Brazil Stocks’ Biggest Driver Isn’t Impeachment Hype After Al

Artigo interessante mostrando que o maior driver das ações brasileiras continua sendo o preço das commodities, mesmo com o cenário de impeachment.

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Todas as ações da BOVESPA – Fev 2016

Update do post regular com algumas estatísticas das ações da BM&FBOVESPA, ordenadas por volatilidade.

Interessante notar a relação negativa entre volatilidade e beta e retornos realizados, o contrário do esperado de acordo com a teoria de finanças.

Vol vs Ret Fev2016

Beta vs Ret Fev2016

Ticker Nome Setor Volatilidade Beta Retorno 1 mês Retorno 1 ano
ABEV3 AMBEV SA ON Consumo não Cíclico 22.56% 0.58 11.10% 5.39%
CTIP3 CETIP ON Financeiro e Outros 23.19% 0.54 -0.63% 15.70%
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 23.91% 0.3 -0.82% -15.16%
EQTL3 EQUATORIAL ON Utilidade Pública 24.71% 0.52 8.97% 44.52%
WEGE3 WEG ON Bens Industriais 25.52% 0.3 -1.02% -8.10%
UGPA3 ULTRAPAR ON Financeiro e Outros 25.58% 0.76 8.66% 11.86%
LEVE3 METAL LEVE ON Bens Industriais 25.79% 0.21 0.21% 19.68%
BRFS3 BRF FOODS ON Consumo não Cíclico 26.19% 0.5 18.09% -13.66%
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 26.57% 0.27 26.15% 22.01%
ODPV3 ODONTOPREV ON Consumo não Cíclico 26.62% 0.4 10.57% 5.78%
MDIA3 MDIASBRANCOON Consumo não Cíclico 28.30% 0.44 6.47% -23.85%
TBLE3 TRACTEBEL ON Utilidade Pública 28.48% 0.73 14.45% 15.23%
EMBR3 EMBRAER ON Bens Industriais 28.49% 0.32 7.95% 15.47%
TRPL4 TRAN PAULISTPN Utilidade Pública 28.50% 0.5 10.80% 15.02%
VIVT4 TELEF BRASILPN Telecomunicações 28.71% 0.62 11.28% -27.31%
SSBR3 SIERRABRASILON Financeiro e Outros 29.11% 0.36 -6% -6.63%
TUPY3 TUPY ON Bens Industriais 29.96% 0.24 -8.11% 7.30%
CYRE3 CYRELA REALTON Construção e Transporte 29.97% 0.72 14.01% -25.73%
FLRY3 FLEURY ON Consumo não Cíclico 30.12% 0.31 7.25% 12.44%
CIEL3 CIELO ON Financeiro e Outros 30.20% 0.67 -1.23% -9.28%
ITUB3 ITAUUNIBANCOON ED Financeiro e Outros 30.33% 0.97 10.48% -16.36%
GUAR3 GUARARAPES ON Consumo Cíclico 30.45% 0.41 15.71% -43.71%
MULT3 MULTIPLAN ON Financeiro e Outros 30.79% 0.8 13.98% -11.93%
RADL3 RAIADROGASIL ON Consumo não Cíclico 30.79% 0.44 17.99% 68.44%
LREN3 LOJAS RENNERON INT Consumo Cíclico 30.80% 0.78 7.78% 13.56%
HYPE3 HYPERMARCAS ON Consumo não Cíclico 30.98% 0.68 13.79% 33.86%
LAME4 LOJAS AMERICPN Consumo Cíclico 31.19% 0.83 10.89% 21.30%
GRND3 GRENDENE ON Consumo Cíclico 31.35% 0.48 4.61% 8.88%
VLID3 VALID ON Bens Industriais 31.47% 0.42 10.15% -7.42%
KLBN4 KLABIN S/A PN Materiais Básicos 31.60% 0.42 1.38% 18.35%
ALSC3 ALIANSCE ON Financeiro e Outros 31.64% 0.79 1.42% -30.98%
PCAR4 PACUCAR-CBDPN Consumo não Cíclico 31.64% 0.8 28.29% -51.90%
ABCB4 ABC BRASIL PN Financeiro e Outros 31.65% 0.69 10.13% -19.82%
MPLU3 MULTIPLUS ON Consumo Cíclico 31.97% 0.37 -15.79% -16.90%
LAME3 LOJAS AMERIC ON Consumo Cíclico 32.04% 0.79 9.23% -4.96%
IGTA3 IGUATEMI ON Financeiro e Outros 32.18% 0.76 9.03% -17.46%
LINX3 LINX ON Tecnologia da Informação 32.25% 0.26 1.07% -3.50%
ITSA4 ITAUSA PN Financeiro e Outros 32.29% 1.12 7.76% -21.82%
SMTO3 SAO MARTINHOON Consumo não Cíclico 32.77% 0.49 3.01% 36.50%
RENT3 LOCALIZA ON Consumo Cíclico 33.56% 0.78 13.23% -30.72%
SLCE3 SLC AGRICOLAON Consumo não Cíclico 33.63% 0.25 11.51% 29.66%
FIBR3 FIBRIA ON Materiais Básicos 33.90% 0.07 -7.94% 17.52%
PSSA3 PORTO SEGUROON Financeiro e Outros 33.96% 0.56 10.35% -8.22%
ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED Financeiro e Outros 33.99% 1.2 10.89% -18.90%
TOTS3 TOTVS ON Tecnologia da Informação 34.20% 0.49 13.43% -6.72%
ALPA4 ALPARGATAS PN Consumo Cíclico 34.67% 0.45 3.90% 6.61%
EZTC3 EZTEC ON Construção e Transporte 34.69% 0.8 9.69% -12.60%
DTEX3 DURATEX ON Materiais Básicos 35.13% 0.82 30.90% -14.12%
SUZB5 SUZANO PAPELPNA INT Materiais Básicos 35.25% 0.06 2.27% 25.85%
BBDC3 BRADESCO ON EDJ Financeiro e Outros 35.49% 1.22 23.34% -20.83%
ARTR3 ARTERIS ON Construção e Transporte 35.65% 0.42 3.50% -12.44%
BEEF3 MINERVA ON Consumo não Cíclico 35.71% 0.53 4.13% 43.60%
CESP6 CESP PNB Utilidade Pública 35.92% 0.75 23.31% -23.63%
CSAN3 COSAN ON Consumo não Cíclico 36.05% 0.9 9.11% -5.17%
BBDC4 BRADESCO PN EDJ Financeiro e Outros 36.16% 1.29 20.61% -28.33%
ENBR3 ENERGIAS BR ON Utilidade Pública 36.25% 0.8 14.22% 47.11%
BVMF3 BMFBOVESPA ON Financeiro e Outros 36.48% 1.13 11.85% 23.08%
CPFE3 CPFL ENERGIAON Utilidade Pública 36.48% 0.99 16.35% -2.33%
NATU3 NATURA ON Consumo não Cíclico 36.61% 0.78 29.63% 1.03%
MYPK3 IOCHP-MAXION ON Bens Industriais 37.18% 0.52 -5.30% -13.91%
MRVE3 MRV ON Construção e Transporte 37.33% 0.87 17.09% 44.75%
SBSP3 SABESP ON Utilidade Pública 37.50% 0.82 18.62% 50.72%
MAGG3 MAGNESITA SAON Materiais Básicos 37.58% 0.34 11.82% 66.77%
ARZZ3 AREZZO CO ON Consumo Cíclico 37.85% 0.62 -3.56% -24.82%
CCRO3 CCR SA ON Construção e Transporte 38.19% 0.99 15.89% -18.45%
QUAL3 QUALICORP ON Consumo não Cíclico 38.46% 0.61 1.10% -40.43%
CPLE6 COPEL PNB Utilidade Pública 38.54% 0.98 27.89% -21.35%
AMAR3 LOJAS MARISA ON Consumo Cíclico 38.64% 0.47 57.53% -48.36%
JSLG3 JSL ON Construção e Transporte 38.73% 0.51 0% -33.68%
EVEN3 EVEN ON Construção e Transporte 38.83% 0.87 15.25% 10.63%
BRML3 BR MALLS PARON Financeiro e Outros 39.06% 1.12 19.26% -16.14%
CPLE3 COPEL ON Utilidade Pública 39.06% 0.87 23.67% -24.50%
TIMP3 TIM PART S/AON Telecomunicações 39.13% 0.65 6.65% -45.94%
TCSA3 TECNISA ON Construção e Transporte 39.18% 0.76 2.47% -27.83%
HGTX3 CIA HERING ON Consumo Cíclico 39.90% 0.65 14.53% -12.58%
RAPT4 RANDON PART PN Bens Industriais 40.12% 0.82 3.68% -52.59%
DIRR3 DIRECIONAL ON Construção e Transporte 42.27% 0.71 23.12% -26.89%
ECOR3 ECORODOVIAS ON Construção e Transporte 42.63% 0.95 28.82% -56.81%
BRPR3 BR PROPERT ON Financeiro e Outros 43.28% 0.72 10.65% -16.72%
BRKM5 BRASKEM PNA Materiais Básicos 43.64% 0.53 7.55% 113.49%
QGEP3 QGEP PART ON Petróleo 43.86% 0.81 -2.53% -33.21%
JHSF3 JHSF PART ON Construção e Transporte 44.45% 0.72 4.92% -38.16%
HBOR3 HELBOR ON Construção e Transporte 44.54% 0.7 8.61% -52.98%
LIGT3 LIGHT S/A ON Utilidade Pública 44.67% 0.87 34.46% -29.81%
ELET6 ELETROBRAS PNB Utilidade Pública 45.08% 1.07 19.95% 58.25%
VALE5 VALE PNA Materiais Básicos 45.29% 1.04 39.67% -48.52%
GFSA3 GAFISA ON Construção e Transporte 45.33% 1.08 15.91% 22.60%
POMO4 MARCOPOLO PN Bens Industriais 45.47% 0.66 2.01% -14.27%
GGBR4 GERDAU PN Materiais Básicos 45.65% 0.91 24.40% -58.33%
JBSS3 JBS ON Consumo não Cíclico 45.79% 0.91 11.37% -0.01%
GGBR3 GERDAU ON Materiais Básicos 46.22% 0.87 24.21% -60.89%
LPSB3 LOPES BRASILON Construção e Transporte 46.48% 0.5 -6.44% -61.10%
TGMA3 TEGMA ON Construção e Transporte 46.76% 0.59 16.14% -75.18%
BRSR6 BANRISUL PNB Financeiro e Outros 47.41% 1.01 29.08% -50.12%
CMIG4 CEMIG PN Utilidade Pública 47.89% 1.05 39.15% -45.81%
KEPL3 KEPLER WEBERON Bens Industriais 48.00% 0.47 -1.21% -61.34%
BRAP4 BRADESPAR PN Financeiro e Outros 48.48% 1.21 45.54% -63.42%
CMIG3 CEMIG ON Utilidade Pública 48.65% 0.96 34.75% -44.93%
BBRK3 BR BROKERS ON Construção e Transporte 48.78% 0.58 10.27% -42.09%
MRFG3 MARFRIG ON Consumo não Cíclico 48.84% 1.02 10.77% 33.61%
BBAS3 BRASIL ON Financeiro e Outros 48.92% 1.56 4.69% -38.16%
ELPL4 ELETROPAULO PN Utilidade Pública 49.16% 0.94 21.35% -3.35%
ELET3 ELETROBRAS PNA Utilidade Pública 49.41% 1.24 21.73% 20.34%
ESTC3 ESTACIO PARTON Consumo Cíclico 49.49% 0.75 14.91% -32.99%
KROT3 KROTON ON Consumo Cíclico 49.57% 0.96 23.26% -16.46%
VALE3 VALE ON Materiais Básicos 50.29% 1.18 45.51% -38.78%
PFRM3 PROFARMA ON Consumo não Cíclico 50.55% 0.36 29.53% -9.38%
VAGR3 V-AGRO ON Consumo não Cíclico 50.96% 0.26 15.53% -76.25%
BTOW3 B2W VAREJO ON Consumo Cíclico 53.41% 0.4 -13.34% -44.66%
GOAU4 GERDAU MET PN Materiais Básicos 54.41% 1.04 43.43% -86.97%
CSMG3 COPASA ON INT Utilidade Pública 55.68% 0.57 28.52% -20.27%
IDNT3 IDEIASNET ON Tecnologia da Informação 55.73% 0.14 5.65% 7.45%
SLED4 SARAIVA LIVRPN Consumo Cíclico 56.07% 0.49 38.41% -6.54%
PMAM3 PARANAPANEMAON Materiais Básicos 56.29% 0.84 15.28% -29.06%
USIM5 USIMINAS PNA Materiais Básicos 59.56% 0.94 -9% -77.52%
MILS3 MILLS ON Construção e Transporte 59.81% 0.76 9.44% -59.46%
PETR4 PETROBRAS PN Petróleo 60.36% 1.97 14.29% -47.88%
PETR3 PETROBRAS ON Petróleo 61.62% 2.01 19.32% -22.33%
LLIS3 LE LIS BLANCON Consumo Cíclico 62.49% 0.44 261.11% 0.70%
CSNA3 SID NACIONALON Materiais Básicos 64.19% 1.33 48.41% 1.09%
MGLU3 MAGAZ LUIZA ON Consumo Cíclico 68.78% 0.82 43.22% -63.58%
GOLL4 GOL PN Construção e Transporte 71.53% 1.32 70.69% -81.83%
LOGN3 LOG-IN ON Construção e Transporte 73.27% 0.37 6.94% -77.68%
OIBR4 OI PN Telecomunicações 76.13% 0.92 22% -71.85%
OIBR3 OI ON Telecomunicações 76.27% 0.85 5.05% -66.57%
BPHA3 BR PHARMA ON Consumo não Cíclico 77.08% 0.34 16.54% -89.89%
USIM3 USIMINAS ON Materiais Básicos 80.80% 0.83 -7.42% -79.85%
BRIN3 BR INSURANCEON Financeiro e Outros 81.66% 0.21 9.57% -60.70%
PDGR3 PDG REALT ON Construção e Transporte 90.73% 1.31 222.70% -73.15%
RSID3 ROSSI RESID ON Construção e Transporte 100.36% 1.33 95.65% -71.58%
TERI3 TEREOS ON Consumo não Cíclico 136.28% 0.36 10.67% 5.66%
LUPA3 LUPATECH ON Bens Industriais 152.43% 0.65 -16.03% -96.33%

