Todas as ações da BOVESPA – Fev 2016

Update do post regular com algumas estatísticas das ações da BM&FBOVESPA, ordenadas por volatilidade.

Interessante notar a relação negativa entre volatilidade e beta e retornos realizados, o contrário do esperado de acordo com a teoria de finanças.

Vol vs Ret Fev2016

Beta vs Ret Fev2016

Ticker Nome Setor Volatilidade Beta Retorno 1 mês Retorno 1 ano
ABEV3 AMBEV SA ON Consumo não Cíclico 22.56% 0.58 11.10% 5.39%
CTIP3 CETIP ON Financeiro e Outros 23.19% 0.54 -0.63% 15.70%
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 23.91% 0.3 -0.82% -15.16%
EQTL3 EQUATORIAL ON Utilidade Pública 24.71% 0.52 8.97% 44.52%
WEGE3 WEG ON Bens Industriais 25.52% 0.3 -1.02% -8.10%
UGPA3 ULTRAPAR ON Financeiro e Outros 25.58% 0.76 8.66% 11.86%
LEVE3 METAL LEVE ON Bens Industriais 25.79% 0.21 0.21% 19.68%
BRFS3 BRF FOODS ON Consumo não Cíclico 26.19% 0.5 18.09% -13.66%
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 26.57% 0.27 26.15% 22.01%
ODPV3 ODONTOPREV ON Consumo não Cíclico 26.62% 0.4 10.57% 5.78%
MDIA3 MDIASBRANCOON Consumo não Cíclico 28.30% 0.44 6.47% -23.85%
TBLE3 TRACTEBEL ON Utilidade Pública 28.48% 0.73 14.45% 15.23%
EMBR3 EMBRAER ON Bens Industriais 28.49% 0.32 7.95% 15.47%
TRPL4 TRAN PAULISTPN Utilidade Pública 28.50% 0.5 10.80% 15.02%
VIVT4 TELEF BRASILPN Telecomunicações 28.71% 0.62 11.28% -27.31%
SSBR3 SIERRABRASILON Financeiro e Outros 29.11% 0.36 -6% -6.63%
TUPY3 TUPY ON Bens Industriais 29.96% 0.24 -8.11% 7.30%
CYRE3 CYRELA REALTON Construção e Transporte 29.97% 0.72 14.01% -25.73%
FLRY3 FLEURY ON Consumo não Cíclico 30.12% 0.31 7.25% 12.44%
CIEL3 CIELO ON Financeiro e Outros 30.20% 0.67 -1.23% -9.28%
ITUB3 ITAUUNIBANCOON ED Financeiro e Outros 30.33% 0.97 10.48% -16.36%
GUAR3 GUARARAPES ON Consumo Cíclico 30.45% 0.41 15.71% -43.71%
MULT3 MULTIPLAN ON Financeiro e Outros 30.79% 0.8 13.98% -11.93%
RADL3 RAIADROGASIL ON Consumo não Cíclico 30.79% 0.44 17.99% 68.44%
LREN3 LOJAS RENNERON INT Consumo Cíclico 30.80% 0.78 7.78% 13.56%
HYPE3 HYPERMARCAS ON Consumo não Cíclico 30.98% 0.68 13.79% 33.86%
LAME4 LOJAS AMERICPN Consumo Cíclico 31.19% 0.83 10.89% 21.30%
GRND3 GRENDENE ON Consumo Cíclico 31.35% 0.48 4.61% 8.88%
VLID3 VALID ON Bens Industriais 31.47% 0.42 10.15% -7.42%
KLBN4 KLABIN S/A PN Materiais Básicos 31.60% 0.42 1.38% 18.35%
ALSC3 ALIANSCE ON Financeiro e Outros 31.64% 0.79 1.42% -30.98%
PCAR4 PACUCAR-CBDPN Consumo não Cíclico 31.64% 0.8 28.29% -51.90%
ABCB4 ABC BRASIL PN Financeiro e Outros 31.65% 0.69 10.13% -19.82%
MPLU3 MULTIPLUS ON Consumo Cíclico 31.97% 0.37 -15.79% -16.90%
LAME3 LOJAS AMERIC ON Consumo Cíclico 32.04% 0.79 9.23% -4.96%
IGTA3 IGUATEMI ON Financeiro e Outros 32.18% 0.76 9.03% -17.46%
LINX3 LINX ON Tecnologia da Informação 32.25% 0.26 1.07% -3.50%
ITSA4 ITAUSA PN Financeiro e Outros 32.29% 1.12 7.76% -21.82%
SMTO3 SAO MARTINHOON Consumo não Cíclico 32.77% 0.49 3.01% 36.50%
RENT3 LOCALIZA ON Consumo Cíclico 33.56% 0.78 13.23% -30.72%
SLCE3 SLC AGRICOLAON Consumo não Cíclico 33.63% 0.25 11.51% 29.66%
FIBR3 FIBRIA ON Materiais Básicos 33.90% 0.07 -7.94% 17.52%
PSSA3 PORTO SEGUROON Financeiro e Outros 33.96% 0.56 10.35% -8.22%
ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED Financeiro e Outros 33.99% 1.2 10.89% -18.90%
TOTS3 TOTVS ON Tecnologia da Informação 34.20% 0.49 13.43% -6.72%
ALPA4 ALPARGATAS PN Consumo Cíclico 34.67% 0.45 3.90% 6.61%
EZTC3 EZTEC ON Construção e Transporte 34.69% 0.8 9.69% -12.60%
DTEX3 DURATEX ON Materiais Básicos 35.13% 0.82 30.90% -14.12%
SUZB5 SUZANO PAPELPNA INT Materiais Básicos 35.25% 0.06 2.27% 25.85%
BBDC3 BRADESCO ON EDJ Financeiro e Outros 35.49% 1.22 23.34% -20.83%
ARTR3 ARTERIS ON Construção e Transporte 35.65% 0.42 3.50% -12.44%
BEEF3 MINERVA ON Consumo não Cíclico 35.71% 0.53 4.13% 43.60%
CESP6 CESP PNB Utilidade Pública 35.92% 0.75 23.31% -23.63%
CSAN3 COSAN ON Consumo não Cíclico 36.05% 0.9 9.11% -5.17%
BBDC4 BRADESCO PN EDJ Financeiro e Outros 36.16% 1.29 20.61% -28.33%
ENBR3 ENERGIAS BR ON Utilidade Pública 36.25% 0.8 14.22% 47.11%
BVMF3 BMFBOVESPA ON Financeiro e Outros 36.48% 1.13 11.85% 23.08%
CPFE3 CPFL ENERGIAON Utilidade Pública 36.48% 0.99 16.35% -2.33%
NATU3 NATURA ON Consumo não Cíclico 36.61% 0.78 29.63% 1.03%
MYPK3 IOCHP-MAXION ON Bens Industriais 37.18% 0.52 -5.30% -13.91%
MRVE3 MRV ON Construção e Transporte 37.33% 0.87 17.09% 44.75%
SBSP3 SABESP ON Utilidade Pública 37.50% 0.82 18.62% 50.72%
MAGG3 MAGNESITA SAON Materiais Básicos 37.58% 0.34 11.82% 66.77%
ARZZ3 AREZZO CO ON Consumo Cíclico 37.85% 0.62 -3.56% -24.82%
CCRO3 CCR SA ON Construção e Transporte 38.19% 0.99 15.89% -18.45%
QUAL3 QUALICORP ON Consumo não Cíclico 38.46% 0.61 1.10% -40.43%
CPLE6 COPEL PNB Utilidade Pública 38.54% 0.98 27.89% -21.35%
AMAR3 LOJAS MARISA ON Consumo Cíclico 38.64% 0.47 57.53% -48.36%
JSLG3 JSL ON Construção e Transporte 38.73% 0.51 0% -33.68%
EVEN3 EVEN ON Construção e Transporte 38.83% 0.87 15.25% 10.63%
BRML3 BR MALLS PARON Financeiro e Outros 39.06% 1.12 19.26% -16.14%
CPLE3 COPEL ON Utilidade Pública 39.06% 0.87 23.67% -24.50%
TIMP3 TIM PART S/AON Telecomunicações 39.13% 0.65 6.65% -45.94%
TCSA3 TECNISA ON Construção e Transporte 39.18% 0.76 2.47% -27.83%
HGTX3 CIA HERING ON Consumo Cíclico 39.90% 0.65 14.53% -12.58%
RAPT4 RANDON PART PN Bens Industriais 40.12% 0.82 3.68% -52.59%
DIRR3 DIRECIONAL ON Construção e Transporte 42.27% 0.71 23.12% -26.89%
ECOR3 ECORODOVIAS ON Construção e Transporte 42.63% 0.95 28.82% -56.81%
BRPR3 BR PROPERT ON Financeiro e Outros 43.28% 0.72 10.65% -16.72%
BRKM5 BRASKEM PNA Materiais Básicos 43.64% 0.53 7.55% 113.49%
QGEP3 QGEP PART ON Petróleo 43.86% 0.81 -2.53% -33.21%
JHSF3 JHSF PART ON Construção e Transporte 44.45% 0.72 4.92% -38.16%
HBOR3 HELBOR ON Construção e Transporte 44.54% 0.7 8.61% -52.98%
LIGT3 LIGHT S/A ON Utilidade Pública 44.67% 0.87 34.46% -29.81%
ELET6 ELETROBRAS PNB Utilidade Pública 45.08% 1.07 19.95% 58.25%
VALE5 VALE PNA Materiais Básicos 45.29% 1.04 39.67% -48.52%
GFSA3 GAFISA ON Construção e Transporte 45.33% 1.08 15.91% 22.60%
POMO4 MARCOPOLO PN Bens Industriais 45.47% 0.66 2.01% -14.27%
GGBR4 GERDAU PN Materiais Básicos 45.65% 0.91 24.40% -58.33%
JBSS3 JBS ON Consumo não Cíclico 45.79% 0.91 11.37% -0.01%
GGBR3 GERDAU ON Materiais Básicos 46.22% 0.87 24.21% -60.89%
LPSB3 LOPES BRASILON Construção e Transporte 46.48% 0.5 -6.44% -61.10%
TGMA3 TEGMA ON Construção e Transporte 46.76% 0.59 16.14% -75.18%
BRSR6 BANRISUL PNB Financeiro e Outros 47.41% 1.01 29.08% -50.12%
CMIG4 CEMIG PN Utilidade Pública 47.89% 1.05 39.15% -45.81%
KEPL3 KEPLER WEBERON Bens Industriais 48.00% 0.47 -1.21% -61.34%
BRAP4 BRADESPAR PN Financeiro e Outros 48.48% 1.21 45.54% -63.42%
CMIG3 CEMIG ON Utilidade Pública 48.65% 0.96 34.75% -44.93%
BBRK3 BR BROKERS ON Construção e Transporte 48.78% 0.58 10.27% -42.09%
MRFG3 MARFRIG ON Consumo não Cíclico 48.84% 1.02 10.77% 33.61%
BBAS3 BRASIL ON Financeiro e Outros 48.92% 1.56 4.69% -38.16%
ELPL4 ELETROPAULO PN Utilidade Pública 49.16% 0.94 21.35% -3.35%
ELET3 ELETROBRAS PNA Utilidade Pública 49.41% 1.24 21.73% 20.34%
ESTC3 ESTACIO PARTON Consumo Cíclico 49.49% 0.75 14.91% -32.99%
KROT3 KROTON ON Consumo Cíclico 49.57% 0.96 23.26% -16.46%
VALE3 VALE ON Materiais Básicos 50.29% 1.18 45.51% -38.78%
PFRM3 PROFARMA ON Consumo não Cíclico 50.55% 0.36 29.53% -9.38%
VAGR3 V-AGRO ON Consumo não Cíclico 50.96% 0.26 15.53% -76.25%
BTOW3 B2W VAREJO ON Consumo Cíclico 53.41% 0.4 -13.34% -44.66%
GOAU4 GERDAU MET PN Materiais Básicos 54.41% 1.04 43.43% -86.97%
CSMG3 COPASA ON INT Utilidade Pública 55.68% 0.57 28.52% -20.27%
IDNT3 IDEIASNET ON Tecnologia da Informação 55.73% 0.14 5.65% 7.45%
SLED4 SARAIVA LIVRPN Consumo Cíclico 56.07% 0.49 38.41% -6.54%
PMAM3 PARANAPANEMAON Materiais Básicos 56.29% 0.84 15.28% -29.06%
USIM5 USIMINAS PNA Materiais Básicos 59.56% 0.94 -9% -77.52%
MILS3 MILLS ON Construção e Transporte 59.81% 0.76 9.44% -59.46%
PETR4 PETROBRAS PN Petróleo 60.36% 1.97 14.29% -47.88%
PETR3 PETROBRAS ON Petróleo 61.62% 2.01 19.32% -22.33%
LLIS3 LE LIS BLANCON Consumo Cíclico 62.49% 0.44 261.11% 0.70%
CSNA3 SID NACIONALON Materiais Básicos 64.19% 1.33 48.41% 1.09%
MGLU3 MAGAZ LUIZA ON Consumo Cíclico 68.78% 0.82 43.22% -63.58%
GOLL4 GOL PN Construção e Transporte 71.53% 1.32 70.69% -81.83%
LOGN3 LOG-IN ON Construção e Transporte 73.27% 0.37 6.94% -77.68%
OIBR4 OI PN Telecomunicações 76.13% 0.92 22% -71.85%
OIBR3 OI ON Telecomunicações 76.27% 0.85 5.05% -66.57%
BPHA3 BR PHARMA ON Consumo não Cíclico 77.08% 0.34 16.54% -89.89%
USIM3 USIMINAS ON Materiais Básicos 80.80% 0.83 -7.42% -79.85%
BRIN3 BR INSURANCEON Financeiro e Outros 81.66% 0.21 9.57% -60.70%
PDGR3 PDG REALT ON Construção e Transporte 90.73% 1.31 222.70% -73.15%
RSID3 ROSSI RESID ON Construção e Transporte 100.36% 1.33 95.65% -71.58%
TERI3 TEREOS ON Consumo não Cíclico 136.28% 0.36 10.67% 5.66%
LUPA3 LUPATECH ON Bens Industriais 152.43% 0.65 -16.03% -96.33%

