Dinheiro de helicóptero

Enquanto no Brasil as taxas de juros continuam altíssimas, nos países ricos ocorre o contrário. Diversos países possuem taxas de juros negativas há algum tempo. Ou seja, você paga pelo privilégio de emprestar dinheiro ao banco ou ao governo. Veja no gráfico abaixo as curvas de juros soberanos do Japão (vermelho), Reino Unido (laranja), Suíca (azul escuro), Alemanha (amarelo), Suécia (azul claro), EUA (verde) e Dinamarca (roxo). A linha branca é o zero. Vemos que, com exceção de EUA e Reino Unido, os demais países possuem taxas de juros soberanas negativas para diversas maturidades.

Curvas de juros soberanos, países ricos

Curvas de juros soberanos, países ricos

Os motivos são complexos, mas de uma forma geral podemos dizer que, após a crise de 2008, os bancos centrais se viram forçados a baixar os juros para estimular a economia. A premissa central é que o dinheiro mais barato estimularia o investimento e o consumo, gerando uma inflação saudável e “restartando” a economia. O problema é que a política monetária é um instrumento limitado, especialmente quando chegamos perto do zero. Os bancos centrais em diversos países (EUA, Reino Unido, Japão) então passaram a utilizar instrumentos monetários mais inovadores, como o chamado quantitative easing ou QE. Muitos no mercado alertaram que o QE era equivalente a imprimir dinheiro e que isto levaria o risco de hiperinflação. Porém, não só não houve aumento da inflação, como as economias continuaram deprimidas, algumas com deflação ou risco significante de deflação. Isto é esperado do ponto de vista do funcionamento operacional do QE, que basicamente é uma troca de ativos entre o banco central e o setor privado (o banco central retira títulos do setor privado e credita as contas dos participantes com reservas ou dinheiro eletrônico)*.  As reservas adicionais nas contas dos bancos não resultaram em aumentos significativos do crédito, uma vez que os bancos não decidem emprestar com base na quantidade de reservas, e sim com base no seu apetite ao risco e restrições de capital.

Isto nos traz à discussão que está ocorrendo agora, de utilizar o chamado helicopter money, uma ideia proposta originalmente por Milton Friedman. A ideia é que, se toda a população recebesse uma certa quantidade  de dinheiro, e (importante!) a expectativa da população fosse de que isto nunca mais ocorreria, as pessoas gastariam esse dinheiro inesperado, gerando um aumento na demanda. Esta ideia parece maluca, mas está sendo discutida de maneira séria em vários veículos (Financial Times, Economist, Bloomberg) e por economistas famosos como Paul Krugman.

HelicopterMoneyA ideia é simples, porém não há consenso sobre como ela poderia ser implementada (a alternativa mais razoável parece ser através de uma redução ou rebate em algum imposto). Porém, como coloca Krugman, é impossível saber quais seriam as expectativas ao testar esta política sem precedentes.

A conclusão a que chego: ainda não vimos o fim da crise que começou em 2008, e a ideia de usar um mecanismo como o helicopter money coloca sérias dúvidas sobre o funcionamento da economia mundial, e sobre a eficácia da política monetária de maneira geral.

Em tempo, para quem ficou curioso, veja abaixo o gráfico das curvas de juros, com a inclusão do Brasil (curva em reais) 🙂

Curvas de juros soberanos, países ricos + Brasil

Curvas de juros soberanos, países ricos + Brasil

* Recomendo o blog do Cullen Roche e este artigo para entender a dinâmica do QE.

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Todas as ações da Bovespa ordenadas por volatilidade

Este post é uma atualização de um outro que postei há muito tempo. A tabela abaixo contém todas as ações da BMF Bovespa, ordenadas por volatilidade. Foram utilizados alguns filtros, a saber: janela mínima de 2 anos, volume médio superior a R$500k por dia e operações em pelo menos 90% dos pregões.