 

A valorização internacional do dólar é apenas uma parte (pequena) da história

Vi algumas fontes argumentando que a alta do dólar em relação ao real se deve à valorização internacional da moeda norte-americana.

O gráfico abaixo mostra a valorização do dólar versus uma cesta de várias moedas (Dollar Index da Bloomberg) e vs o real desde 2013 (normalizado para janeiro de 2013 = 100). A valorização internacional do dólar no período foi de 23%, enquanto a valorização contra o real foi de 94%. Uma conta de padeiro revela que 71% da desvalorização do real se deve não à valorização internacional do dólar, e sim à situação político-econômica do país, com uma aceleração notável desde meados de 2014. Note que a inflação em reais no período (IPCA) foi de 20%, ou seja, mesmo que a inflação no Brasil fosse descontada (afinal poderíamos argumentar que a inflação se deve em parte à alta internacional do dólar), ainda teríamos uma desvalorização real da moeda de 50%.

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Se olharmos apenas o período em que o movimento de alta acelerou (desde julho de 2014), a valorização internacional do dólar fica em 14%, enquanto a valorização frente ao real foi de 63%.

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Logo a valorização internacional do dólar é apenas uma parte (pequena) da história.

Todas as ações da Bovespa ordenadas por volatilidade

Este post é uma atualização de um outro que postei há muito tempo. A tabela abaixo contém todas as ações da BMF Bovespa, ordenadas por volatilidade. Foram utilizados alguns filtros, a saber: janela mínima de 2 anos, volume médio superior a R$500k por dia e operações em pelo menos 90% dos pregões.