 

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O efeito de momento em ações

O efeito de momento é a tendência observada no mercado de as ações ganhadoras continuarem a ganhar, e das perdedoras continuarem a perder. Geralmente ela é definida em termos de um corte transversal no universo das ações disponíveis, de acordo com o retorno passado. Ou seja, as ações são ordenadas com base no retorno em um período passado (por exemplo, últimos 6 meses) e forma-se uma carteira long-short com posições compradas nos papéis com maior retorno, e posições vendidas nos papéis de menor retorno. Geralmente são considerados os 10% superiores e inferiores das ações para formar as carteiras. A figura abaixo, na qual cada barra representa o retorno de uma ação,  mostra este processo.

Momentum

O efeito de momento foi documentado por Jegadeesh e Titman (1993). Porém, está relacionado com a ideia de tendência nos preços, a qual existe há muito tempo. Em um artigo que publiquei em 2013, usei um modelo de mudanças de regime para investigar a persistência do prêmio de momento no mercado americano ao longo do período 1927-2010. A conclusão foi que o prêmio de momento havia desaparecido desde o início dos anos 2000, muito provavelmente devido à atividade cada vez maior de investidores sofisticados que tentam arbitrar este retorno.

Um artigo recente investiga o prêmio de momento até 2014, estudando a estratégia de momento no corte transversal (cross-section momentum), descrita acima, assim como uma versão chamada de momento de séries temporais (times series momentum), na qual as carteiras vencedora/perdedora são montadas considerando todas as ações com retorno positivo/negativo no período de formação. O artigo também investiga uma estratégia que combina as duas versões de momento (dual momentum).

O gráfico abaixo mostra o retorno acumulado destas estratégias. A estratégia de momento combinada (dual momentum) tem resultado melhor do que a de séries temporais, que por sua vez supera a estratégia de momento no corte transversal das ações. Porém, é interessante notar que o resultado de todas as estratégias, desde o final de 1999, é nulo ou até negativo, em linha com a conclusão a que eu tinha chegado com a amostra até 2010.

dual-momentum-on-stocks

Efeito de Momento no Brasil

A evidência do efeito de momento no Brasil é mista. Por exemplo, Bonomo e Dall’Agnol (2003) investigaram estratégias de investimento contrárias (basicamente o oposto das estratégias de momentum) e não encontraram evidência do efeito de momentum; de fato as estratégias contrárias nos horizontes curtos em que momentum funciona nos mercados desenvolvidos parece maior. Porém o estudo foi feito em períodos de grandes mudanças no mercado brasileiro e com uma amostra até 2000. Mussa et al (2007)  investigaram a estratégia de momento de Jegadeesh e Titman e encontraram evidência de retornos anormais apenas para algumas versões da estratégia. Estudos subsequentes (Mussa et al (2008) e Valle e Flister et al (2011)) mostraram resultados divergentes, sem diferença significativa entre o retorno das ações ganhadoras e perdedoras.

Em um post anterior, eu investiguei superficialmente o efeito de momento no mercado brasileiro, porém considerando apenas o lado comprado da estratégia, e encontrei alguma evidência de que é possível obter retornos bastante superiores ao do mercado, tanto utilizando uma carteira igualmente ponderada, como o índice Ibovespa. A estratégia pode ser melhorada quando combinada com alguma regra para evitar perdas em períodos de volatilidade acentuada no mercado. Uma ideia interessante seria testar no mercado brasileiro a estratégia de momento de séries temporais e a estratégia de momento combinada.

 

Novos índices de ações COPPEAD/Valor

O Valor Econômico, em conjunto com o COPPEAD, lançou recentemente dois índices de ações. Um deles é uma carteira igualmente ponderada dos 20 ativos com maior índice de Sharpe dentro do universo do IbrX. O outro índice representa uma carteira de variância mínima com algumas restrições.

O leitor do blog sabe que venho defendendo investimentos deste tipo há algum tempo, especialmente os investimentos em ações de baixa volatilidade ou variância mínima. Diversos artigos (inclusive o meu) demonstram a superioridade destas carteiras em relação a índices comumente utilizados, como o Ibovespa. Porém, na minha experiência, uma carteira igualmente ponderada das ações com menor volatilidade geralmente supera a carteira de variância mínima.

Estilização do problema de alocação

De qualquer maneira, é um avanço. Agora, o que falta é algum gestor vender um ETF que acompanhe esses índices a um custo baixo. Isto permitiria ao investidor comum obter um retorno superior, com risco menor, e com um custo operacional menor do que o de replicar o índice diretamente através da compra direta das ações.

Todas as ações da Bovespa ordenadas por volatilidade

Este post é uma atualização de um outro que postei há muito tempo. A tabela abaixo contém todas as ações da BMF Bovespa, ordenadas por volatilidade. Foram utilizados alguns filtros, a saber: janela mínima de 2 anos, volume médio superior a R$500k por dia e operações em pelo menos 90% dos pregões.

