Entrevista com Mohamed El-Erian

Entrevista interessante com El-Erian, ex-CEO/CIO da Pimco. El-Erian Acredita que estamos próximos de uma bolha nos mercados deenvolvidos, devido às ações dos bancos centrais nos países desenvolvidos:

Q. Where is your money? Stocks? Treasuries? Bonds?

A. It is mostly concentrated in cash. That’s not great, given that it gets eaten up by inflation. But I think most asset prices have been pushed by central banks to very elevated levels.

Q. So we’re nearing a bubble?

A. Go back to central banks. Central banks look at growth, at employment, at wages. They are too low. They don’t have the instruments they need, but they feel obliged to do something. So they artificially lift asset prices by maintaining zero interest rates and by using their balance sheet to buy assets.

Why? Because they hope that they will trigger what’s called the wealth effect. That you will open your 401k, see it has gone up in price, and you’ll spend. And that companies will see their shares are going up and they will be more willing to invest. But there is a massive gap right now between asset prices and fundamentals.

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China acusa EUA de fomentar carry trade gigante

Do FT. É um pouco o sujo falando do mal-lavado…A China acusa a política monetária estadunidense de manter os juros baixos e o dólar fraco, enquanto  mantém o yuan depreciado há anos para favorecer suas exportações. Por outro lado, se alguém pode reclamar são os chineses, maiores compradores de títulos do governo dos EUA.

Brazil vs California

Um amigo me passou este texto, no qual o autor (estadunidense) argumenta lula_arnoldque investir no Brasil é uma aposta mais segura do que investir na Califórnia. De fato, a California está sendo notícia por pagar suas contas emitindo notas promissórias (os IOUs, de “I owe you”, uma promessa de pagar numa data futura, veja aqui quem está sendo pago com dinheiro, e quem está sendo pago com as promissórias), já que o Governator não conseguiu chegar a um acordo para fechar seu monstruoso déficit orçamentário que está na faixa de U$26 bi (aprox. R$52 bi).

Empresas de rating como a S&P e Fitch já mudaram o status do Brasil para investment grade há algum tempo. A Moody’s deve fazer o mesmo ainda este ano, baseando-se no fato de o país estar aguentando a recessão atual com tranquilidade e também pelo apetite do governo brasileiro em diversificar nossas reservas e diminuir a exposição ao dólar. Enquanto isso, os títulos da California – o estado mais rico dos EUA – acabaram de ser rebaixados para BBB – a um passo de se tornarem junk bonds.

Pobre Mr. Schwarzenneger.

Novo pacote de estímulo?

Paul Krugman indaga sobre a cobertura parcial da mídia em geral e no caso da crise atual, mesmo quando o que vai conta a opinião “mainstream” está sendo dito por pessoas respeitáveis e de ótima reputação.

Após duas rodadas de medidas para estimular a economia estadunidense (corte de impostos em fevereiro/2008, ainda na administração Bush, e o pacote do governo Obama, passado em fevereiro/2009), ainda não está claro como, quando e em que dimensão se dará a recuperação. De acordo com Krugman, a voz dos economistas que sugerem que um terceiro estímulo é necessário não tem repercussão na mídia, apesar do fato de a lista incluir vários prêmios Nobel e uma boa porção dos economistas que previu o crash no mercado imobiliário.

Keynesianismo militar

Do democrata Barney Frank, sobre os republicanos que reclamaram do déficit americano mas querem manter os fundos para o F-22, um projeto de 2 bilhões de dólares para um caça que nunca voou:

These arguments will come from the very people who denied that the economic recovery plan created any jobs. We have a very odd economic philosophy in Washington: It’s called weaponized Keynesianism. It is the view that the government does not create jobs when it funds the building of bridges or important research or retrains workers, but when it builds airplanes that are never going to be used in combat, that is of course economic salvation.

Via Blog do Paul Krugman, via Think Progress.

Concordata da GM

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A GM entrou hoje com pedido de concordata sob o Capítulo 11 da lei de falência dos EUA. Após negociações complicadas, envolvendo o sindicato dos trabalhadores da indústria automobilística e os credores, os donos da GM passam a ser: os governos canadense e estadunidense (72.5%), o sindicato (UAW, 10%) e os credores (10%).

É no mínimo irônico pensarmos que uma empresa que até algumas décadas atrás fabricava mais da metade dos carros vendidos nos EUA foi socializada e, ainda por cima, com capital emprestado dos chineses, que afinal de contas são os maiores credores dos títulos americanos.

A efetiva socialização da GM (e de seus prejuízos) é mais um episódio do genêro catalizado pela crise financeira. O contribuinte americano já tem participações no Citi e na Chrysler, além de ter pagado a conta dos resgates da mega-seguradora AIG, do Bank of America e das instituições hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. Há quem diga que a crise atual não é precursora de uma mudança estrutural no sistema capitalista. Mas qualquer que seja o desfeche, a ideologia dos mercados livres e autoregulados está hoje tão forte quanto a GM.