Ticker Nome Setor Volatilidade Beta Retorno 1 mês Retorno 1 ano
WEGE3 WEG ON Bens Industriais 18.88% 0.15 9.84% 48.23%
CTIP3 CETIP ON Financeiro e Outros 20.97% 0.49 5.20% 16.83%
ABEV3 AMBEV SA ON Consumo não Cíclico 21.92% 0.54 5.86% 29.97%
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 21.99% 0.26 -7.93% -10.32%
PCAR4 PACUCAR-CBDPN Consumo não Cíclico 22.92% 0.58 -15.27% -32.75%
EQTL3 EQUATORIAL ON Utilidade Pública 23.40% 0.48 8.70% 44.47%
UGPA3 ULTRAPAR ON Financeiro e Outros 23.44% 0.71 -2.24% 27.75%
HYPE3 HYPERMARCAS ON Consumo não Cíclico 23.75% 0.64 -3.07% 10.73%
MDIA3 MDIASBRANCOON Consumo não Cíclico 23.92% 0.35 -5.35% -17.25%
BRFS3 BRF FOODS ON Consumo não Cíclico 24.15% 0.5 3.55% 26.94%
ODPV3 ODONTOPREV ON Consumo não Cíclico 24.77% 0.25 -0.54% 17.41%
CIEL3 CIELO ON Financeiro e Outros 25.11% 0.49 6.66% 19.98%
VIVT4 TELEF BRASILPN Telecomunicações 25.54% 0.52 1.65% 6.96%
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 25.56% 0.34 -5.68% 17.56%
GUAR3 GUARARAPES ON Consumo Cíclico 25.63% 0.36 -10.72% -41.73%
TBLE3 TRACTEBEL ON Utilidade Pública 26.24% 0.66 6.68% 11.18%
LAME4 LOJAS AMERICPN Consumo Cíclico 26.43% 0.74 6.70% 26.81%
PSSA3 PORTO SEGUROON Financeiro e Outros 26.91% 0.46 13.62% 32.67%
RENT3 LOCALIZA ON Consumo Cíclico 27.07% 0.7 -9.00% -18.62%
TRPL4 TRAN PAULISTPN Utilidade Pública 27.07% 0.47 -1.37% 37.58%
KLBN4 KLABIN S/A PN Materiais Básicos 27.29% 0.38 -1.05% 69.28%
ITUB3 ITAUUNIBANCOON ED Financeiro e Outros 27.48% 0.9 4.02% 7.28%
UNIP6 UNIPAR PNB Materiais Básicos 27.51% 0.29 1.03% 8.59%
GETI3 AES TIETE ON Utilidade Pública 27.62% 0.42 4.02% 10.27%
EMBR3 EMBRAER ON Bens Industriais 27.64% 0.18 -2.42% 9.97%
LAME3 LOJAS AMERIC ON Consumo Cíclico 27.89% 0.67 6.06% 14.60%
MULT3 MULTIPLAN ON Financeiro e Outros 27.93% 0.75 2.63% -8.49%
TUPY3 TUPY ON Bens Industriais 28.29% 0.27 5.60% -10.63%
ALPA4 ALPARGATAS PN Consumo Cíclico 28.31% 0.49 -6.33% -24.47%
CRUZ3 SOUZA CRUZ ON Consumo não Cíclico 28.33% 0.56 -0.33% 12.59%
SSBR3 SIERRABRASILON Financeiro e Outros 28.35% 0.35 -7.59% -0.87%
LREN3 LOJAS RENNERON INT Consumo Cíclico 28.40% 0.75 3.51% 60.16%
VLID3 VALID ON Bens Industriais 28.46% 0.38 5.15% 34.43%
CYRE3 CYRELA REALTON Construção e Transporte 28.68% 0.83 -0.73% -28.82%
ITSA4 ITAUSA PN Financeiro e Outros 29.07% 1.06 3.82% 12.21%
TOTS3 TOTVS ON Tecnologia da Informação 29.16% 0.34 1.08% 4.72%
FLRY3 FLEURY ON Consumo não Cíclico 29.49% 0.29 -1.03% 15.31%
GETI4 AES TIETE PN Utilidade Pública 29.64% 0.47 3.63% -3.58%
GRND3 GRENDENE ON Consumo Cíclico 29.69% 0.5 1.54% 29.37%
ABCB4 ABC BRASIL PN Financeiro e Outros 29.71% 0.6 2.32% -14.17%
IGTA3 IGUATEMI ON Financeiro e Outros 29.74% 0.71 3.41% 11.10%
RADL3 RAIADROGASIL ON Consumo não Cíclico 29.75% 0.32 11.11% 126.14%
ALSC3 ALIANSCE ON Financeiro e Outros 29.76% 0.82 -6.83% -22.60%
SMTO3 SAO MARTINHOON Consumo não Cíclico 29.76% 0.51 -2.42% -5.71%
ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED Financeiro e Outros 29.88% 1.1 3.97% 5.00%
BEMA3 BEMATECH ON Tecnologia da Informação 29.95% 0.34 3.77% 2.48%
SUZB5 SUZANO PAPELPNA INT Materiais Básicos 30.05% 0.16 -1.68% 84.71%
MYPK3 IOCHP-MAXION ON Bens Industriais 30.12% 0.53 4.47% -32.30%
LINX3 LINX ON Tecnologia da Informação 30.26% 0.17 -3.29% -4.93%
CESP6 CESP PNB Utilidade Pública 30.60% 0.71 -1.58% -19.08%
SLCE3 SLC AGRICOLAON Consumo não Cíclico 31.61% 0.18 7.40% 1.74%
FIBR3 FIBRIA ON Materiais Básicos 31.62% 0.17 -1.25% 83.59%
DTEX3 DURATEX ON Materiais Básicos 31.68% 0.81 -4.96% -8.40%
MPLU3 MULTIPLUS ON Consumo Cíclico 31.68% 0.32 -2.07% 16.14%
JSLG3 JSL ON Construção e Transporte 31.95% 0.48 -14.39% -12.25%
NATU3 NATURA ON Consumo não Cíclico 32.16% 0.71 -0.77% -23.38%
EZTC3 EZTEC ON Construção e Transporte 32.29% 0.81 -5.70% -28.65%
BBDC4 BRADESCO PN EDJ Financeiro e Outros 32.51% 1.22 3.83% 1.72%
BICB4 BICBANCO PN Financeiro e Outros 32.63% 0.13 1.17% 0.26%
AMAR3 LOJAS MARISA ON Consumo Cíclico 32.73% 0.44 -15.04% -38.39%
ECOR3 ECORODOVIAS ON Construção e Transporte 32.79% 0.79 -7.97% -47.93%
BBDC3 BRADESCO ON EDJ Financeiro e Outros 32.82% 1.16 4.18% -3.57%
CSAN3 COSAN ON Consumo não Cíclico 32.82% 0.86 -9.19% -32.28%
CCRO3 CCR SA ON Construção e Transporte 33.02% 0.9 2.17% -13.52%
QUAL3 QUALICORP ON Consumo não Cíclico 33.07% 0.51 4.31% -16.73%
BEEF3 MINERVA ON Consumo não Cíclico 33.08% 0.51 3.37% -3.15%
CPFE3 CPFL ENERGIAON Utilidade Pública 33.44% 0.94 0.73% -5.30%
CPLE6 COPEL PNB Utilidade Pública 33.93% 0.89 7.45% 5.37%
RAPT4 RANDON PART PN Bens Industriais 34.02% 0.72 -1.49% -46.72%
MAGG3 MAGNESITA SAON Materiais Básicos 34.49% 0.37 -10.51% -41.46%
QGEP3 QGEP PART ON Petróleo 34.85% 0.65 -12.04% -27.92%
VALE5 VALE PNA Materiais Básicos 34.90% 0.82 -17.42% -44.24%
ENBR3 ENERGIAS BR ON Utilidade Pública 35.43% 0.81 6.88% 9.29%
LIGT3 LIGHT S/A ON Utilidade Pública 35.59% 0.77 -4.83% -24.04%
CPLE3 COPEL ON Utilidade Pública 35.65% 0.78 6.39% 4.04%