Ticker Nome Setor Volatilidade Beta Retorno 1 mês Retorno 1 ano
WEGE3 WEG ON Bens Industriais 18.88% 0.15 9.84% 48.23%
CTIP3 CETIP ON Financeiro e Outros 20.97% 0.49 5.20% 16.83%
ABEV3 AMBEV SA ON Consumo não Cíclico 21.92% 0.54 5.86% 29.97%
CGAS5 COMGAS PNA Utilidade Pública 21.99% 0.26 -7.93% -10.32%
PCAR4 PACUCAR-CBDPN Consumo não Cíclico 22.92% 0.58 -15.27% -32.75%
EQTL3 EQUATORIAL ON Utilidade Pública 23.40% 0.48 8.70% 44.47%
UGPA3 ULTRAPAR ON Financeiro e Outros 23.44% 0.71 -2.24% 27.75%
HYPE3 HYPERMARCAS ON Consumo não Cíclico 23.75% 0.64 -3.07% 10.73%
MDIA3 MDIASBRANCOON Consumo não Cíclico 23.92% 0.35 -5.35% -17.25%
BRFS3 BRF FOODS ON Consumo não Cíclico 24.15% 0.5 3.55% 26.94%
ODPV3 ODONTOPREV ON Consumo não Cíclico 24.77% 0.25 -0.54% 17.41%
CIEL3 CIELO ON Financeiro e Outros 25.11% 0.49 6.66% 19.98%
VIVT4 TELEF BRASILPN Telecomunicações 25.54% 0.52 1.65% 6.96%
COCE5 COELCE PNA Utilidade Pública 25.56% 0.34 -5.68% 17.56%
GUAR3 GUARARAPES ON Consumo Cíclico 25.63% 0.36 -10.72% -41.73%
TBLE3 TRACTEBEL ON Utilidade Pública 26.24% 0.66 6.68% 11.18%
LAME4 LOJAS AMERICPN Consumo Cíclico 26.43% 0.74 6.70% 26.81%
PSSA3 PORTO SEGUROON Financeiro e Outros 26.91% 0.46 13.62% 32.67%
RENT3 LOCALIZA ON Consumo Cíclico 27.07% 0.7 -9.00% -18.62%
TRPL4 TRAN PAULISTPN Utilidade Pública 27.07% 0.47 -1.37% 37.58%
KLBN4 KLABIN S/A PN Materiais Básicos 27.29% 0.38 -1.05% 69.28%
ITUB3 ITAUUNIBANCOON ED Financeiro e Outros 27.48% 0.9 4.02% 7.28%
UNIP6 UNIPAR PNB Materiais Básicos 27.51% 0.29 1.03% 8.59%
GETI3 AES TIETE ON Utilidade Pública 27.62% 0.42 4.02% 10.27%
EMBR3 EMBRAER ON Bens Industriais 27.64% 0.18 -2.42% 9.97%
LAME3 LOJAS AMERIC ON Consumo Cíclico 27.89% 0.67 6.06% 14.60%
MULT3 MULTIPLAN ON Financeiro e Outros 27.93% 0.75 2.63% -8.49%
TUPY3 TUPY ON Bens Industriais 28.29% 0.27 5.60% -10.63%
ALPA4 ALPARGATAS PN Consumo Cíclico 28.31% 0.49 -6.33% -24.47%
CRUZ3 SOUZA CRUZ ON Consumo não Cíclico 28.33% 0.56 -0.33% 12.59%
SSBR3 SIERRABRASILON Financeiro e Outros 28.35% 0.35 -7.59% -0.87%
LREN3 LOJAS RENNERON INT Consumo Cíclico 28.40% 0.75 3.51% 60.16%
VLID3 VALID ON Bens Industriais 28.46% 0.38 5.15% 34.43%
CYRE3 CYRELA REALTON Construção e Transporte 28.68% 0.83 -0.73% -28.82%
ITSA4 ITAUSA PN Financeiro e Outros 29.07% 1.06 3.82% 12.21%
TOTS3 TOTVS ON Tecnologia da Informação 29.16% 0.34 1.08% 4.72%
FLRY3 FLEURY ON Consumo não Cíclico 29.49% 0.29 -1.03% 15.31%
GETI4 AES TIETE PN Utilidade Pública 29.64% 0.47 3.63% -3.58%
GRND3 GRENDENE ON Consumo Cíclico 29.69% 0.5 1.54% 29.37%
ABCB4 ABC BRASIL PN Financeiro e Outros 29.71% 0.6 2.32% -14.17%
IGTA3 IGUATEMI ON Financeiro e Outros 29.74% 0.71 3.41% 11.10%
RADL3 RAIADROGASIL ON Consumo não Cíclico 29.75% 0.32 11.11% 126.14%
ALSC3 ALIANSCE ON Financeiro e Outros 29.76% 0.82 -6.83% -22.60%
SMTO3 SAO MARTINHOON Consumo não Cíclico 29.76% 0.51 -2.42% -5.71%
ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED Financeiro e Outros 29.88% 1.1 3.97% 5.00%
BEMA3 BEMATECH ON Tecnologia da Informação 29.95% 0.34 3.77% 2.48%
SUZB5 SUZANO PAPELPNA INT Materiais Básicos 30.05% 0.16 -1.68% 84.71%
MYPK3 IOCHP-MAXION ON Bens Industriais 30.12% 0.53 4.47% -32.30%
LINX3 LINX ON Tecnologia da Informação 30.26% 0.17 -3.29% -4.93%
CESP6 CESP PNB Utilidade Pública 30.60% 0.71 -1.58% -19.08%
SLCE3 SLC AGRICOLAON Consumo não Cíclico 31.61% 0.18 7.40% 1.74%
FIBR3 FIBRIA ON Materiais Básicos 31.62% 0.17 -1.25% 83.59%
DTEX3 DURATEX ON Materiais Básicos 31.68% 0.81 -4.96% -8.40%
MPLU3 MULTIPLUS ON Consumo Cíclico 31.68% 0.32 -2.07% 16.14%
JSLG3 JSL ON Construção e Transporte 31.95% 0.48 -14.39% -12.25%
NATU3 NATURA ON Consumo não Cíclico 32.16% 0.71 -0.77% -23.38%
EZTC3 EZTEC ON Construção e Transporte 32.29% 0.81 -5.70% -28.65%
BBDC4 BRADESCO PN EDJ Financeiro e Outros 32.51% 1.22 3.83% 1.72%
BICB4 BICBANCO PN Financeiro e Outros 32.63% 0.13 1.17% 0.26%
AMAR3 LOJAS MARISA ON Consumo Cíclico 32.73% 0.44 -15.04% -38.39%
ECOR3 ECORODOVIAS ON Construção e Transporte 32.79% 0.79 -7.97% -47.93%
BBDC3 BRADESCO ON EDJ Financeiro e Outros 32.82% 1.16 4.18% -3.57%
CSAN3 COSAN ON Consumo não Cíclico 32.82% 0.86 -9.19% -32.28%
CCRO3 CCR SA ON Construção e Transporte 33.02% 0.9 2.17% -13.52%
QUAL3 QUALICORP ON Consumo não Cíclico 33.07% 0.51 4.31% -16.73%
BEEF3 MINERVA ON Consumo não Cíclico 33.08% 0.51 3.37% -3.15%
CPFE3 CPFL ENERGIAON Utilidade Pública 33.44% 0.94 0.73% -5.30%
CPLE6 COPEL PNB Utilidade Pública 33.93% 0.89 7.45% 5.37%
RAPT4 RANDON PART PN Bens Industriais 34.02% 0.72 -1.49% -46.72%
MAGG3 MAGNESITA SAON Materiais Básicos 34.49% 0.37 -10.51% -41.46%
QGEP3 QGEP PART ON Petróleo 34.85% 0.65 -12.04% -27.92%