Ticker Nome Setor Volatilidade Beta Retorno 1 mês Retorno 1 ano
WEGE3 WEG ON Bens Industriais 18.88% 0.15 9.84% 48.23%
CTIP3 CETIP ON Financeiro e Outros 20.97% 0.49 5.20% 16.83%
ABEV3 AMBEV SA ON Consumo não Cíclico 21.92% 0.54 5.86% 29.97%
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 21.99% 0.26 -7.93% -10.32%
PCAR4 PACUCAR-CBDPN Consumo não Cíclico 22.92% 0.58 -15.27% -32.75%
EQTL3 EQUATORIAL ON Utilidade Pública 23.40% 0.48 8.70% 44.47%
UGPA3 ULTRAPAR ON Financeiro e Outros 23.44% 0.71 -2.24% 27.75%
HYPE3 HYPERMARCAS ON Consumo não Cíclico 23.75% 0.64 -3.07% 10.73%
MDIA3 MDIASBRANCOON Consumo não Cíclico 23.92% 0.35 -5.35% -17.25%
BRFS3 BRF FOODS ON Consumo não Cíclico 24.15% 0.5 3.55% 26.94%
ODPV3 ODONTOPREV ON Consumo não Cíclico 24.77% 0.25 -0.54% 17.41%
CIEL3 CIELO ON Financeiro e Outros 25.11% 0.49 6.66% 19.98%
VIVT4 TELEF BRASILPN Telecomunicações 25.54% 0.52 1.65% 6.96%
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 25.56% 0.34 -5.68% 17.56%
GUAR3 GUARARAPES ON Consumo Cíclico 25.63% 0.36 -10.72% -41.73%
TBLE3 TRACTEBEL ON Utilidade Pública 26.24% 0.66 6.68% 11.18%
LAME4 LOJAS AMERICPN Consumo Cíclico 26.43% 0.74 6.70% 26.81%
PSSA3 PORTO SEGUROON Financeiro e Outros 26.91% 0.46 13.62% 32.67%
RENT3 LOCALIZA ON Consumo Cíclico 27.07% 0.7 -9.00% -18.62%
TRPL4 TRAN PAULISTPN Utilidade Pública 27.07% 0.47 -1.37% 37.58%
KLBN4 KLABIN S/A PN Materiais Básicos 27.29% 0.38 -1.05% 69.28%
ITUB3 ITAUUNIBANCOON ED Financeiro e Outros 27.48% 0.9 4.02% 7.28%
UNIP6 UNIPAR PNB Materiais Básicos 27.51% 0.29 1.03% 8.59%
GETI3 AES TIETE ON Utilidade Pública 27.62% 0.42 4.02% 10.27%
EMBR3 EMBRAER ON Bens Industriais 27.64% 0.18 -2.42% 9.97%
LAME3 LOJAS AMERIC ON Consumo Cíclico 27.89% 0.67 6.06% 14.60%
MULT3 MULTIPLAN ON Financeiro e Outros 27.93% 0.75 2.63% -8.49%
TUPY3 TUPY ON Bens Industriais 28.29% 0.27 5.60% -10.63%
ALPA4 ALPARGATAS PN Consumo Cíclico 28.31% 0.49 -6.33% -24.47%
CRUZ3 SOUZA CRUZ ON Consumo não Cíclico 28.33% 0.56 -0.33% 12.59%
SSBR3 SIERRABRASILON Financeiro e Outros 28.35% 0.35 -7.59% -0.87%
LREN3 LOJAS RENNERON INT Consumo Cíclico 28.40% 0.75 3.51% 60.16%
VLID3 VALID ON Bens Industriais 28.46% 0.38 5.15% 34.43%
CYRE3 CYRELA REALTON Construção e Transporte 28.68% 0.83 -0.73% -28.82%
ITSA4 ITAUSA PN Financeiro e Outros 29.07% 1.06 3.82% 12.21%
