3 IMC HOLDINGSON NM Consumo Cíclico 3.3 19.3 1711.71 33035.97
LEVE3 METAL LEVE ON NM Bens Industriais 1.69 23.6 714.47 16861.39
MDIA3 M.DIASBRANCOON NM Consumo não Cíclico 0.72 83.15 86.84 7220.62
MPLU3 MULTIPLUS ON NM Consumo Cíclico 2.23 30.92 719.73 22253.91
NATU3 NATURA ON NM. Consumo não Cíclico 2.87 46.8 613.67 28719.61
ODPV3 ODONTOPREV ON NM Consumo não Cíclico 2.5 9.15 2730.24 24981.73
SMTO3 SAO MARTINHOON NM Consumo não Cíclico 3.83 24.3 1576.16 38300.61
TBLE3 TRACTEBEL ON NM Utilidade Pública 7.81 34.42 2267.96 78063.34
TOTS3 TOTVS ON NM Tecnologia da Informação 0.24 34.8 69.72 2426.16
TRPL4 TRAN PAULISTPN N1. Utilidade Pública 1.36 34.2 398.16 13616.97
VIVT4 TELEF BRASILPN . Telecomunicações 0.78 48.36 161.46 7808.13
VLID3 VALID ON NM Bens Industriais 1.07 31.06 342.98 10653.08

 

Carteira com ações de menor volatilidade – Portfolio Weights for Jul 2013
Code Name Sector Weight Price Shares Notional
ALSC3 ALIANSCE ON NM Financeiro e Outros 3.7 18.46 2006.34 37037.04
AMBV3 AMBEV ON ES Consumo não Cíclico 3.7 81.2 456.12 37037.04
AMBV4 AMBEV PN ES . Consumo não Cíclico 3.7 81.64 453.66 37037.04
ARTR3 ARTERIS ON NM Construção e Transporte 3.7 19.55 1894.48 37037.04
BBDC4 BRADESCO PN EDJ N1. Financeiro e Outros 3.7 27.32 1355.67 37037.04
BRFS3 BRF FOODS ON NM. Consumo não Cíclico 3.7 47.3 783.02 37037.04
CCRO3 CCR SA ON NM. Construção e Transporte 3.7 16.7 2217.79 37037.04
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 3.7 47.7 776.46 37037.04
CIEL3 CIELO ON NM. Financeiro e Outros 3.7 55.09 672.3 37037.04
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 3.7 39 949.67 37037.04
CPFE3 CPFL ENERGIAON NM. Utilidade Pública 3.7 20.39 1816.43 37037.04
CRUZ3 SOUZA CRUZ ON . Consumo não Cíclico 3.7 27.52 1345.82 37037.04
CSAN3 COSAN ON NM. Consumo não Cíclico 3.7 42.31 875.37 37037.04
ECOR3 ECORODOVIAS ON NM Construção e Transporte 3.7 14.82 2499.13 37037.04
ENBR3 ENERGIAS BR ON NM. Utilidade Pública 3.7 10.97 3376.21 37037.04
EQTL3 EQUATORIAL ON NM Utilidade Pública 3.7 17.7 2092.49 37037.04
FLRY3 FLEURY ON NM Consumo não Cíclico 3.7 18.2 2035 37037.04
GETI3 AES TIETE ON Utilidade Pública 3.7 19.8 1870.56 37037.04
GETI4 AES TIETE PN Utilidade Pública 3.7 20.97 1766.19 37037.04
GRND3 GRENDENE ON NM Consumo Cíclico 3.7 20.2 1833.52 37037.04
MDIA3 M.DIASBRANCOON NM Consumo não Cíclico 3.7 83.15 445.42 37037.04
MULT3 MULTIPLAN ON N2 Financeiro e Outros 3.7 50.52 733.12 37037.04
PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN N1. Consumo não Cíclico 3.7 95.01 389.82 37037.04
PSSA3 PORTO SEGUROON NM Financeiro e Outros 3.7 23.43 1580.75 37037.04
TBLE3 TRACTEBEL ON NM Utilidade Pública 3.7 34.42 1076.03 37037.04
UGPA3 ULTRAPAR ON NM. Financeiro e Outros 3.7 52.39 706.95 37037.04
VIVT4 TELEF BRASILPN . Telecomunicações 3.7 48.36 765.86 37037.04

 