VALE5 VALE PNA Materiais Básicos 34.90% 0.82 -17.42% -44.24%
ENBR3 ENERGIAS BR ON Utilidade Pública 35.43% 0.81 6.88% 9.29%
LIGT3 LIGHT S/A ON Utilidade Pública 35.59% 0.77 -4.83% -24.04%
CPLE3 COPEL ON Utilidade Pública 35.65% 0.78 6.39% 4.04%
GGBR4 GERDAU PN Materiais Básicos 35.65% 0.75 -20.14% -51.48%
DASA3 DASA ON Consumo não Cíclico 35.67% 0.34 -2.24% -32.43%
SBSP3 SABESP ON Utilidade Pública 36.07% 0.85 1.33% -26.55%
TCSA3 TECNISA ON Construção e Transporte 36.13% 0.88 -8.13% -53.69%
HGTX3 CIA HERING ON Consumo Cíclico 36.17% 0.68 2.02% -35.79%
BVMF3 BMFBOVESPA ON Financeiro e Outros 36.20% 1.2 0.86% 0.31%
DIRR3 DIRECIONAL ON Construção e Transporte 36.21% 0.71 2.64% -52.02%
CMIG4 CEMIG PN Utilidade Pública 36.48% 0.87 -14.71% -31.79%
GGBR3 GERDAU ON Materiais Básicos 36.64% 0.7 -19.42% -49.98%
TIMP3 TIM PART S/AON Telecomunicações 36.90% 0.59 0.31% -19.47%
ARZZ3 AREZZO CO ON Consumo Cíclico 37.01% 0.57 -2.33% -17.38%
BBRK3 BR BROKERS ON Construção e Transporte 37.03% 0.67 -7.30% -25.54%
BRKM5 BRASKEM PNA Materiais Básicos 37.06% 0.59 -6.27% -5.69%
BRML3 BR MALLS PARON Financeiro e Outros 37.06% 1.13 -0.07% -23.29%
CMIG3 CEMIG ON Utilidade Pública 37.08% 0.77 -14.50% -31.49%
BRAP4 BRADESPAR PN Financeiro e Outros 37.29% 0.97 -15.93% -50.33%
EVEN3 EVEN ON Construção e Transporte 37.34% 1.03 -7.69% -48.61%
GOAU4 GERDAU MET PN Materiais Básicos 37.59% 0.82 -32.39% -70.64%
LPSB3 LOPES BRASILON Construção e Transporte 37.87% 0.49 -11.62% -42.31%
TGMA3 TEGMA ON Construção e Transporte 38.01% 0.43 -20.70% -44.39%
ARTR3 ARTERIS ON Construção e Transporte 38.03% 0.53 -3.78% -49.36%
HBOR3 HELBOR ON Construção e Transporte 38.16% 0.78 0% -62.84%
VALE3 VALE ON Materiais Básicos 38.54% 0.9 -15.88% -41.17%
LOGN3 LOG-IN ON Construção e Transporte 38.98% 0.38 -3.08% -49.36%
BRPR3 BR PROPERT ON Financeiro e Outros 39.45% 0.77 1.05% -22.59%
POMO4 MARCOPOLO PN Bens Industriais 39.73% 0.67 -8.29% -39.70%
JBSS3 JBS ON Consumo não Cíclico 39.85% 0.96 0.13% 98.18%
JHSF3 JHSF PART ON Construção e Transporte 39.88% 0.73 10.80% -49.94%
TECN3 TECHNOS ON Consumo Cíclico 40.62% 0.58 -8.15% -48.22%
ESTC3 ESTACIO PARTON Consumo Cíclico 40.95% 0.64 -14.08% -38.21%
MRVE3 MRV ON Construção e Transporte 41.42% 1.1 2.74% 16.62%
KEPL3 KEPLER WEBERON Bens Industriais 41.50% 0.29 14.47% -33.65%
BRSR6 BANRISUL PNB Financeiro e Outros 41.62% 0.77 -6.35% -23.39%
ELET6 ELETROBRAS PNB Utilidade Pública 41.69% 1.09 -8.90% -22.53%
LLIS3 LE LIS BLANCON Consumo Cíclico 41.71% 0.39 -22.01% -11.03%
KROT3 KROTON ON Consumo Cíclico 42.43% 0.77 -7.69% -23.69%
BBAS3 BRASIL ON Financeiro e Outros 42.77% 1.38 5.79% -5.94%
PFRM3 PROFARMA ON Consumo não Cíclico 43.13% 0.26 4.70% -51.98%
CSMG3 COPASA ON INT Utilidade Pública 45.00% 0.51 -4.66% -62.82%
PMAM3 PARANAPANEMAON Materiais Básicos 45.34% 0.61 -4.77% 33.92%
SLED4 SARAIVA LIVRPN Consumo Cíclico 45.48% 0.41 5.81% -68.81%
IDNT3 IDEIASNET ON Tecnologia da Informação 45.53% 0.23 -5.80% -50.79%
MILS3 MILLS ON Construção e Transporte 46.24% 0.59 -10.27% -69.84%
VAGR3 V-AGRO ON Consumo não Cíclico 46.33% 0.33 -3.49% -66.45%
ELET3 ELETROBRAS PNA Utilidade Pública 46.73% 1.31 -7.92% -10.96%
MGLU3 MAGAZ LUIZA ON Consumo Cíclico 46.87% 0.66 -21.30% -65.98%
USIM5 USIMINAS PNA Materiais Básicos 48.71% 0.93 -12.21% -53.94%
ELPL4 ELETROPAULO PN Utilidade Pública 49.17% 1.04 9.21% 56.36%
MRFG3 MARFRIG ON Consumo não Cíclico 49.22% 1.12 31.53% -13.06%
GFSA3 GAFISA ON Construção e Transporte 49.36% 1.34 6.09% -32.22%
TPIS3 TRIUNFO PARTON Construção e Transporte 49.72% 0.48 8.90% -39.17%
BPHA3 BR PHARMA ON Consumo não Cíclico 50.41% 0.27 -14.77% -76.99%
GOLL4 GOL PN Construção e Transporte 50.49% 1.18 -21.73% -55.84%
CSNA3 SID NACIONALON Materiais Básicos 51.05% 1.2 -24.58% -57.37%
PETR4 PETROBRAS PN Petróleo 51.97% 1.8 -9.24% -38.79%
PETR3 PETROBRAS ON Petróleo 52.05% 1.81 -6.55% -25.24%
FJTA4 FORJA TAURUSPN Bens Industriais 56.30% 0.22 -16.38% -82.97%
PDGR3 PDG REALT ON Construção e Transporte 61.27% 1.27 17.65% -69.81%
BTOW3 B2W VAREJO ON Consumo Cíclico 62.78% 0.65 -8.93% -30.78%
RSID3 ROSSI RESID ON Construção e Transporte 67.39% 1.46 -15.75% -85.09%
OIBR4 OI PN Telecomunicações 70.05% 0.97 -15.98% -65.96%
OIBR3 OI ON Telecomunicações 71.57% 1 -13.59% -66.23%
USIM3 USIMINAS ON Materiais Básicos 73.04% 0.89 -29.12% 46.63%
BRIN3 BR INSURANCEON Financeiro e Outros 73.67% 0.23 -9.86% -88.51%
RNAR3 RENAR ON Consumo não Cíclico 90.45% 0.45 9.59% 0%
MMXM3 MMX MINER ON Materiais Básicos 93.82% 0.85 -17.31% -74.40%
OGXP3 OGX PETROLEOON Petróleo 113.07% 1.25 0% -68.42%
JBDU4 J B DUARTE PN Financeiro e Outros 128.31% 0.45 -6.34% -86.23%
LUPA3 LUPATECH ON Bens Industriais 173.58% 0.74 -60% -95.61%