TOTS3 TOTVS ON Tecnologia da Informação 29.16% 0.34 1.08% 4.72%
FLRY3 FLEURY ON Consumo não Cíclico 29.49% 0.29 -1.03% 15.31%
GETI4 AES TIETE PN Utilidade Pública 29.64% 0.47 3.63% -3.58%
GRND3 GRENDENE ON Consumo Cíclico 29.69% 0.5 1.54% 29.37%
ABCB4 ABC BRASIL PN Financeiro e Outros 29.71% 0.6 2.32% -14.17%
IGTA3 IGUATEMI ON Financeiro e Outros 29.74% 0.71 3.41% 11.10%
RADL3 RAIADROGASIL ON Consumo não Cíclico 29.75% 0.32 11.11% 126.14%
ALSC3 ALIANSCE ON Financeiro e Outros 29.76% 0.82 -6.83% -22.60%
SMTO3 SAO MARTINHOON Consumo não Cíclico 29.76% 0.51 -2.42% -5.71%
ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED Financeiro e Outros 29.88% 1.1 3.97% 5.00%
BEMA3 BEMATECH ON Tecnologia da Informação 29.95% 0.34 3.77% 2.48%
SUZB5 SUZANO PAPELPNA INT Materiais Básicos 30.05% 0.16 -1.68% 84.71%
MYPK3 IOCHP-MAXION ON Bens Industriais 30.12% 0.53 4.47% -32.30%
LINX3 LINX ON Tecnologia da Informação 30.26% 0.17 -3.29% -4.93%
CESP6 CESP PNB Utilidade Pública 30.60% 0.71 -1.58% -19.08%
SLCE3 SLC AGRICOLAON Consumo não Cíclico 31.61% 0.18 7.40% 1.74%
FIBR3 FIBRIA ON Materiais Básicos 31.62% 0.17 -1.25% 83.59%
DTEX3 DURATEX ON Materiais Básicos 31.68% 0.81 -4.96% -8.40%
MPLU3 MULTIPLUS ON Consumo Cíclico 31.68% 0.32 -2.07% 16.14%
JSLG3 JSL ON Construção e Transporte 31.95% 0.48 -14.39% -12.25%
NATU3 NATURA ON Consumo não Cíclico 32.16% 0.71 -0.77% -23.38%
EZTC3 EZTEC ON Construção e Transporte 32.29% 0.81 -5.70% -28.65%
BBDC4 BRADESCO PN EDJ Financeiro e Outros 32.51% 1.22 3.83% 1.72%
BICB4 BICBANCO PN Financeiro e Outros 32.63% 0.13 1.17% 0.26%
AMAR3 LOJAS MARISA ON Consumo Cíclico 32.73% 0.44 -15.04% -38.39%
ECOR3 ECORODOVIAS ON Construção e Transporte 32.79% 0.79 -7.97% -47.93%
BBDC3 BRADESCO ON EDJ Financeiro e Outros 32.82% 1.16 4.18% -3.57%
CSAN3 COSAN ON Consumo não Cíclico 32.82% 0.86 -9.19% -32.28%
CCRO3 CCR SA ON Construção e Transporte 33.02% 0.9 2.17% -13.52%
QUAL3 QUALICORP ON Consumo não Cíclico 33.07% 0.51 4.31% -16.73%
BEEF3 MINERVA ON Consumo não Cíclico 33.08% 0.51 3.37% -3.15%
CPFE3 CPFL ENERGIAON Utilidade Pública 33.44% 0.94 0.73% -5.30%
CPLE6 COPEL PNB Utilidade Pública 33.93% 0.89 7.45% 5.37%
RAPT4 RANDON PART PN Bens Industriais 34.02% 0.72 -1.49% -46.72%
MAGG3 MAGNESITA SAON Materiais Básicos 34.49% 0.37 -10.51% -41.46%
QGEP3 QGEP PART ON Petróleo 34.85% 0.65 -12.04% -27.92%