GGBR4 GERDAU PN Materiais Básicos 35.65% 0.75 -20.14% -51.48%
DASA3 DASA ON Consumo não Cíclico 35.67% 0.34 -2.24% -32.43%
SBSP3 SABESP ON Utilidade Pública 36.07% 0.85 1.33% -26.55%
TCSA3 TECNISA ON Construção e Transporte 36.13% 0.88 -8.13% -53.69%
HGTX3 CIA HERING ON Consumo Cíclico 36.17% 0.68 2.02% -35.79%
BVMF3 BMFBOVESPA ON Financeiro e Outros 36.20% 1.2 0.86% 0.31%
DIRR3 DIRECIONAL ON Construção e Transporte 36.21% 0.71 2.64% -52.02%
CMIG4 CEMIG PN Utilidade Pública 36.48% 0.87 -14.71% -31.79%
GGBR3 GERDAU ON Materiais Básicos 36.64% 0.7 -19.42% -49.98%
TIMP3 TIM PART S/AON Telecomunicações 36.90% 0.59 0.31% -19.47%
ARZZ3 AREZZO CO ON Consumo Cíclico 37.01% 0.57 -2.33% -17.38%
BBRK3 BR BROKERS ON Construção e Transporte 37.03% 0.67 -7.30% -25.54%
BRKM5 BRASKEM PNA Materiais Básicos 37.06% 0.59 -6.27% -5.69%
BRML3 BR MALLS PARON Financeiro e Outros 37.06% 1.13 -0.07% -23.29%
CMIG3 CEMIG ON Utilidade Pública 37.08% 0.77 -14.50% -31.49%
BRAP4 BRADESPAR PN Financeiro e Outros 37.29% 0.97 -15.93% -50.33%
EVEN3 EVEN ON Construção e Transporte 37.34% 1.03 -7.69% -48.61%
GOAU4 GERDAU MET PN Materiais Básicos 37.59% 0.82 -32.39% -70.64%
LPSB3 LOPES BRASILON Construção e Transporte 37.87% 0.49 -11.62% -42.31%
TGMA3 TEGMA ON Construção e Transporte 38.01% 0.43 -20.70% -44.39%
ARTR3 ARTERIS ON Construção e Transporte 38.03% 0.53 -3.78% -49.36%
HBOR3 HELBOR ON Construção e Transporte 38.16% 0.78 0% -62.84%
VALE3 VALE ON Materiais Básicos 38.54% 0.9 -15.88% -41.17%
LOGN3 LOG-IN ON Construção e Transporte 38.98% 0.38 -3.08% -49.36%
BRPR3 BR PROPERT ON Financeiro e Outros 39.45% 0.77 1.05% -22.59%
POMO4 MARCOPOLO PN Bens Industriais 39.73% 0.67 -8.29% -39.70%
JBSS3 JBS ON Consumo não Cíclico 39.85% 0.96 0.13% 98.18%
JHSF3 JHSF PART ON Construção e Transporte 39.88% 0.73 10.80% -49.94%
TECN3 TECHNOS ON Consumo Cíclico 40.62% 0.58 -8.15% -48.22%
ESTC3 ESTACIO PARTON Consumo Cíclico 40.95% 0.64 -14.08% -38.21%
MRVE3 MRV ON Construção e Transporte 41.42% 1.1 2.74% 16.62%
KEPL3 KEPLER WEBERON Bens Industriais 41.50% 0.29 14.47% -33.65%
BRSR6 BANRISUL PNB Financeiro e Outros 41.62% 0.77 -6.35% -23.39%
ELET6 ELETROBRAS PNB Utilidade Pública 41.69% 1.09 -8.90% -22.53%
LLIS3 LE LIS BLANCON Consumo Cíclico 41.71% 0.39 -22.01% -11.03%
KROT3 KROTON ON Consumo Cíclico 42.43% 0.77 -7.69% -23.69%
BBAS3 BRASIL ON Financeiro e Outros 42.77% 1.38 5.79% -5.94%
PFRM3 PROFARMA ON Consumo não Cíclico 43.13% 0.26 4.70% -51.98%
CSMG3 COPASA ON INT Utilidade Pública 45.00% 0.51 -4.66% -62.82%
PMAM3 PARANAPANEMAON Materiais Básicos 45.34% 0.61 -4.77% 33.92%
SLED4 SARAIVA LIVRPN Consumo Cíclico 45.48% 0.41 5.81% -68.81%
IDNT3 IDEIASNET ON Tecnologia da Informação 45.53% 0.23 -5.80% -50.79%
MILS3 MILLS ON Construção e Transporte 46.24% 0.59 -10.27% -69.84%
VAGR3 V-AGRO ON Consumo não Cíclico 46.33% 0.33 -3.49% -66.45%
ELET3 ELETROBRAS PNA Utilidade Pública 46.73% 1.31 -7.92% -10.96%
MGLU3 MAGAZ LUIZA ON Consumo Cíclico 46.87% 0.66 -21.30% -65.98%
USIM5 USIMINAS PNA Materiais Básicos 48.71% 0.93 -12.21% -53.94%
ELPL4 ELETROPAULO PN Utilidade Pública 49.17% 1.04 9.21% 56.36%
MRFG3 MARFRIG ON Consumo não Cíclico 49.22% 1.12 31.53% -13.06%
GFSA3 GAFISA ON Construção e Transporte 49.36% 1.34 6.09% -32.22%
TPIS3 TRIUNFO PARTON Construção e Transporte 49.72% 0.48 8.90% -39.17%
BPHA3 BR PHARMA ON Consumo não Cíclico 50.41% 0.27 -14.77% -76.99%
GOLL4 GOL PN Construção e Transporte 50.49% 1.18 -21.73% -55.84%
CSNA3 SID NACIONALON Materiais Básicos 51.05% 1.2 -24.58% -57.37%
PETR4 PETROBRAS PN Petróleo 51.97% 1.8 -9.24% -38.79%
PETR3 PETROBRAS ON Petróleo 52.05% 1.81 -6.55% -25.24%
FJTA4 FORJA TAURUSPN Bens Industriais 56.30% 0.22 -16.38% -82.97%
PDGR3 PDG REALT ON Construção e Transporte 61.27% 1.27 17.65% -69.81%
BTOW3 B2W VAREJO ON Consumo Cíclico 62.78% 0.65 -8.93% -30.78%
RSID3 ROSSI RESID ON Construção e Transporte 67.39% 1.46 -15.75% -85.09%
OIBR4 OI PN Telecomunicações 70.05% 0.97 -15.98% -65.96%
OIBR3 OI ON Telecomunicações 71.57% 1 -13.59% -66.23%
USIM3 USIMINAS ON Materiais Básicos 73.04% 0.89 -29.12% 46.63%
BRIN3 BR INSURANCEON Financeiro e Outros 73.67% 0.23 -9.86% -88.51%
RNAR3 RENAR ON Consumo não Cíclico 90.45% 0.45 9.59% 0%
MMXM3 MMX MINER ON Materiais Básicos 93.82% 0.85 -17.31% -74.40%
OGXP3 OGX PETROLEOON Petróleo 113.07% 1.25 0% -68.42%
JBDU4 J B DUARTE PN Financeiro e Outros 128.31% 0.45 -6.34% -86.23%
LUPA3 LUPATECH ON Bens Industriais 173.58% 0.74 -60% -95.61%

 

A arte de não prestar atenção no ruído

Compartilhando um post interessante no blog Motley Fool sobre a tendência dos investidores de focarem demais nos acontecimentos recentes. Este comportamento miópico está relacionado ao chamado “viés de recência“, o viés cognitivo que leva as pessoas a dar um peso demasiadamente grande para os acontecimentos recentes, em detrimento das tendências ou evidências de longo prazo*.