 

A arte de não prestar atenção no ruído

Compartilhando um post interessante no blog Motley Fool sobre a tendência dos investidores de focarem demais nos acontecimentos recentes. Este comportamento miópico está relacionado ao chamado “viés de recência“, o viés cognitivo que leva as pessoas a dar um peso demasiadamente grande para os acontecimentos recentes, em detrimento das tendências ou evidências de longo prazo*.

Obviamente estou falando de investidores cujo horizonte de investimento é relativamente longo. Para um day trader ou mesmo alguém que faz stock picking, faz todo o sentido focar no curto prazo. Já para um investidor passivo, que rebalanceia sua carteira com uma frequência baixa e cujo horizonte é de muitos anos ou décadas, que sentido faz checar o que acontece no mercado a cada minuto?  Este investidor está tentando se beneficiar de retornos que serão realizados ao longo de meses e anos. Se ele possui uma estratégia de investimento bem definida, basta segui-la. Isto não significa que não se deva prestar atenção ao que acontece no mercado. Mas se a carteira de investimento está alinhada com a estratégia e o perfil de risco do investidor, não é preciso saber o que acontece no mercado a cada minuto e o investidor deveria poder dormir tranquilamente, com a segurança de que sua carteira possui o nível de risco desejado.

Quando focamos muito nas notícias e movimentos recentes, surge uma tendência ou até uma tentação de mexer nos investimentos, já que há uma sensação de que precisamos reagir às notícias e eventos. Isto tende a ser ruim por vários motivos. Em primeiro lugar, quanto maior a movimentação nos investimentos, mais dinheiro perdemos com taxas e custos de operação. Em segundo lugar, já não é trivial definir uma estratégia de investimento e montar uma carteira para um horizonte longo. Quando tentamos “acertar” o que acontecerá baseado em pequenos sinais observados no mercado, a chance de acertar tende a zero em 99.99% dos casos. Finalmente, quando um investidor altera a composição de sua carteira baseado em acontecimentos muitas vezes irrelevantes, torna-se difícil avaliar a eficácia da estratégia, pois o resultado realizado não está alinhado com a estratégia.

A mídia financeira vende a ideia oposta: cada movimento do mercado deve ser analisado minuciosamente; as altas e baixas são explicadas por especialistas citando todos os fatores internos e externos que levaram aos resultados do dia. Há uma sensação de urgência, de que tudo o que está ocorrendo é importante, quando na verdade a maioria dos dias traz movimentos praticamente aleatórios. Hoje, por exemplo, o IBOVESPA fechou em baixa de 1,26%. O Valor nos explica que  “operadores relataram um movimento de realização de lucro liderado por investidores estrangeiros”. Todo dia haverá uma explicação nesta linha, com os principais “drivers” da movimentação diária. Estas explicações ex-post são, essencialmente, inúteis. O mercado de ações é, bem, um mercado. Para cada comprador, há um vendedor. Não houve “mais vendores ou bears” do que “compradores ou bulls” e a variação do dia é impossível de se prever com qualquer grau de precisão.

Resumindo, gostei do post do Motley e vai muito na linha do que acredito. Acho que nestes casos vale a máxima “menos é mais”: informação demais sobre o mercado pode não ser benéfica. Eu leio muito e acompanho o mercado financeiro diariamente, pois faz parte do meu trabalho. Porém, é importante desenvolver um “filtro” para separar o relevante do resto.

 

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*Quando há um desastre aéreo, por exemplo, muitas pessoas tornam-se receosas de viajar de avião, apesar de as estatísticas demonstrarem que este é um dos meios de transporte mais seguros.

IBOV vs IBrX – Qual o menos pior?

Os dois índices mais utilizados no mercado brasileiro são o IBOV e o IBrX, sendo que o IBOV é o mais antigo (existe desde 1968) e também o mais importante. Até recentemente, havia uma diferença conceitual grande entre os dois índices: o IBOV ponderava as ações com base na liquidez, enquanto o IBrX pondera as ações pelo valor de mercado. No início de 2014, a metodologia de cálculo do IBOV foi alterada e a ponderação passou a ser feita de maneira similar à do IBrX. Além disto, o IBrX procura conter 100 ações entre as mais negociadas, dentro de certo critérios de liquidez, enquanto o IBOV historicamente tem tido um número bem menor de papéis.

Como medidas amplas do desempenho do mercado de ações brasileiros, os índices são bastante utilizados como benchmarks para medir o desempenho relativo de fundos e carteiras de ações. Tenho usado sempre o IBOV nas comparações das estratégias que apresento aqui no blog.