VALE5 VALE PNA Materiais Básicos 34.90% 0.82 -17.42% -44.24%
ENBR3 ENERGIAS BR ON Utilidade Pública 35.43% 0.81 6.88% 9.29%
LIGT3 LIGHT S/A ON Utilidade Pública 35.59% 0.77 -4.83% -24.04%
CPLE3 COPEL ON Utilidade Pública 35.65% 0.78 6.39% 4.04%
GGBR4 GERDAU PN Materiais Básicos 35.65% 0.75 -20.14% -51.48%
DASA3 DASA ON Consumo não Cíclico 35.67% 0.34 -2.24% -32.43%
SBSP3 SABESP ON Utilidade Pública 36.07% 0.85 1.33% -26.55%
TCSA3 TECNISA ON Construção e Transporte 36.13% 0.88 -8.13% -53.69%
HGTX3 CIA HERING ON Consumo Cíclico 36.17% 0.68 2.02% -35.79%
BVMF3 BMFBOVESPA ON Financeiro e Outros 36.20% 1.2 0.86% 0.31%
DIRR3 DIRECIONAL ON Construção e Transporte 36.21% 0.71 2.64% -52.02%
CMIG4 CEMIG PN Utilidade Pública 36.48% 0.87 -14.71% -31.79%
GGBR3 GERDAU ON Materiais Básicos 36.64% 0.7 -19.42% -49.98%
TIMP3 TIM PART S/AON Telecomunicações 36.90% 0.59 0.31% -19.47%
ARZZ3 AREZZO CO ON Consumo Cíclico 37.01% 0.57 -2.33% -17.38%
BBRK3 BR BROKERS ON Construção e Transporte 37.03% 0.67 -7.30% -25.54%
BRKM5 BRASKEM PNA Materiais Básicos 37.06% 0.59 -6.27% -5.69%
BRML3 BR MALLS PARON Financeiro e Outros 37.06% 1.13 -0.07% -23.29%
CMIG3 CEMIG ON Utilidade Pública 37.08% 0.77 -14.50% -31.49%
BRAP4 BRADESPAR PN Financeiro e Outros 37.29% 0.97 -15.93% -50.33%
EVEN3 EVEN ON Construção e Transporte 37.34% 1.03 -7.69% -48.61%
GOAU4 GERDAU MET PN Materiais Básicos 37.59% 0.82 -32.39% -70.64%
LPSB3 LOPES BRASILON Construção e Transporte 37.87% 0.49 -11.62% -42.31%
TGMA3 TEGMA ON Construção e Transporte 38.01% 0.43 -20.70% -44.39%
ARTR3 ARTERIS ON Construção e Transporte 38.03% 0.53 -3.78% -49.36%
HBOR3 HELBOR ON Construção e Transporte 38.16% 0.78 0% -62.84%
VALE3 VALE ON Materiais Básicos 38.54% 0.9 -15.88% -41.17%
LOGN3 LOG-IN ON Construção e Transporte 38.98% 0.38 -3.08% -49.36%
BRPR3 BR PROPERT ON Financeiro e Outros 39.45% 0.77 1.05% -22.59%
POMO4 MARCOPOLO PN Bens Industriais 39.73% 0.67 -8.29% -39.70%
JBSS3 JBS ON Consumo não Cíclico 39.85% 0.96 0.13% 98.18%
JHSF3 JHSF PART ON Construção e Transporte 39.88% 0.73 10.80% -49.94%
TECN3 TECHNOS ON Consumo Cíclico 40.62% 0.58 -8.15% -48.22%
ESTC3 ESTACIO PARTON Consumo Cíclico 40.95% 0.64 -14.08% -38.21%
MRVE3 MRV ON Construção e Transporte 41.42% 1.1 2.74% 16.62%
KEPL3 KEPLER WEBERON Bens Industriais 41.50% 0.29 14.47% -33.65%
BRSR6 BANRISUL PNB Financeiro e Outros 41.62% 0.77 -6.35% -23.39%