Obviamente estou falando de investidores cujo horizonte de investimento é relativamente longo. Para um day trader ou mesmo alguém que faz stock picking, faz todo o sentido focar no curto prazo. Já para um investidor passivo, que rebalanceia sua carteira com uma frequência baixa e cujo horizonte é de muitos anos ou décadas, que sentido faz checar o que acontece no mercado a cada minuto?  Este investidor está tentando se beneficiar de retornos que serão realizados ao longo de meses e anos. Se ele possui uma estratégia de investimento bem definida, basta segui-la. Isto não significa que não se deva prestar atenção ao que acontece no mercado. Mas se a carteira de investimento está alinhada com a estratégia e o perfil de risco do investidor, não é preciso saber o que acontece no mercado a cada minuto e o investidor deveria poder dormir tranquilamente, com a segurança de que sua carteira possui o nível de risco desejado.

Quando focamos muito nas notícias e movimentos recentes, surge uma tendência ou até uma tentação de mexer nos investimentos, já que há uma sensação de que precisamos reagir às notícias e eventos. Isto tende a ser ruim por vários motivos. Em primeiro lugar, quanto maior a movimentação nos investimentos, mais dinheiro perdemos com taxas e custos de operação. Em segundo lugar, já não é trivial definir uma estratégia de investimento e montar uma carteira para um horizonte longo. Quando tentamos “acertar” o que acontecerá baseado em pequenos sinais observados no mercado, a chance de acertar tende a zero em 99.99% dos casos. Finalmente, quando um investidor altera a composição de sua carteira baseado em acontecimentos muitas vezes irrelevantes, torna-se difícil avaliar a eficácia da estratégia, pois o resultado realizado não está alinhado com a estratégia.

A mídia financeira vende a ideia oposta: cada movimento do mercado deve ser analisado minuciosamente; as altas e baixas são explicadas por especialistas citando todos os fatores internos e externos que levaram aos resultados do dia. Há uma sensação de urgência, de que tudo o que está ocorrendo é importante, quando na verdade a maioria dos dias traz movimentos praticamente aleatórios. Hoje, por exemplo, o IBOVESPA fechou em baixa de 1,26%. O Valor nos explica que  “operadores relataram um movimento de realização de lucro liderado por investidores estrangeiros”. Todo dia haverá uma explicação nesta linha, com os principais “drivers” da movimentação diária. Estas explicações ex-post são, essencialmente, inúteis. O mercado de ações é, bem, um mercado. Para cada comprador, há um vendedor. Não houve “mais vendores ou bears” do que “compradores ou bulls” e a variação do dia é impossível de se prever com qualquer grau de precisão.

Resumindo, gostei do post do Motley e vai muito na linha do que acredito. Acho que nestes casos vale a máxima “menos é mais”: informação demais sobre o mercado pode não ser benéfica. Eu leio muito e acompanho o mercado financeiro diariamente, pois faz parte do meu trabalho. Porém, é importante desenvolver um “filtro” para separar o relevante do resto.

 

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*Quando há um desastre aéreo, por exemplo, muitas pessoas tornam-se receosas de viajar de avião, apesar de as estatísticas demonstrarem que este é um dos meios de transporte mais seguros.

IBOV vs IBrX – Qual o menos pior?

Os dois índices mais utilizados no mercado brasileiro são o IBOV e o IBrX, sendo que o IBOV é o mais antigo (existe desde 1968) e também o mais importante. Até recentemente, havia uma diferença conceitual grande entre os dois índices: o IBOV ponderava as ações com base na liquidez, enquanto o IBrX pondera as ações pelo valor de mercado. No início de 2014, a metodologia de cálculo do IBOV foi alterada e a ponderação passou a ser feita de maneira similar à do IBrX. Além disto, o IBrX procura conter 100 ações entre as mais negociadas, dentro de certo critérios de liquidez, enquanto o IBOV historicamente tem tido um número bem menor de papéis.

Como medidas amplas do desempenho do mercado de ações brasileiros, os índices são bastante utilizados como benchmarks para medir o desempenho relativo de fundos e carteiras de ações. Tenho usado sempre o IBOV nas comparações das estratégias que apresento aqui no blog.

É notável que, nestas comparações que faço aqui no blog, o IBOV costuma estar abaixo do CDI. Quando isto ocorre, significa que o investidor teria se dado melhor simplesmente deixando o dinheiro “parado” no banco, do que investimento no mercado de ações. Isto sem contar que o IBOV não leva em consideração nenhum custo, ou seja, na prática o resultado de um investidor que faz tracking do IBOV é pior ainda. Conforme venho mostrando aqui, é relativamente fácil superar o IBOV através de regras simples e mecânicas de seleção de ações (ver por exemplo este post).

O fato de o IBOV perder do CDI em períodos curtos, de 1 ou mesmo 2 anos, seria absolutamente normal. Porém, como as taxas de juros no Brasil são muito altas, os índices de ações perdem do ativo livre de risco (CDI) ao longo de períodos bem mais longos. O gráfico abaixo apresenta o retorno acumulado do IBOV (verde), IBrX (branco) e CDI (roxo), entre 1996 até o final de abril de 2015. Neste período de quase 20 anos, o IBOV expôs o investidor a um alto risco (volatilidade anual de 33%), porém entregou retorno inferior ao do CDI. Apesar disto, o retorno anual do IBOV no período ainda foi alto: 14.1%, o que significa que o capital inicial do investidor foi multiplado por um fator de 12. O IBrX ficou acima do CDI, com um retorno anualizado de 17.6% e uma volatilidade um pouco menor do que a do IBOV (29.6%). Entretanto, considerando o retorno ajustado ao risco (índice de Sharpe), o IBrX também não se sai bem: o índice de Sharpe foi próximo de 0.

IBOV CDI 1996-2005

IBOV IBrX CDI
CAGR 14.1% 17.6% 16.4%
Retorno total 1160.2% 2156.2% 1765.0%
Volatilidade 33.2% 29.6%
Sharpe -0.07 0.04

Pegando um período mais recente, de 2006 até abril de 2015, temos uma situação ainda pior. Tanto o IBOV como o IBrX perdem para o CDI. Os retornos anuais ficam em 5.5% (IBOV) e 8.4% (IBrX), contra 10.9% d CDI. Além disso, os índices estão em patamares similares aos de 2007 (IBOV) e 2008 (IBrX). Ou seja, temos um período entre 7 a 8 anos no qual o retorno total do mercado de ações, medido pelos índices, foi igual a zero, e um período de mais de 9 anos no qual o retorno foi abaixo do CDI.