É notável que, nestas comparações que faço aqui no blog, o IBOV costuma estar abaixo do CDI. Quando isto ocorre, significa que o investidor teria se dado melhor simplesmente deixando o dinheiro “parado” no banco, do que investimento no mercado de ações. Isto sem contar que o IBOV não leva em consideração nenhum custo, ou seja, na prática o resultado de um investidor que faz tracking do IBOV é pior ainda. Conforme venho mostrando aqui, é relativamente fácil superar o IBOV através de regras simples e mecânicas de seleção de ações (ver por exemplo este post).

O fato de o IBOV perder do CDI em períodos curtos, de 1 ou mesmo 2 anos, seria absolutamente normal. Porém, como as taxas de juros no Brasil são muito altas, os índices de ações perdem do ativo livre de risco (CDI) ao longo de períodos bem mais longos. O gráfico abaixo apresenta o retorno acumulado do IBOV (verde), IBrX (branco) e CDI (roxo), entre 1996 até o final de abril de 2015. Neste período de quase 20 anos, o IBOV expôs o investidor a um alto risco (volatilidade anual de 33%), porém entregou retorno inferior ao do CDI. Apesar disto, o retorno anual do IBOV no período ainda foi alto: 14.1%, o que significa que o capital inicial do investidor foi multiplado por um fator de 12. O IBrX ficou acima do CDI, com um retorno anualizado de 17.6% e uma volatilidade um pouco menor do que a do IBOV (29.6%). Entretanto, considerando o retorno ajustado ao risco (índice de Sharpe), o IBrX também não se sai bem: o índice de Sharpe foi próximo de 0.

IBOV CDI 1996-2005

IBOV IBrX CDI
CAGR 14.1% 17.6% 16.4%
Retorno total 1160.2% 2156.2% 1765.0%
Volatilidade 33.2% 29.6%
Sharpe -0.07 0.04

Pegando um período mais recente, de 2006 até abril de 2015, temos uma situação ainda pior. Tanto o IBOV como o IBrX perdem para o CDI. Os retornos anuais ficam em 5.5% (IBOV) e 8.4% (IBrX), contra 10.9% d CDI. Além disso, os índices estão em patamares similares aos de 2007 (IBOV) e 2008 (IBrX). Ou seja, temos um período entre 7 a 8 anos no qual o retorno total do mercado de ações, medido pelos índices, foi igual a zero, e um período de mais de 9 anos no qual o retorno foi abaixo do CDI.

IBOV CDI 2006-2005

IBOV IBrX CDI
CAGR 5.5% 8.4% 10.9%
Retorno total 65.1% 111.2% 162.1%
Volatilidade 28.7% 27.6%
Sharpe -0.38 -0.29

Algumas conclusões:

  • Com a mudança no cálculo de IBOV, a diferença entre os dois índices tornou-se bem menor. Porém, como podemos ver pelo primeiro gráfico, faz muita diferença considerar o IBrX como benchmark, principalmente quando consideramos resultados (históricos ou de backtests) de períodos longos.
  • O fato de a taxa básica de juros no Brasil ser tão alta, especialmente nos períodos mais antigos, torna a comparação entre ativos de risco e o ativo livre de risco difícil no nosso mercado.
  • Mesmo assim, existem estratégias simples para investir em ações, com critérios mecânicos para selecionar as ações, que permitem obter um retorno no mercado de ativos de risco compatível com o risco tomado.
  • Já demorou para lançarem um ETF utilizando alguma destas estratégias!

Desempenho das estratégias em 2014

O ano de 2014 terminou e foi mais um ano ruim para o mercado de ações brasileiro. Apesar de ter passado boa parte do ano com lucro, o IBOVESPA terminou o ano ligeiramente negativo, porém bem melhor que em 2013, quando o índice perdeu quase 20%. Naquele ano, as estratégias quantitativas que temos discutido aqui no blog se saíram bem e teriam ajudado um investidor a proteger seu patrimônio. Vamos ver como elas se saíram em 2014?

Relembrando, as estratégias são as seguintes:

  • Variância Mínima – a estratégia consiste em montar a carteira com o menor risco (volatilidade) possível, através da otimização de Markowitz (ver este post e também este artigo);
  • Baixa volatilidade – divide o capital igualmente entre as 20 ações com a menor volatilidade;
  • Baixo beta – divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).
  • Momentum – divide o capital igualmente entre as 20 ações com maior retorno nos últimos 6 meses.

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente e, para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. O resultado abaixo apresenta apenas o ano de 2014.

Desempenho das estratégias em 2014

O gráfico abaixo apresenta o retorno das estratégias, do IBOVESPA e do CDI em 2014. Vemos que todas as estratégias, assim como o IBOVESPA, ficaram abaixo do CDI no ano. Porém, enquanto o IBOVESPA apresentou perda de -0,65% no ano, todas as estratégias tiveram retorno positivo. Em particular, a estratégia bem simples de comprar as ações de baixa volatilidade terminou o ano com valorização de 7,56%.

Retorno anual

Retorno anual

 

Em termos de volatilidade, vemos no gráfico abaixo que as estratégias tiveram variações menores do que o IBOVESPA. A volatilidade anual do IBOVESPA ficou em quase 25%, enquanto as estratégias tiveram volatilidades entre 14% e 21%. A volatilidade da estratégia de comprar as 20 ações de menor volatilidade foi 25% menor do que a do IBOVESPA, o que é impressionante, considerando o pequeno número de ações na carteira. A estratégia que minimiza a volatilidade da carteira teve volatilidade ainda menor, de 14%.

Volatilidade anual

Volatilidade anual

Finalmente, a perda máxima (maximum drawdown) das estratégias em 2014 foi, com exceção da estratégia de momentum, muito inferior à do índice. O IBOVESPA chegou a estar perdendo 24% em relação ao seu pico no ano. A estratégia de momentum também apresentou perda similar. As estratégias mais conservadoras, por outro lado, tiveram desvalorização máxima com relação às suas máximas no ano da ordem de 14 a 15%, o que confirma sua importância na proteção do capital em momentos de crise.

Perda Máxima

Perda Máxima

O gráfico abaixo apresenta o retorno acumulado das estratégias, do IBOVESPA e do CDI.

EQUITY

 

A tabela abaixo apresenta todas as métricas de desempenho das estratégias, do IBOVESPA e do CDI. Note que não fiz comparações do índice de Sharpe e Sortino, dado que as estratégias ficaram abaixo do CDI.

Acompanhamos aqui no blog, em tempo real, o desempenho de estratégias simples e mecânicas para montar carteiras que não só tiveram desempenho superior ao do mercado como um todo, como também risco bem menor.  Em 2013, ano em que o IBOVESPA perdeu quase 20%, as estratégias de baixa volatilidade teriam ajudado o investidor a preservar seu patrimônio. Em 2014, o mercado não foi bom, porém as estratégias conseguiram retornos positivos. Vamos ver o que 2015 reserva!

Métrica Variância Mínima Menor Volatilidade Menor Beta Momentum IBOVESPA CDI
CAGR (%) 1.51 7.56 1.73 2.67 -0.65 10.46
Volatilidade (%) 14.26 18.47 15.2 21.36 24.94
Vol.Downside (%) 8.92 11.67 9.44 14.1 15.19
Índice de Sharpe -0.63 -0.16 -0.58 -0.37 -0.45
Índice de Sortino -1.01 -0.25 -0.93 -0.55 -0.73
Perda Máxima (%) 14.13 14.71 15.74 23.75 24.05
Pior Mês (%) -7.22 -8.53 -7.75 -16.88 -11.7 0.76
Beta 0.46 0.69 0.47 0.76 1
Correlação IBOVESPA 0.81 0.93 0.78 0.89 1
% Meses Positivos 50.79 48.41 50.4 48.41 46.43 1
VaR Médio (%) 2.04 2.61 2.15 2.93 3.55

Desempenho das Estratégias – Outubro 2014

A última vez que atualizei o desempenho das estratégias foi no final de agosto. Desde então, tivemos eleições e grande volatilidade no mercado brasileiro. Vejamos como as estratégias se saíram em comparação com o mercado.