ELET6 ELETROBRAS PNB Utilidade Pública 41.69% 1.09 -8.90% -22.53%
LLIS3 LE LIS BLANCON Consumo Cíclico 41.71% 0.39 -22.01% -11.03%
KROT3 KROTON ON Consumo Cíclico 42.43% 0.77 -7.69% -23.69%
BBAS3 BRASIL ON Financeiro e Outros 42.77% 1.38 5.79% -5.94%
PFRM3 PROFARMA ON Consumo não Cíclico 43.13% 0.26 4.70% -51.98%
CSMG3 COPASA ON INT Utilidade Pública 45.00% 0.51 -4.66% -62.82%
PMAM3 PARANAPANEMAON Materiais Básicos 45.34% 0.61 -4.77% 33.92%
SLED4 SARAIVA LIVRPN Consumo Cíclico 45.48% 0.41 5.81% -68.81%
IDNT3 IDEIASNET ON Tecnologia da Informação 45.53% 0.23 -5.80% -50.79%
MILS3 MILLS ON Construção e Transporte 46.24% 0.59 -10.27% -69.84%
VAGR3 V-AGRO ON Consumo não Cíclico 46.33% 0.33 -3.49% -66.45%
ELET3 ELETROBRAS PNA Utilidade Pública 46.73% 1.31 -7.92% -10.96%
MGLU3 MAGAZ LUIZA ON Consumo Cíclico 46.87% 0.66 -21.30% -65.98%
USIM5 USIMINAS PNA Materiais Básicos 48.71% 0.93 -12.21% -53.94%
ELPL4 ELETROPAULO PN Utilidade Pública 49.17% 1.04 9.21% 56.36%
MRFG3 MARFRIG ON Consumo não Cíclico 49.22% 1.12 31.53% -13.06%
GFSA3 GAFISA ON Construção e Transporte 49.36% 1.34 6.09% -32.22%
TPIS3 TRIUNFO PARTON Construção e Transporte 49.72% 0.48 8.90% -39.17%
BPHA3 BR PHARMA ON Consumo não Cíclico 50.41% 0.27 -14.77% -76.99%
GOLL4 GOL PN Construção e Transporte 50.49% 1.18 -21.73% -55.84%
CSNA3 SID NACIONALON Materiais Básicos 51.05% 1.2 -24.58% -57.37%
PETR4 PETROBRAS PN Petróleo 51.97% 1.8 -9.24% -38.79%
PETR3 PETROBRAS ON Petróleo 52.05% 1.81 -6.55% -25.24%
FJTA4 FORJA TAURUSPN Bens Industriais 56.30% 0.22 -16.38% -82.97%
PDGR3 PDG REALT ON Construção e Transporte 61.27% 1.27 17.65% -69.81%
BTOW3 B2W VAREJO ON Consumo Cíclico 62.78% 0.65 -8.93% -30.78%
RSID3 ROSSI RESID ON Construção e Transporte 67.39% 1.46 -15.75% -85.09%
OIBR4 OI PN Telecomunicações 70.05% 0.97 -15.98% -65.96%
OIBR3 OI ON Telecomunicações 71.57% 1 -13.59% -66.23%
USIM3 USIMINAS ON Materiais Básicos 73.04% 0.89 -29.12% 46.63%
BRIN3 BR INSURANCEON Financeiro e Outros 73.67% 0.23 -9.86% -88.51%
RNAR3 RENAR ON Consumo não Cíclico 90.45% 0.45 9.59% 0%
MMXM3 MMX MINER ON Materiais Básicos 93.82% 0.85 -17.31% -74.40%
OGXP3 OGX PETROLEOON Petróleo 113.07% 1.25 0% -68.42%
JBDU4 J B DUARTE PN Financeiro e Outros 128.31% 0.45 -6.34% -86.23%
LUPA3 LUPATECH ON Bens Industriais 173.58% 0.74 -60% -95.61%

