A valorização internacional do dólar é apenas uma parte (pequena) da história

Vi algumas fontes argumentando que a alta do dólar em relação ao real se deve à valorização internacional da moeda norte-americana.

O gráfico abaixo mostra a valorização do dólar versus uma cesta de várias moedas (Dollar Index da Bloomberg) e vs o real desde 2013 (normalizado para janeiro de 2013 = 100). A valorização internacional do dólar no período foi de 23%, enquanto a valorização contra o real foi de 94%. Uma conta de padeiro revela que 71% da desvalorização do real se deve não à valorização internacional do dólar, e sim à situação político-econômica do país, com uma aceleração notável desde meados de 2014. Note que a inflação em reais no período (IPCA) foi de 20%, ou seja, mesmo que a inflação no Brasil fosse descontada (afinal poderíamos argumentar que a inflação se deve em parte à alta internacional do dólar), ainda teríamos uma desvalorização real da moeda de 50%.

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Se olharmos apenas o período em que o movimento de alta acelerou (desde julho de 2014), a valorização internacional do dólar fica em 14%, enquanto a valorização frente ao real foi de 63%.

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Logo a valorização internacional do dólar é apenas uma parte (pequena) da história.

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Real é a 3ª moeda mais volátil

Do Portal Exame:

Um levantamento realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Depecon/Fiesp) mostra que o real foi a terceira moeda mais volátil do mundo entre setembro de 2008 e junho deste ano. Setembro foi o mês em que a crise mundial se aprofundou. Em um período mais longo, de 2003 a junho deste ano, a moeda brasileira pula para o primeiro lugar. “O real é o campeão da volatilidade tanto na valorização quanto na desvalorização”, diz o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca. “Essas oscilações trazem enorme insegurança. Os agentes não conseguem fazer um planejamento adequado.”

Na avaliação de Giannetti, esse vaivém ocorre por causa do “viés financeiro que prevalece na economia brasileira hoje”. “Esse capital entra e sai do País com muita liberdade. A estabilidade cambial é tão ou mais importante do que a monetária e cabe ao BC (Banco Central) cuidar disso”, afirmou.