Relembrando, as estratégias são as seguintes:

  • Variância Mínima – a estratégia consiste em montar a carteira com o menor risco (volatilidade) possível, através da otimização de Markowitz (ver este post e também este artigo);
  • Baixa volatilidade – divide o capital igualmente entre as 20 ações com a menor volatilidade;
  • Baixo beta – divide o capital igualmente entre as 20 ações com menor beta (medido com relação ao IBOVESPA).
  • Momentum – divide o capital igualmente entre as 20 ações com maior retorno nos últimos 6 meses.

Todas as carteiras acima são rebalanceadas mensalmente e, para comparação justa com o IBOVESPA, não são incluídos custos operacionais. O resultado abaixo apresenta apenas o ano de 2014.

Desempenho das estratégias em 2014

O gráfico abaixo apresenta o retorno mensal das estratégias e do IBOVESPA desde janeiro. Vemos que no mês de agosto o IBOVESPA apresentou um retorno de quase 10%, acumulando praticamente 20% de ganho no ano.  No mês de setembro houve uma reversão, com o IBOVESPA devolvendo uma boa parte destes ganhos (aproximadamente 12%). Em outubro o mercado apresentou alta volatilidade mas terminou o mês com ganho de 2%.

A estratégia de Momentum, que aposta em papéis que tiveram alta recente, superou o IBOVESPA em agosto com um ganho de 13%, porém sofreu uma reversão ainda mais forte em setembro, desvalorizando 17% e ficando negativa no ano.

Por outro lado, vemos que as estratégias de baixa volatilidade, variância mínima e baixo beta se comportaram da maneira esperada: ficaram para trás em agosto, quando o mercado teve forte alta, porém sofreram uma perda muito menor no momento de estresse do mercado em setembro. A carteira de variância mínima, por exemplo, perdeu apenas 3.8% em setembro, contra quase 12% do IBOVESPA.

Retorno mensal das estratégias e do IBOVESPA em 2014

Retorno mensal das estratégias e do IBOVESPA em 2014

O gráfico abaixo mostra o retorno acumulado das estratégias, do IBOVESPA e do CDI. Até o momento, parece que 2014 é mais um ano ruim para o mercado de ações: tanto o IBOVESPA como  as estratégias estão abaixo do CDI. Também fica claro que, com a exceção da estratégia de momentum, a volatilidade das estratégias é bem menor do que a do mercado.

Retorno acumulado das estratégias, IBOVESPA e CDI

Retorno acumulado das estratégias, IBOVESPA e CDI

 

A tabela abaixo apresenta as métricas de desempenho das estratégias, do IBOVESPA e do CDI, baseado em um backtest começando em janeiro de 2014. Vemos que o retorno total das estratégias está abaixo do CDI. A estratégia com melhor desempenho em termos de retorno acumulado até o momento é a carteira simples com ações de baixa volatilidade, que acumulou ganho de 5.37%, contra 7.15% do IBOVESPA. Apesar de estar abaixo do IBOVESPA, notamos que a volatilidade desta estratégia é significantemente menor do que a do índice: 15% contra 24%. Além disso, a perda máxima da carteira de baixa volatilidade foi de aproximadamente 12%, bastante inferior à perda máxima do IBOVESPA, confirmando que este tipo de carteira protege contra momentos de turbulência no mercado.

Métrica Variância Mínima Menor Volatilidade Menor Beta Momentum IBOVESPA CDI
Retorno Total (%) -3.98 5.37 1.39 0.79 7.15 8.77
CAGR (%) -4.64 6.33 1.63 0.92 8.44 10.35
Volatilidade (%) 10.02 15.33 12.61 19.5 24.02
Vol. Downside (%) 6.44 9.18 8.04 13.09 14.45
Índice de Sharpe -1.5 -0.27 -0.7 -0.49 -0.08
Índice de Sortino -2.34 -0.44 -1.09 -0.72 -0.14
Drawdown Máx. (%) 9.62 12.18 10.85 23.53 18.41
Pior Mês (%) -6 -6.66 -6.14 -17.32 -11.7
Beta 0.3 0.58 0.35 0.71 1
Correlação Benchmark 0.73 0.91 0.67 0.88 1
% Meses Positivos 48.57 48.1 50.95 50 47.62
VaR médio (%) 1.27 1.96 1.67 2.55 3.14

O negócio agora é acompanhar o que acontecerá com o mercado e as estratégias até o final do ano.

 

O efeito da virada do mês e como explorá-lo

É extremamente difícil prever os retornos no mercado financeiro: os movimentos dos preços (ou seja, os retornos) parecem ser essencialmente aleatórios, especialmente em frequências mais altas (diária e intradiária). A evidência a favor da hipótese de que dados passados como preços e volumes possam ser consistentemente utilizados para prever os preços futuros (ou seja, a chamada Análise Técnica), é muito fraca. É natural que seja desta maneira, pois se fosse fácil prever os retornos futuros, rapidamente os agentes do mercado atuariam para explorar os lucros, e a pressão compradora/vendedora corrigiria os preços, eliminando a possibilidade de arbitragem. Este conceito, incorporado na chamada hipótese do mercado eficiente, é um dos alicerces dos modelos matemáticos de Finanças. No entanto, alguns casos persistentes de previsibilidade nos mercados financeiros desafiam esta visão. Alguns exemplos que já discuti aqui no blog são o efeito de volatilidade, o efeito de momentum e o efeito de valor. Neste post irei abordar um outro tipo de suposta previsibilidade, relacionado a sazonalidades, ou seja, a tendência de uma série temporal financeira apresentar comportamentos previsíveis e recorrentes ao longo do tempo.

Variações sazonais na produção e venda de bens são fatos bem conhecidos. Por exemplo, sabemos que as vendas dos bens de consumo tendem a aumentar no final do ano, devido às compras de natal. Outro exemplo é na produção agrícola, em que os períodos de plantio e colheita estão relacionados às estações do ano e portanto é esperado que exista uma componente sazonal no comportamento dos estoques. É possível que este tipo de efeito exista também no mercado financeiro?

Quando olhamos um gráfico de retornos diários de um índice como o IBOVESPA, fica evidente a dificuldade de previsão da série. Os retornos parecem distribuídos ao acaso em termos do sinal (positivo ou negativo), ou seja, saber a direção do mercado em um certo dia não parece nos ajuda a prever a direção no dia seguinte. No período mostrado abaixo (janeiro de 2000 a setembro de 2014), o IBOVESPA subiu em 51.8% dos dias, e caiu em 48.2% dos dias, com um retorno médio de 0,05%. Como em muitas série de retornos financeiros, é possível identificar uma certa tendência de agrupamento de retornos de alta magnitude, tanto positivos como negativos (o chamado agrupamento de volatilidade). Este fato, apesar de ajudar em tarefas como gestão de risco, não permite prever a direção do retorno futuro.

Retornos diários do IBOV

Retornos diários do IBOV

Apesar desta aparente aleatoriedade, vários estudos identificaram efeitos de sazonalidade (também chamados de “efeito calendário”) nos mercados financeiros. Alguns exemplos são:

Algumas destas anomalias foram estudadas com maior rigor. Outras, como o sell in May, são consideradas por muitos como mera superstição. Estudos do mercado brasileiro (por exemplo, este artigo e este outro) indicaram que o efeito de janeiro não existe no nosso mercado, porém existe o chamado efeito do dia da semana. O segundo artigo confirmou também a existência do efeito de virada do mês, concluindo que o retorno do primeiro pregão do mês é superior.

Neste post abordarei o efeito da virada do mês no IBOVESPA, e explicarei como ele pode ser explorado pelo investidor pessoa física.