 

A arte de não prestar atenção no ruído

Compartilhando um post interessante no blog Motley Fool sobre a tendência dos investidores de focarem demais nos acontecimentos recentes. Este comportamento miópico está relacionado ao chamado “viés de recência“, o viés cognitivo que leva as pessoas a dar um peso demasiadamente grande para os acontecimentos recentes, em detrimento das tendências ou evidências de longo prazo*.

Obviamente estou falando de investidores cujo horizonte de investimento é relativamente longo. Para um day trader ou mesmo alguém que faz stock picking, faz todo o sentido focar no curto prazo. Já para um investidor passivo, que rebalanceia sua carteira com uma frequência baixa e cujo horizonte é de muitos anos ou décadas, que sentido faz checar o que acontece no mercado a cada minuto?  Este investidor está tentando se beneficiar de retornos que serão realizados ao longo de meses e anos. Se ele possui uma estratégia de investimento bem definida, basta segui-la. Isto não significa que não se deva prestar atenção ao que acontece no mercado. Mas se a carteira de investimento está alinhada com a estratégia e o perfil de risco do investidor, não é preciso saber o que acontece no mercado a cada minuto e o investidor deveria poder dormir tranquilamente, com a segurança de que sua carteira possui o nível de risco desejado.

Quando focamos muito nas notícias e movimentos recentes, surge uma tendência ou até uma tentação de mexer nos investimentos, já que há uma sensação de que precisamos reagir às notícias e eventos. Isto tende a ser ruim por vários motivos. Em primeiro lugar, quanto maior a movimentação nos investimentos, mais dinheiro perdemos com taxas e custos de operação. Em segundo lugar, já não é trivial definir uma estratégia de investimento e montar uma carteira para um horizonte longo. Quando tentamos “acertar” o que acontecerá baseado em pequenos sinais observados no mercado, a chance de acertar tende a zero em 99.99% dos casos. Finalmente, quando um investidor altera a composição de sua carteira baseado em acontecimentos muitas vezes irrelevantes, torna-se difícil avaliar a eficácia da estratégia, pois o resultado realizado não está alinhado com a estratégia.

A mídia financeira vende a ideia oposta: cada movimento do mercado deve ser analisado minuciosamente; as altas e baixas são explicadas por especialistas citando todos os fatores internos e externos que levaram aos resultados do dia. Há uma sensação de urgência, de que tudo o que está ocorrendo é importante, quando na verdade a maioria dos dias traz movimentos praticamente aleatórios. Hoje, por exemplo, o IBOVESPA fechou em baixa de 1,26%. O Valor nos explica que  “operadores relataram um movimento de realização de lucro liderado por investidores estrangeiros”. Todo dia haverá uma explicação nesta linha, com os principais “drivers” da movimentação diária. Estas explicações ex-post são, essencialmente, inúteis. O mercado de ações é, bem, um mercado. Para cada comprador, há um vendedor. Não houve “mais vendores ou bears” do que “compradores ou bulls” e a variação do dia é impossível de se prever com qualquer grau de precisão.

Resumindo, gostei do post do Motley e vai muito na linha do que acredito. Acho que nestes casos vale a máxima “menos é mais”: informação demais sobre o mercado pode não ser benéfica. Eu leio muito e acompanho o mercado financeiro diariamente, pois faz parte do meu trabalho. Porém, é importante desenvolver um “filtro” para separar o relevante do resto.

 

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*Quando há um desastre aéreo, por exemplo, muitas pessoas tornam-se receosas de viajar de avião, apesar de as estatísticas demonstrarem que este é um dos meios de transporte mais seguros.

Entrevista com Mohamed El-Erian

Entrevista interessante com El-Erian, ex-CEO/CIO da Pimco. El-Erian Acredita que estamos próximos de uma bolha nos mercados deenvolvidos, devido às ações dos bancos centrais nos países desenvolvidos:

Q. Where is your money? Stocks? Treasuries? Bonds?

A. It is mostly concentrated in cash. That’s not great, given that it gets eaten up by inflation. But I think most asset prices have been pushed by central banks to very elevated levels.

Q. So we’re nearing a bubble?

A. Go back to central banks. Central banks look at growth, at employment, at wages. They are too low. They don’t have the instruments they need, but they feel obliged to do something. So they artificially lift asset prices by maintaining zero interest rates and by using their balance sheet to buy assets.

Why? Because they hope that they will trigger what’s called the wealth effect. That you will open your 401k, see it has gone up in price, and you’ll spend. And that companies will see their shares are going up and they will be more willing to invest. But there is a massive gap right now between asset prices and fundamentals.

Brazil vs California

Um amigo me passou este texto, no qual o autor (estadunidense) argumenta lula_arnoldque investir no Brasil é uma aposta mais segura do que investir na Califórnia. De fato, a California está sendo notícia por pagar suas contas emitindo notas promissórias (os IOUs, de “I owe you”, uma promessa de pagar numa data futura, veja aqui quem está sendo pago com dinheiro, e quem está sendo pago com as promissórias), já que o Governator não conseguiu chegar a um acordo para fechar seu monstruoso déficit orçamentário que está na faixa de U$26 bi (aprox. R$52 bi).

