Comentário: Luiz Carlos Mendonça de Barros sobre os BRIC

Em sua coluna de hoje no caderno Dinheiro da Folha de São Paulo (que só pode ser lido por assinantes do UOL e do jornal impresso, motivo pelo qual não fiz o comentário online), entitulada “Afinal, o que une os BRICs?”, o autor destaca a importância econômica dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) no futuro como o traço que os uniria. Com efeito, ele nota que os emergentes, de modo geral, vão ceifar uma parcela grande do poder econômico hoje pertencente aos países ricos.

Barros nota que um dos obstáculos para que esse processo se acelere é a falta de condições para a criação de um sistema monetário internacional mais equilibrado. Nem a China, diz ele, tem interesse de dividir com o dólar o papel de moeda-reserva. Após essas observações ele diz

Não por outra razão, o ímpeto oportunista da delegação brasileira em criticar o dólar e seu papel no mundo hoje foi devidamente calado pelas lideranças chinesas presentes ao encontro [dos BRICs]

Além de uma caracterização negativa da delegação brasileira, a qual achei infundada e desnessária, Barros parece ter esquecido que foi o próprio presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, que criticou há meses as falhas do sistema monetário internacional e sugeriu a criação de uma moeda internacional. A declaração final do encontro dos BRIC não fez menção direta a qualquer movimento de busca por uma alternativa ao dólar. Aqui, vale lembrar que os chineses são os maiores detentores de títulos americanos e, portanto, são os maiores interessados em evitar volatilidade na moeda, que implica em volatilidade em suas reservas. Por que os chineses quereriam dar mais uma declaração, quando já está clara a posição deles em relação ao dólar? O episódio serve para lembrar que uma mundança no sistema monetário internacional é coisa de longo prazo.

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Spread heaven

Spreads

(fonte: The Economist, 19/03/09)

Uma imagem vale mais do que mil palavras. A comparação do spread bancário brasileiro (diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram para emprestá-lo) com o de outros países mostra que muito está errado. Imbutido na figura acima estão vários componentes: lucros altíssimos dos bancos, a ineficiência do sistema judiciário no brasileiro (que obriga os bancos a manterem grandes provisões para os calotes, já que recuperar o dinheiro é difícil), impostos e o custo dos empréstimos subsidiados (agrícolas/pequenos negócios).