Efeito da virada do mês

O efeito de virada do mês consiste na tendência de os retornos serem superiores nos últimos e primeiros dias do mês. Uma possível explicação para a existência deste efeito é o rebalanceamento das carteiras realizado pelos grandes fundos de investimento, que recebem periodicamente aportes dos quotistas e exercem uma pressão compradora neste período específico. Assim como outras anomalias, este efeito parece estar presente na maioria dos mercados de ação do mundo. Um artigo recente faz um estudo do efeito em  20 países e encontra evidência significante de que ele existe em 19 deles, incluindo o Brasil.

Para investigar este efeito, vamos considerar o último e primeiro dias de cada mês de pregão. A primeira análise que podemos fazer para investigar a existência do efeito é calcular o retorno médio do IBOVESPA nestes dias, e compará-lo com o retorno médio dos demais dias. A amostra utilizada considera o período de janeiro de 2000 a setembro de 2014.

O gráfico abaixo apresenta os resultados. Notamos que o retorno médio do último e primeiro dias é muito superior ao retorno médio dos outros dias. Em especial, o primeiro dia do mês apresenta um retorno médio de 0,59%, muito superior ao retorno dos demais dias. Vemos que, excluindo o último e primeiro dias de cada mês, o retorno do IBOVESPA é apenas 0,01%, ou seja, a maior parte do retorno médio total de 0,05% vem dos últimos e primeiros dias de cada mês.

TOTM vs outros dias

 

Os retornos do último e primeiro dias são, na média, superiores aos dos demais dias. Além disto, há uma maior proporção de dias com retornos positivos. Considerando todos os dias, há 51,9% de dias com retornos positivos, enquanto para o último e primeiro dias, esta proporção é de 59,1% e 63,6%, respectivamente. O efeito também parece ser consistente: o retorno médio do último e primeiro dia é superior ao retorno médio dos demais dias em 13 dos 15 anos da amostra.

O efeito de virada do mês no IBOVESPA parece ser muito forte, o que nos leva a pergunta de como ele pode ser explorado. Isto dependerá da situação de cada investidor. Algumas possibilidades:

  • Um investidor que normalmente não fica posicionado no mercado de ações pode montar uma posição comprada em IBOVESPA no último pregão de cada mês, e zerar no final do primeiro dia.
  • Um investidor que normalmente possui posições no mercado de ações pode aumentar sua exposição entre o último e primeiro dias, voltando à sua exposição normal após isso.
  • Um investidor que normalmente possui posições no mercado de ações pode diminuir sua exposição entre o último e primeiro dias, voltando à sua exposição normal após isso.

As três opções acima podem ser facilmente implementadas através da operação de contratos futuros¹. Uma excelente fonte de informações sobre este mercado é o site ContratoFuturo.com. Em particular, este post e esta apresentação são ótimas introduções aos contratos futuros de IBOVESPA: um material muito didático e que cobre todo o essencial do mercado de contratos futuros. Recentemente eu conheci o Guilherme Zanin, fundador do site, que inclusive colaborou neste artigo e replicou o post “A matemática da independência financeira” no site dele.

O contrato futuro de IBOVESPA (e sua versão “mini”) representa uma ótima opção para implementar uma estratégia como esta, pois o investidor pode manter as suas posições atuais e explorar o efeito montando a posição no contrato futuro, precisando apenas depositar a margem, que pode inclusive ser sua própria posição original (títulos do governo, CDBs etc). Além disso, o investidor pode montar facilmente uma posição vendida.

Nest post focarei nesta primeira opção, ou seja, a estratégia consistirá em ficar posicionado no mercado de ações, através de futuros, apenas no último e primeiro dias de cada mês. Para facilitar, vou supor que o investidor possui uma aplicação que rende CDI (por exemplo, um título do governo comprado no Tesouro Direto, ou um CDB). Será que este investidor consegue melhorar seu rendimento explorando o efeito da virada de mês?

Para responder à esta pergunta, vamos considerar o resultado de um backtest simples, no qual o investidor fica posicionado no CDI, exceto no último e primeiro dias de cada mês, no qual ele fica comprado no IBOVESPA. O ideal, para ter um backtest mais realista, seria utilizar os dados dos contratos futuros vigentes em cada data, simulando os ajustes diários, eventuais chamadas de margem e custos de operação. Para simplificar, vou usar os retornos do IBOVESPA, ignorando estes aspectos, portanto é possível que o retorno que possa ser obtido na prática seja diferente. Por outro lado, este teste simples serve como uma primeira impressão da estratégia.

O gráfico abaixo mostra o retorno acumulado da estratégia, do IBOVESPA e do CDI. A estratégia supera em muito o CDI, porém nota-se que a exposição ao IBOVESPA em apenas dois dias de cada mês também adiciona volatilidade na carteira. Em particular, houve períodos em que a estratégia sofreu repetidos retornos negativos, em particular na crise de 2008, no período mais turbulento em 2011 e recentemente entre o final de 2013 e início de 2014.

Evol Carteiras

 

A tabela abaixo apresenta algumas estatísticas comparando a estratégia com o índice e o CDI. A estratégia que combina o rendimento do CDI com o efeito de virada do mês no IBOVESPA apresenta retorno anualizado de quase 24%, contra 14% do CDI e 9.2% do IBOVESPA. A introdução de apenas 2 dias de exposição ao IBOVESPA gera uma volatilidade de 8.5%, bem inferior ao do IBOVESPA, que é de 24.9%. O índice de Sharpe da estratégia é próximo de 1, enquanto o índice de Sortino é superior a 2, mostrando que a maior parte da volatilidade da estratégia é devido aos retornos positivos, o que é esperado e desejável. A perda máxima (drawdown máximo) da estratégia de virada do mês foi de -7,6%, contra -60% (!) do IBOVESPA. O pior mês da estratégia gerou um retorno negativo de -4,5%, contra quase -25% do índice. O retorno da estratégia foi positivo em 79% dos meses. É importante lembrar, no entanto, que estes resultados não incluem custos de operação, que no entanto não devem inviabilizar a estratégia, uma vez que operar no mercado futuro não é tão caro.

Strategy IBOV CDI
Valor Inicial 1.00 1.00 1.00
Valor final 23.28 3.58 6.72
Retorno total 2228.0% 258.5% 572.1%
CAGR 24.3% 9.2% 14.1%
Retorno médio 22.0% 11.9% 13.1%
Volatilidade 8.5% 24.9%
Volatilidade Downside 3.4% 16.2%
Índice de Sharpe 1.05 -0.05
Índice de Sortino 2.62 -0.07
Drawdown Máximo -7.6% -60.0%
Pior retorno mensal -4.5% -24.8% 0.5%
Melhor retorno mensal 10.4% 17.9% 2.0%
% Meses Positivos 79% 55% 100%
% Dias Positivos 96% 52% 100%

 

Os gráficos abaixo apresentam os retornos, ano a ano, da estratégia, do IBOVESPA, e do CDI. Vemos que o retorno da estratégia é essencilamente o do CDI, aumentado na maioria dos anos por algo da ordem de 10%. A estratégia supera o CDI em 13 dos 15 anos do período estudado. O ano de 2014, no entanto, até o momento é o pior  ano, com um retorno negativo.

Comparacoes ano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Concluindo, os resultados preliminares indicam que o efeito de virada do mês está presente e é forte no mercado brasileiro, em linha com estudos acadêmicos sobre o assunto. A magnitude dos retornos obtidos neste backtest simples indica que o efeito de virada do mês provavelmente pode ser explorado por investidores individuais, apesar de ser importante avaliar resultados com uma simulação mais realista, usando dados dos contratos futuros, custos operacionais, de chamada de margem etc. Apesar de adicionar volatilidade na carteira, este risco parece ser amplamente recompensado pelos retornos anômalos da virada do mês.

 

¹Uma alternativa aos futuros seria utilizar um ETF que siga o índice IBOVESPA. Porém, a utilização dos futuros é mais conveniente pois evita a utilização de caixa.