Empresas de rating como a S&P e Fitch já mudaram o status do Brasil para investment grade há algum tempo. A Moody’s deve fazer o mesmo ainda este ano, baseando-se no fato de o país estar aguentando a recessão atual com tranquilidade e também pelo apetite do governo brasileiro em diversificar nossas reservas e diminuir a exposição ao dólar. Enquanto isso, os títulos da California – o estado mais rico dos EUA – acabaram de ser rebaixados para BBB – a um passo de se tornarem junk bonds.

Pobre Mr. Schwarzenneger.

Rápida da Economist

De acordo com o Butonwood, blog da Economist sobre mercados financeiros, demoraria 360 anos para um investidor dobrar seu capital investindo em depósitos de dólar. Enquanto os outros leitores que comentaram o post discutiram a relação risco-retorno de ações e FX, um outro leitor foi mais pragmático:

O dólar ainda vai estar por aí em 360 anos?

Muito boa :).

Brasil dos juros baixos

Com a diminuição gradual da taxa de juros básica brasileira, o país deixou, recentemente, de encabeçar a lista dos países com maiores juros reais no mundo. Juros reais equivalem à taxa de juros nominais, determinada pelo BC, ajustada pela inflação. O número 1 da lista agora é a China, com juros reais de 6.6% ao ano, seguida pela Hungria (6,4% aa). O Brasil está em terceirão, com 5,8% (de acordo com a consultoria UpTrend, leia aqui).

A tendência é de queda. O Brasil já está em um patamar no qual não é justificável ter uma taxa de juros tão alta. Afastado o espectro da inflação, que nos traumatizou em décadas passadas, e dado o período de austeridade pelo qual temos passado no governo Lula, o provável é que os juro sigam caindo. Isso trará consequências enormes para diversos segmentos da sociedade. E a mentalidade do brasileiro, acostumado a ser rentista com juro alto e sem risco, terá de mudar. Quem quiser retorno mais alto, terá de se expor a risco maior.

Impacto dos juros baixos

Os bancos estão entre os mais afetados por uma taxa de juros mais baixa, pois terão de diminuir o spread (diferença entre a taxa de juros que os bancos captam dinheiro e a taxa a qual emprestam aos clientes) e, com isso, diminuir seus lucros. O Banco do Brasil aumentou ontem em R$13 bi o capital disponível para empréstimo aos correntistas, além de diminuir taxas de juros em 9 modalidades de crédito. Acusado pela mídia de tomar a decisão sob pressão do governo, o banco justificou-se com os argumentos de ter revisto os critérios de risco de crédito (agora similares aos dos concorrentes privados) e de que a exposição ao risco do BB continuou a mesma. Isso é importante, porque a inadimplência do brasileiro tem aumentado com a crise. Contudo, haverá ganhos de escala com juros mais baixos, já que mais pessoas e empresas podem tomar empréstimos se o dinheiro for mais barato. Os bancos precisarão balancear suas carteiras e expandir o crédito.

Outro segmento que já está sendo afetado pelos juros menores são os planos de previdência. Tipicamente, os fundos de previdência investem uma parcela do dinheiro dos cotistas em renda fixa, e outra em renda variável. Eles têm metas a alcançar, determinadas levando em consideração fatores atuarias, como a expectativa de vida dos aposentados, e econômicos, como rendimento de diversos investimentos. Juros menores significam que fica mais difícil alcançar a meta (que geralmente é a inflação mais uma taxa) investindo em renda fixa. Esses fundos deverão, portanto, aportar mais capital no mercado de ações, o que já atrai investidores estrangeiros para o Brasil, ávidos pelo aumento que a pressão compradora causará no preço das ações.

O comércio varejista, acostumado a extrair boa parte dos lucros de operações de crédito – e não da venda de produtos – também terá de se adaptar. Estima-se que 60% do lucro do setor vem da operação financeira (estimativa do Prof. Cláudio Felisoni da USP). Mas a festa irá acabar em breve.

Finalmente, a queda dos juros afetará também o governo, com a diminuição das dívidas, já que a captação do dinheiro fica mais barata. Dinheiro que era usado para pagar juros pode ser usado em investimento.

Enfim, o processo de queda dos juros exigirá do Brasil (e dos brasileiros) paciência e maturidade. O país tem muito a ganhar com a queda dos juros, e com a mudança de mentalidade que essa queda trará.