Carteira com ações de menor beta – Portfolio Weights for Jul 2013
Code Name Sector Weight Price Shares Notional
AMBV3 AMBEV ON ES Consumo não Cíclico 3.7 81.2 456.12 37037.04
AMBV4 AMBEV PN ES . Consumo não Cíclico 3.7 81.64 453.66 37037.04
AMIL3 AMIL ON NM Consumo não Cíclico 3.7 32.2 1150.22 37037.04
ARTR3 ARTERIS ON NM Construção e Transporte 3.7 19.55 1894.48 37037.04
AUTM3 AUTOMETAL ON NM Bens Industriais 3.7 17.52 2113.99 37037.04
CCRO3 CCR SA ON NM. Construção e Transporte 3.7 16.7 2217.79 37037.04
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 3.7 47.7 776.46 37037.04
CIEL3 CIELO ON NM. Financeiro e Outros 3.7 55.09 672.3 37037.04
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 3.7 39 949.67 37037.04
CRUZ3 SOUZA CRUZ ON . Consumo não Cíclico 3.7 27.52 1345.82 37037.04
ECOR3 ECORODOVIAS ON NM Construção e Transporte 3.7 14.82 2499.13 37037.04
ENBR3 ENERGIAS BR ON NM. Utilidade Pública 3.7 10.97 3376.21 37037.04
EQTL3 EQUATORIAL ON NM Utilidade Pública 3.7 17.7 2092.49 37037.04
FLRY3 FLEURY ON NM Consumo não Cíclico 3.7 18.2 2035 37037.04
GETI3 AES TIETE ON Utilidade Pública 3.7 19.8 1870.56 37037.04
GETI4 AES TIETE PN Utilidade Pública 3.7 20.97 1766.19 37037.04
GRND3 GRENDENE ON NM Consumo Cíclico 3.7 20.2 1833.52 37037.04
IMCH3 IMC HOLDINGSON NM Consumo Cíclico 3.7 19.3 1919.02 37037.04
LEVE3 METAL LEVE ON NM Bens Industriais 3.7 23.6 1569.37 37037.04
MPLU3 MULTIPLUS ON NM Consumo Cíclico 3.7 30.92 1197.83 37037.04
ODPV3 ODONTOPREV ON NM Consumo não Cíclico 3.7 9.15 4047.76 37037.04
SMTO3 SAO MARTINHOON NM Consumo não Cíclico 3.7 24.3 1524.16 37037.04
TBLE3 TRACTEBEL ON NM Utilidade Pública 3.7 34.42 1076.03 37037.04
TGMA3 TEGMA ON NM Construção e Transporte 3.7 23.98 1544.5 37037.04
TOTS3 TOTVS ON NM Tecnologia da Informação 3.7 34.8 1064.28 37037.04
TRPL4 TRAN PAULISTPN N1. Utilidade Pública 3.7 34.2 1082.95 37037.04
VLID3 VALID ON NM Bens Industriais 3.7 31.06 1192.44 37037.04

Ações de maior e menor risco da BM&F BOVESPA

Aproveitando o embalo do post anterior, seguem as 10 ações com maior e menor volatilidade da BOVESPA em 19 de junho de 2013. Em tempo, nos últimos 20 dias úteis, apenas 6 ações com liquidez razoável tiveram retorno positivo: Embraer (EMBR3), Fibria (FIBR3), Multiplus (MPLUS3), IOCHP-MAXION (MYPK3), Suzano (SUZB5) e Minerva (BEEF3).

 

10 ações com menor volatilidade

Table10LowestVolsJun2013

10 ações com maior volatilidade

Table10HighestVolsJun2013

Perder os melhores dias do mercado

Vi um gráfico interessante compartilhado por um amigo no Facebook, comparando o retorno total do S&P entre 1980 e 2012 se o investidor tivesse ficado comprado todos os dias, e se tivesse perdido os 5, 10, 30 e 50 melhores dias do mercado. O gráfico é este:

MissWorstDaysS&P

O gráfico sugere que ficar fora do mercado pode custar caro, porque podemos perder os dias com os melhores retornos. Decidi replicar para o IBOVESPA. Usei dados entre 1/jan/1997 e 22/05/2013 (escolha arbitrária…não confio muito em dados históricos do mercado brasileiro muito antigos). Aqui está o resultado:

CumRetIBOV

Remover os melhores dias do mercado tem um impacto muito grande no retorno acumulado. Como a volatilidade do IBOVESPA é muito maior do que a do S&P (no período 1997-2013, vol do IBOV ~ 35%, vol do S&P ~21%), o impacto é bem maior no IBOVESPA.

Porém, este teste hipotético possui uma premissa bem peculiar: o investidor fica de fora exatamente nos melhores dias. Tudo bem que market timing é uma coisa difícil e que os estudos mostram que os investidores tendem a sair e entrar no mercado nos momentos errados, mas perder exatamente os melhores dias é exagerado. E se invertêssemos a lógica? O que aconteceria com um investidor que tivesse a capacidade de ficar de fora justamente nos piores dias do mercado? Devido ao efeito de composição das perdas e ganhos, ele teria um desempenho miraculoso (note que a primeira barra tem o mesmo valor nos dois gráficos):

CumRetIBOVWorst

O efeito de composição significa que perder 50% e depois ganhar 50% não retorna o investimento ao mesmo valor. Por exemplo, se tenho R$10,000 e perco 50%, fico com R$5,000. Se ganhar mais 50% vou para R$7.500 e ainda estou perdendo 25% em relação ao valor original. Podemos argumentar então que ficar fora do mercado em dias muito ruins pode ser melhor do que deixar estar no mercado nos melhores dias.