IBOV CDI 2006-2005

IBOV IBrX CDI
CAGR 5.5% 8.4% 10.9%
Retorno total 65.1% 111.2% 162.1%
Volatilidade 28.7% 27.6%
Sharpe -0.38 -0.29

Algumas conclusões:

  • Com a mudança no cálculo de IBOV, a diferença entre os dois índices tornou-se bem menor. Porém, como podemos ver pelo primeiro gráfico, faz muita diferença considerar o IBrX como benchmark, principalmente quando consideramos resultados (históricos ou de backtests) de períodos longos.
  • O fato de a taxa básica de juros no Brasil ser tão alta, especialmente nos períodos mais antigos, torna a comparação entre ativos de risco e o ativo livre de risco difícil no nosso mercado.
  • Mesmo assim, existem estratégias simples para investir em ações, com critérios mecânicos para selecionar as ações, que permitem obter um retorno no mercado de ativos de risco compatível com o risco tomado.
  • Já demorou para lançarem um ETF utilizando alguma destas estratégias!

Como investir

Apesar de hoje existirem diversos blogs e sites brasileiros dedicados a investimentos e ao mercado de ações, na minha opinião é difícil encontrar um material simples, gratuito e claro sobre como investir e alcançar os seus objetivos financeiros (com a ressalva de que “investir” não é a mesma coisa que “operar”) . Alguns dos sites sobre investimento que vejo no Brasil, mesmo alguns que possuem materiais gratuitos muito bons, muitas vezes vem acompanhados de tentativas de monetizar conceitos simples através de estratégias de marketing massificado para vender um ebook, curso ou webinar “que vai mudar sua vida”*.

Portanto decidi escrever um post simples – e, espero, claro – sobre como investir. Para começar, precisamos entender o que “investimento” significa. É importante notar que a maioria das pessoas não são investidoras, no sentido econômico da palavra. Investimento é a utilização de recursos, no momento atual, com o intuito de produzir algo no futuro. Por exemplo, começar um negócio próprio é uma forma de investimento – você está investindo capital hoje com a esperança de produzir algo mais valioso no futuro. Um outro exemplo é a compra inicial de ações de uma empresa (ou seja, no mercado primário, quando a empresa faz a oferta pública inicial, ou IPO), que também é uma forma de investimento e na qual o investidor financia a operação de uma empresa em troca de uma participação acionária. A compra ou venda de ações no mercado secundário (ou seja, na bolsa) é diferente e não constitui investimento no sentido econômico, pois é apenas a troca, entre dois participantes privados do mercado, da participação acionária em uma empresa que já existe. Ou seja, o dinheiro pago por uma ação no mercado secundário não tem relação nenhuma com o funcionamento da empresa.

Podemos ver então que o que comumente chamamos de “investimento” no contexto de uma pessoa física, é simplesmente a aplicação da renda não utilizada (ou seja, a renda que é poupada) em diferentes instrumentos financeiros como fundos de investimento, ações, imóveis, títulos de renda fixa etc. O fato de chamarmos o conjunto destas aplicações de “carteira de investimentos”, em vez de “carteira de poupança”, tem mais a ver com o fato de que “investimento” é um termo que soa mais sexy e sofisticado do que “poupança”. Para manter as coisas simples, vamos usar neste post o termo “investimento” no sentido comumente utilizado.

Investimento vs Especulação

É importante diferenciar entre investimento e especulação. Um especulador busca lucros através de operações de curto prazo, com o objetivo de explorar flutuações nos preços dos ativos. Em geral, o especulador não está preocupado com os fundamentos de um ativo. O investidor, por outro lado, tem um horizonte de médio ou longo prazo e aloca seus recursos em ativos com um perfil de risco e retorno consistente com os seus objetivos.

Não há nada de errado com ser um especulador ou um investidor, mas é importante que isto esteja bem definido. Em linhas gerais, uma pessoa que compra ações, por exemplo, sem uma estratégia bem definida, sem saber por quanto tempo manterá as posições, e vende as posições de maneira oportunista quando o papel sobe, é um especulador.

É possível que a mesma pessoa seja tanto um investidor como um especulador. Por exemplo, é possível ter uma carteira de investimento, seguindo uma estratégia bem definida, e paralelamente ter uma carteira na qual mantém posições especulativas (por exemplo, operações de arbitragem com pares de ações, ou com opções). Porém é importante manter uma estrutura organizada e disciplinada para registrar e separar estas duas atividades.

A seguir, podemos nos perguntar quais são os objetivos da carteira de investimento de uma pessoa física. Eu diria que são os seguintes:

Objetivos de uma carteira de investimentos

  1. Preservar o capital, ou seja, evitar perdas permanentes;
  2. Conservar o poder de compra , que deteriora ao longo do tempo por causa da inflação;
  3. Remunerar o dinheiro poupado pelo investidor, de acordo com seu perfil de investimento.

Note que o objetivo da carteira de investimentos não é “ficar rico” ou “duplicar seu dinheiro todo ano”. Um dos grandes mitos do mercado financeiro é que você ficará rico rapidamente ou será o próximo Warren Buffet. Com certeza existiram e continuarão existindo períodos de crescimento excepcionais e investidores profissionais excepcionalmente talentosos. Porém, também abundam exemplos de crises e crashes no mercado que fizeram evaporar grandes fortunas, e investidores sofisticados que quebraram.

Na minha opinião, para o investidor pessoa física, o caminho para o enriquecimento depende mais de fatores como o percentual da renda que é poupado e a disciplina em seguir uma estratégia de investimento bem definida, do que em acertar quais ativos que terão os retornos mais altos no futuro. O motivo é simples: os dois primeiros fatores estão sob o controle do investidor, enquanto os retornos futuros de ativos de risco são quantidades estocásticas e difíceis de prever. Para alcançar retornos mais altos, é mais vantajoso focar no investimento (no sentido econômico), seja ele na carreira ou educação (que aumentam o seu salário), ou em um negócio que permita deixar de ser assalariado.

Dados os objetivos da carteira, quais são as etapas do processo de investimento?

Etapas do processo de investimento

Em linhas gerais, podemos dividir o processo de investimento nas seguintes etapas:

1.       Defina sua meta de investimento

2.       Entenda o seu perfil de investimento e tolerância ao risco

3.       Crie uma estratégia de investimento

4.       Implemente a sua estratégia

5.       Monitore/Rebalanceie a carteira

Tenho focado bastante aqui no blog em estratégias para montar carteiras de ações, utilizando conceitos como escolher ações de baixa volatilidade, que demonstradamente superam o mercado. Montar – e manter – uma carteira de ações é sem dúvida um componente importante no processo de investimento, porém existem outros aspectos neste processo que são tão ou mais importantes. Conforme podemos ver, a escolha de uma carteira específica de ações pode ser vista como uma das etapas do passo 3, o qual inclui a alocação de ativos. A alocação de ativos começa com a definição de que tipos ou classes de ativos (ações, títulos, imóveis, câmbio, commodities etc) o investidor deseja ter. Após isto, é necessário escolher quais ativos comprar dentro de cada classe. As carteiras de ações que discutimos aqui no blog, por exemplo, podem servir para definir quais ações comprar.

Cada um dos tópicos acima merece um post próprio; aqui vou delinear os principais aspectos de cada um.

1.       Meta de investimento

Por que estamos investindo? Que objetivo queremos alcançar e em quanto tempo?

Saber o objetivo que temos ao investir é, de longe, o fator mais importante no processo de investimento. Qualquer um concorda que ter mais dinheiro é preferível a ter menos dinheiro, porém sem ter um objetivo claramente definido, fica muito difícil fazer as escolhas certas. Que ativos comprar? Que nível de risco é esperado/apropriado para alcançar o objetivo?  Também é muito importante definir o horizonte de investimento, pois ele influencia diversas escolhas, especialmente a alocação de ativos. Para horizontes curtos, precisamos tomar cuidado com ativos de maior risco ou de baixa liquidez, pois aumenta a chance de termos uma perda permanente, ou seja, ter de liquidar um investimento abaixo do valor pago originalmente.

O objetivo ou meta pode ser desde algo simples e relativamente fácil de alcançar, como por exemplo, “trocar de carro” ou “viajar para a Europa com a família”, como algo mais audacioso e desafiador, como “alcançar a independência financeira em 10 anos”. É tudo uma questão de elaboração; o processo acima serve para planejar desde o plano mais simples até o mais complexo. Algumas pessoas preferem manter uma única carteira de investimento para alcançar diversas metas diferentes; outras preferem ter carteiras diferentes, segregadas, para uma de suas metas.

Ao definir uma meta de investimento, é importante quantificar, da maneira mais precisa possível, o que se espera alcançar. Por exemplo, suponha que a meta seja tornar-se financeiramente independente, ou seja, possuir uma carteira que gere rendimentos periódicos suficientes para cobrir, com segurança, todos os custos de vida, indefinidamente. Neste caso, o investidor deve se perguntar:

  • Qual é o meu custo de vida atual? Como ele mudaria caso eu não tivesse mais que trabalhar? (Eu moraria no mesmo lugar, ou mudaria para um lugar mais barato? Possuo imóveis que poderia alugar ou vender para financiar o custo de vida futuro? Como aumentarão os gastos com saúde no futuro?)
  • Quanto preciso acumular para alcançar este objetivo? É preciso levar em conta a Matemática da Independência Financeira, o efeito dos juros, dos impostos, da inflação etc.
  • Em quanto tempo pretendo deixar de trabalhar? Este será o fator mais importante para determinar quanto será preciso economizar a cada mês.

Após definir a meta financeira, é hora de entender o seu perfil de investidor.

2. Perfil de Investimento e Tolerância ao Risco

O perfil de investimento é algo estritamente pessoal e  que depende de diversos fatores, como:

  • Idade e momento de carreira
  • Valor disponível para investir
  • Frequência e tamanho de aportes adicionais na carteira
  • Necessidade de liquidez e horizonte de investimento
  • Necessidade de fluxo de caixa
  • Tolerância ao risco
  • Taxa de retorno esperada

Para termos uma ideia de como estes fatores se relacionam, vamos comparar duas pessoas: uma jovem, em início de carreira, com um patrimônio baixo; e outra mais velha, próxima de se aposentar e com um patrimônio relativamente alto.

A primeira pessoa tem necessidade de liquidez em um horizonte de 5 a 10 anos, pois pretende comprar um imóvel e pagar despesas com os filhos que virão. O valor que possui para investir é baixo, porém ela poupa uma parcela razoável do seu salário todo mês, a qual vai direto para sua carteira de investimento. O objetivo principal da sua carteira é proteger o seu patrimônio e ajudá-lo a crescer. Seus investimentos não precisam gerar fluxo de caixa no futuro próximo, pois seu salário é suficiente para financiar seu estilo de vida. Em termos de tolerância ao risco, ela está confortável em assumir um risco maior, pois (i) possui mais tempo para recuperar eventuais perdas temporárias e (ii)  seu salário é a fonte primária de renda para arcar com o custo de vida.

A segunda pessoa, que está próxima de se aposentar, pretende usar a carteira para financiar sua aposentadoria. Ela não tem necessidade de liquidez relevante; o objetivo da sua carteira é gerar rendimentos para cobrir as despesas mensais na aposentadoria, ou seja, ela tem necessidade de investimentos capazes de gerar fluxos de caixa previsíveis. Sua tolerância ao risco é menor do que a da primeira pessoa; a função da sua carteira não é aumentar agressivamente, mas sim proteger o patrimônio para que ele continue gerando rendimentos previsíveis capazes de cobrir o custo de vida.

Esta análise, apesar de bastante estilizada, ajuda a entender como a situação pessoal de cada um influi no perfil de investimento. Em particular, a tolerância ao risco é um fator extremamente importante. Existem diversas maneiras de mensurar isto. Como uma regra simples, vale a pena imaginar o que aconteceria com a sua carteira de investimento em uma crise como a de 2008. Uma carteira 100% alocada em ações teria sofrido uma perda de aproximadamente 50% neste período. Como você reagiu (ou reagiria) a uma desvalorização desta magnitude? Se você passou (ou passaria) noites em branco, preocupado com as perdas, significa que sua alocação em ações deve ser bem menor do que 100%.

3. Estratégia de Investimento

Para criar uma estratégia de investimento, é preciso considerar vários fatores:

  • Meta de investimento (passo 1)
  • Que tipos ou classes de ativos irão compor a carteira?
  • Que tipo de alocação utilizar (passiva vs ativa)?
  • Que proporção da carteira alocar para cada classe de ativo?
  • Que instrumentos ou produtos utilizar e quais os custos envolvidos?

A meta de investimento é o primeiro passo, pois ela determina que tipos de ativos são adequados. Por exemplo, uma carteira com objetivo de apreciação agressivo precisa conter ativos capazes de gerar retornos altos, como por exemplo ações agressivas. Já uma carteira cujo objetivo é gerar rendimentos previsíveis pode conter uma proporção maior de títulos do governo ou de empresas, que pagam cupons pré-definidos e frequentes.

A definição das classes de ativos que irão compor a carteira é outro passo importante. A introdução de diversas classes de ativos é desejável pois aumenta a diversificação da carteira. Mas é preciso entender as características e os riscos de cada produto para evitar surpresas, especialmente caso seja necessário liquidar o investimento. Em linhas gerais, as classes de ativos financeiros que estão comumente disponíveis para investidores individuais no Brasil são as seguintes** (dos menos arriscados para os mais arriscados):

Dentro de cada classe de ativos, existem diferentes tipos ou categorias de ativos. Por exemplo, há ações mais defensivas e mais agressivas, ações que tendem a pagar mais ou menos dividendos etc. Títulos podem ser emitidos pelo governo ou por empresas, podem ser pré ou pós fixados, de curto ou longo prazo, pagar ou não cupons periódicos e assim por diante.

Definidas as classes de ativos, é preciso tomar decisões quanto à alocação de ativos. Em primeiro lugar, o investidor precisa determinar se seguirá um modelo de alocação passiva, no qual as proporções de cada classe de ativo são pré-definidas e mantidas fixas ao longo do tempo, ou um modelo de alocação ativa, no qual as proporções são alteradas com o intuito de capturar retornos maiores de acordo com algum tipo de previsão sobre o desempenho futuro das classes de ativos. Existe uma longa discussão sobre este assunto, ligada ao conceito acadêmico do mercado eficiente. Em um mercado eficiente, não é possível em geral superar consistentemente o desempenho agregado do mercado. Neste caso, a decisão mais racional é a de seguir uma carteira que represente da melhor maneira possível o mercado. A evidência acadêmica aponta que os gestores ativos, em geral, performam abaixo de gestores passivos que apenas seguem alocações fixas. Em geral, o investimento ativo está associado a taxas e custos mais altos, o que também contribui para deteriorar os resultados. Isto não significa que não existam gestores ativos capazes de obter retornos consistentes.

O próximo passo é definir a alocação de ativos da carteira. Isto significa definir a proporção (%) de cada classe de ativo na carteira. Existem diversas maneiras de fazer isto, desde escolhas subjetivas baseadas no perfil de investimento, até sofisticados cálculos para encontrar uma carteira otimizada, como por exemplo o que descrevo neste post sobre otimização de uma carteira de ações.

Um outro ponto a considerar é que tipo de produtos utilizar para obter exposição a cada classe de ativo, e quais os custos envolvidos. Por exemplo, é possível ter exposição a ações através de pelo menos 3 métodos: 1. comprando ações de empresas individuais através de uma corretora; 2. comprando ETFs através de uma corretora; e 3. comprando cotas de fundos de ações através de uma corretora, banco ou gestor de recursos. No primeiro caso, alguns dos custos envolvidos são: taxa de corretagem, emolumentos, spread de compra/venda (ver também este post). No segundo caso, além destes custos há também a taxa de administração do ETF. No terceiro caso, é necessário pagar a taxa de administração e em alguns casos, de performance do fundo. Além disso, os impostos cobrados em cima de tipos de produtos pode ser diferente. Por exemplo, LCIs e LCAs são isentos de impostos, enquanto CDBs não são.