A discussão toda, é claro, parte da premissa de um sistema de market timing perfeito.  Considerando que retornos extremos tendem a ocorrer próximos uns dos outros (efeito de conglomerados de volatilidade), construir um sistema que evita só os retornos negativos é impossível. Porém, períodos de volatilidade extrema geralmente são ruins no agregado, ou seja, detectar tais períodos e ficar de fora deles pode ser valioso.

Tem-se falado bastante sobre sistemas de alocação tática usando médias móveis para determinar quando entrar ou sair de uma classe de ativos (coisas à la Ivy Portfolio e Mebane Faber). Regras muito simples parecem funcionar. O gráfico abaixo apresenta uma estratégia que alterna entre IBOVESPA e CDI, mudando para o CDI quando o IBOVESPA está abaixo da média móvel de 120 dias (a janela foi totalmente chutada, outras até mais curtas funcionam melhor ainda). A estratégia tem um retorno acumulado bem maior do que o do IBOV, com um drawdown máximo praticamente metade (drawdown da estratégia ~31%, drawdown do IBOVESPA ~60%). Teríamos ficado de fora em períodos turbulentos como parte da crise de 2008 . O teste não inclui custos operacionais, pode-se argumentar ad nauseam sobre o tamanho da janela etc…Porém se algo tão ridiculamente simples parece ajudar bastante, acho que existe esperança para a ideia de tentar entrar e sair do mercado de maneira tática.

 

TesteSMAIBOV

Seguem algumas estatísticas para não ficar só no gráfico:

TesteSMAIBOV_table

Como ponto final e, citando Game of Thrones, “Palavras são vento”. Nenhuma quantidade de backtests substituirá desenvolver e usar um sistema na prática, com dinheiro em jogo. Olhar o gráfico é uma coisa; tomar o drawdown e ver seu dinheirinho desaparecendo é outra. Finalmente, vale sempre o nosso velho e bom disclaimer.

Pirâmide do ECB/Grécia e outros

Neste link uma newsletter muito interessante da Maudin Economics. Particularmente interessante a explicação sobre o que Maudin (e outros) estão chamando de “esquema de Pirâmide” entre o ECB (European Central Bank) e os países europeus. Maudin toma como exemplo a Grécia. De maneira simplificada, funciona da seguinte maneira:

  • Para pagar o dinheiro que deve ao ECB, o governo da Grécia vende títulos (Treasury Bills), os quais são comprados, em sua maioria, por bancos domésticos gregos
  • Os bancos domésticos gregos recebem assistência emergencial de liquidez do Bank of Greece (BC grego), financiado pelo ECB, dando como colateral os títulos do governo grego
  • Com o dinheiro recebido, os bancos compram mais títulos do governo grego, que podem utilizar como colateral para emprestar mais dinheiro do ECB (através do Bank of Greece)

Ou seja, aparentemente os bancos domésticos da Grécia estão usando dinheiro do ECB para comprar títulos gregos, que servem de colateral para poderem continuar a tomar empréstimos do ECB. Ao mesmo tempo, o governo grego vende títulos para os bancos domésticos (financiados pelo ECB) para obter recursos e pagar o dinheiro que deve ao ECB.

Obviamente não é tão simples assim. Um esquema ajuda (clique para aumentar):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leiam o texto, vale a pena.

 

Nota

A miragem dos hedge funds

Hedge funds são ótimos…se você é gestor de um! É o que mostra a pesquisa de Simon Lack. Mesmo ele sendo o autor de um livro chamado Hedge Fund Mirage, tendo a concordar com ele, no seguinte sentido: na média, os hedge funds (ou mesmo qualquer fundo ativo) underperforma benchmarks relativamente simples. O “na média” é extremamente importante; o investidor do Renaissance ou do Quantum Fund do George Soros provavelmente discorda da proposição de Simon Lack, mesmo pagando taxas altíssimas. Entretanto, o fato de que a maioria dos hedge funds cobra 2 + 20 (2% de administração ao ano, mais 20% de performance acima de algum benchmark) faz com que seja extremamente difícil que o investidor médio saia ganhando. Imagem

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O segundo gráfico é particularmente esclarecedor. Ano-a-ano, o investidor não parece se sair tão mal….até 2008, quando ele perde tudo o que já tinha ganhado, enquanto os hedge funds ainda coletam sua taxa.

O ponto é: é muito difícil encontrar um hedge fund que valha os custos! Prova disso é que um amigo meu, que manufatura retornos de hedge funds estatisticamente, está se dando muito bem!