4. Implementação da Estratégia de Investimento

Definida a estratégia de investimento, é hora de implementá-la. Isto envolve executar a compra dos produtos escolhidos para alcançar a alocação desejada. Conforme vimos acima, isto pode envolver uma combinação de produtos que estão disponíveis através de diferentes instituições como bancos, corretoras, gestores de recurso etc. O número de opções, mesmo no Brasil, é muito alto. Por exemplo, existiam no final de 2013 mais de 14 mil fundos de investimento. Esta grande oferta de produtos também vem acompanhada de grande variabilidade nos custos. Por exemplo, um fundo de ações comum pode ter taxas de administração variando de algo próximo de 0% até 4%. O mesmo pode ser dito sobre o custo de comprar e vender ações individuais através de uma corretora. Portanto é importante avaliar com cuidado todos os custos envolvidos.

5. Manutenção/Rebalanceamento da Carteira

Uma vez escolhidos os produtos e instituições financeiras para implementar a carteira, é necessário monitorá-la frequentemente para que ela não desvie muito da alocação desejada. Isto pode ser feito de diversas maneiras, de acordo com a sofisticação do investidor, a dinâmica de aportes e o critério de rebalanceamento. Este processo é vital para alcançar bons resultados e manter a carteira alinhada com o perfil esperado. Em particular, o processo de rebalanceamento ajuda a alcançar retornos melhores, pois força a venda de ativos que tiveram ganhos e a compra de ativos que tiveram perdas, ou seja, ajuda a automatizar o conceito de comprar na baixa e vender na alta. É importante manter em mente, no entanto, que quanto mais frequente o rebalanceamento, maior serão os custos operacionais.

Algumas das possibilidades para rebalancear a carteira são:

  • Rebalanceamento periódico – consiste em rebalancear a carteira em uma frequência pré-determinada (por exemplo, mensalmente ou a cada três meses).
  • Rebalanceamento ao divergir da alocação desejada – pode-se definir uma meta de rebalanceamento em relação a alocacão desejada, por exemplo, rebalancear a carteira sempre que ela desviar x% da alocação desejada.
  • Rebalanceamento através de aportes – se o investidor faz aportes frequentes, ele pode dimensionar as contribuições dos aportes em cada classe de maneira a manter a alocação mais próxima possível da alocação desejada.

Conclusão

Ter um processo bem definido de investimento é um passo fundamental para ter sucesso. O tempo investido no planejamento, execução e manutenção da sua carteira, e a disciplina de seguir este processo ao longo do tempo, podem fazer a diferença entre conquistar ou não os seus sonhos. Bons investimentos!

 

* Geralmente é fácil reconhecer este tipo de site, pois eles usam estratégias que geram tensão e ansiedade para fecharem a venda, como por exemplo alertas de que “hoje é o último dia para comprar/se inscrever pelo preço promocional”.

** Investidores com patrimônio mais alto ou mais sofisticados podem ter acesso a outras classes de ativos internacionais através de um gestor de recursos.

Desempenho das Estratégias – Outubro 2014

A última vez que atualizei o desempenho das estratégias foi no final de agosto. Desde então, tivemos eleições e grande volatilidade no mercado brasileiro. Vejamos como as estratégias se saíram em comparação com o mercado.

Relembrando, as estratégias são as seguintes:

  • Variância Mínima – a estratégia consiste em montar a carteira com o menor risco (volatilidade) possível, através da otimização de Markowitz (ver este post e também este artigo);
  • Baixa volatilidade – divide o capital igualmente entre as 20 ações com a menor volatilidade;
  • Baixo beta – divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).
  • Momentum – divide o capital igualmente entre as 20 ações com maior retorno nos últimos 6 meses.

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente e, para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. O resultado abaixo apresenta apenas o ano de 2014.

Desempenho das estratégias em 2014

O gráfico abaixo apresenta o retorno mensal das estratégias e do IBOVESPA desde janeiro. Vemos que no mês de agosto o IBOVESPA apresentou um retorno de quase 10%, acumulando praticamente 20% de ganho no ano.  No mês de setembro houve uma reversão, com o IBOVESPA devolvendo uma boa parte destes ganhos (aproximadamente 12%). Em outubro o mercado apresentou alta volatilidade mas terminou o mês com ganho de 2%.

A estratégia de Momentum, que aposta em papéis que tiveram alta recente, superou o IBOVESPA em agosto com um ganho de 13%, porém sofreu uma reversão ainda mais forte em setembro, desvalorizando 17% e ficando negativa no ano.

Por outro lado, vemos que as estratégias de baixa volatilidade, variância mínima e baixo beta se comportaram da maneira esperada: ficaram para trás em agosto, quando o mercado teve forte alta, porém sofreram uma perda muito menor no momento de estresse do mercado em setembro. A carteira de variância mínima, por exemplo, perdeu apenas 3.8% em setembro, contra quase 12% do IBOVESPA.

Retorno mensal das estratégias e do IBOVESPA em 2014

Retorno mensal das estratégias e do IBOVESPA em 2014

O gráfico abaixo mostra o retorno acumulado das estratégias, do IBOVESPA e do CDI. Até o momento, parece que 2014 é mais um ano ruim para o mercado de ações: tanto o IBOVESPA como  as estratégias estão abaixo do CDI. Também fica claro que, com a exceção da estratégia de momentum, a volatilidade das estratégias é bem menor do que a do mercado.

Retorno acumulado das estratégias, IBOVESPA e CDI

Retorno acumulado das estratégias, IBOVESPA e CDI

 

A tabela abaixo apresenta as métricas de desempenho das estratégias, do IBOVESPA e do CDI, baseado em um backtest começando em janeiro de 2014. Vemos que o retorno total das estratégias está abaixo do CDI. A estratégia com melhor desempenho em termos de retorno acumulado até o momento é a carteira simples com ações de baixa volatilidade, que acumulou ganho de 5.37%, contra 7.15% do IBOVESPA. Apesar de estar abaixo do IBOVESPA, notamos que a volatilidade desta estratégia é significantemente menor do que a do índice: 15% contra 24%. Além disso, a perda máxima da carteira de baixa volatilidade foi de aproximadamente 12%, bastante inferior à perda máxima do IBOVESPA, confirmando que este tipo de carteira protege contra momentos de turbulência no mercado.

Métrica Variância Mínima Menor Volatilidade Menor Beta Momentum IBOVESPA CDI
Retorno Total (%) -3.98 5.37 1.39 0.79 7.15 8.77
CAGR (%) -4.64 6.33 1.63 0.92 8.44 10.35
Volatilidade (%) 10.02 15.33 12.61 19.5 24.02
Vol. Downside (%) 6.44 9.18 8.04 13.09 14.45
Índice de Sharpe -1.5 -0.27 -0.7 -0.49 -0.08
Índice de Sortino -2.34 -0.44 -1.09 -0.72 -0.14
Drawdown Máx. (%) 9.62 12.18 10.85 23.53 18.41
Pior Mês (%) -6 -6.66 -6.14 -17.32 -11.7
Beta 0.3 0.58 0.35 0.71 1
Correlação Benchmark 0.73 0.91 0.67 0.88 1
% Meses Positivos 48.57 48.1 50.95 50 47.62
VaR médio (%) 1.27 1.96 1.67 2.55 3.14

O negócio agora é acompanhar o que acontecerá com o mercado e as estratégias até o final do ano.